- ARK Invest comprou US$ 43,5 milhões em ações cripto em três pregões
- Coinbase liderou aportes com US$ 18,6 milhões e Circle recebeu US$ 12,9 milhões
- CRCL caiu 27,6% no mês e COIN recuou 16,9% no período
A gestora ARK Invest, comandada por Cathie Wood, aproveitou o tombo recente das ações ligadas ao setor cripto para reforçar posições. Em apenas três pregões, a casa investiu US$ 43,5 milhões em papéis de empresas como Coinbase, Circle, Robinhood, Bullish e SoFi.
A janela de compra coincide com um dos piores momentos do ano para o segmento. O Bitcoin opera em US$ 59.2298, próximo da mínima de quase dois anos em US$ 58.190 registrada na semana passada. Em reais, o BTC é negociado a cerca de R$ 305 mil, segundo cotação desta terça-feira.
Coinbase e Circle lideram aportes
Os dados divulgados pela própria ARK Invest mostram que a maior fatia foi para a Coinbase (COIN). A gestora adicionou 122.544 ações da exchange, num movimento avaliado em US$ 18,6 milhões. O papel acumula queda de 16,9% nos últimos 30 dias.
A segunda maior aposta foi na Circle (CRCL), emissora da stablecoin USDC. Foram 169.777 ações novas, equivalentes a US$ 12,9 milhões. CRCL é o papel que mais sofreu no período entre os escolhidos pela ARK, o recuo chega a 27,6% em um mês.
A lista de compras inclui ainda US$ 5,2 milhões na exchange Bullish (BLSH), que acumula queda de 26,3% no mesmo intervalo, US$ 5,12 milhões na corretora Robinhood (HOOD) e US$ 1,69 milhão no banco SoFi Technologies (SOFI). A maior parte dos papéis foi alocada no fundo carro-chefe da casa, o ARK Innovation ETF (ARKK), seguido pelo ARK Next Generation Internet (ARKW) e pelo ARK Blockchain & Fintech Innovation (ARKF).
Compras fora do setor cripto
O movimento de Wood não se restringiu a ações ligadas diretamente ao mercado de ativos digitais. No mesmo intervalo, a gestora aumentou exposição à SpaceX antes da entrada na Nasdaq-100 e ampliou posição na Palantir (PLTR), referência em software de análise de dados.
Para liberar caixa, a ARK reduziu participações em Alibaba (BABA), Roku (ROKU) e Strata Critical Medical (SRTA), entre outras companhias. A rotação reforça o discurso público de Wood, que já afirmou ver na instabilidade global um gatilho para o próximo rali do Bitcoin.
CLARITY Act perde tração no Congresso
A queda das ações cripto não é isolada. Investidores reduziram exposição após o atraso na aprovação do CLARITY Act, esperado antes das eleições de meio de mandato nos EUA. Sem avanço regulatório, o setor financeiro tradicional segue cauteloso para alocar capital em empresas cripto-listadas.
Esse vácuo regulatório também explica parte da saída recente de capital institucional. Os ETFs de Bitcoin perderam US$ 1,79 bilhão em uma única semana, com o IBIT da BlackRock concentrando a maior parcela dos resgates.
Ação da ARK contrasta com saída de ETFs no Brasil
Para o investidor local, o movimento da ARK tem leitura prática. Investidores negociam BDRs de Coinbase e Robinhood na B3, que refletem oscilações dos papéis nos EUA e do câmbio. Com o dólar a R$ 5,16, a queda de COIN no mês representa perda em dólar parcialmente amortecida pela alta da moeda americana frente ao real.
O comportamento da gestora americana também destoa do fluxo doméstico. Enquanto Wood compra na baixa, o Banco Central brasileiro avançou na regulação cripto e proibiu operações de câmbio com fundos cripto no país, restringindo a atuação de gestoras locais em estratégias semelhantes. O cenário cria uma assimetria: investidores brasileiros conseguem replicar a tese de Wood comprando BDRs, mas estruturas de fundo dedicadas ao setor enfrentam barreiras adicionais no mercado interno.
