- 73% dos americanos que usam ativos especulativos dizem estar financeiramente atrasados.
- 80% da Geração Z acredita que investimentos de alto risco são o caminho mais rápido para atingir objetivos financeiros.
- Dívida de cartões de crédito nos EUA chegou a US$ 1,28 trilhão no final de 2025.
O interesse dos americanos por criptomoedas vai além da busca por enriquecimento rápido, segundo pesquisa da Northwestern Mutual.
Muitos recorrem a ativos especulativos por se sentirem financeiramente atrasados diante de inflação, alto custo de vida e dívidas crescentes.
Geração Z vê investimentos arriscados como caminho mais rápido
Entre os americanos que usam ou consideram ativos especulativos — como criptomoedas, mercados de previsão e apostas esportivas — 73% afirmam que esses instrumentos oferecem um caminho mais rápido para atingir metas financeiras.
Entre os jovens, a percepção é ainda mais forte, cerca de 80% da Geração Z compartilha dessa visão, enquanto mais de 30% dos millennials e da Geração Z já investem ou planejam investir em criptomoedas em 2026.
Esse fenômeno ganhou um nome entre analistas: niilismo financeiro.
O conceito descreve a perda de confiança no modelo tradicional de construção de riqueza. Estratégias como poupar lentamente, investir de forma conservadora e esperar décadas por estabilidade parecem cada vez menos viáveis para parte da população.
Nas redes sociais, esse sentimento aparece de forma direta. Um comentário que circulou recentemente resume essa percepção:
“Vivemos em uma economia de bilhete de loteria.”
Alto custo de vida pressiona famílias nos Estados Unidos
O cenário econômico ajuda a explicar essa mudança de comportamento.
A inflação nos EUA caiu recentemente, os preços ao consumidor subiram 2,4% nos 12 meses até janeiro de 2026, contra 2,7% no mês anterior. Além disso, os salários reais cresceram cerca de 1,2% no período.
Entretanto, os números gerais não refletem totalmente a realidade das famílias.
Uma pesquisa de fevereiro revelou que 87% dos americanos acreditam que o país enfrenta uma crise de custo de vida. Além disso, mais da metade da população tem dificuldade para pagar contas como aluguel no prazo.
Outro dado reforça essa pressão financeira, cerca de 50% dos americanos dizem ter dificuldade para comprar itens básicos, como alimentos e produtos essenciais.
Dívidas e moradia agravam a situação
O aumento do endividamento também preocupa economistas. Dados do Federal Reserve de Nova York mostram que a dívida de cartões de crédito atingiu US$ 1,28 trilhão no final de 2025, após crescer US$ 44 bilhões em um trimestre, enquanto os juros seguem acima de 20%.
Além disso, o custo da moradia continua elevado. Segundo a Zillow, o aluguel médio chegou a US$ 1.895 em fevereiro, e dois em cada três locatários dizem não acreditar que conseguirão comprar uma casa.
Diante desse cenário, muitos americanos recorrem a ativos especulativos não apenas por ambição, mas por frustração econômica.
Ainda assim, especialistas alertam que essa estratégia aumenta os riscos financeiros em um mercado volátil.
