Bank of America revela que tem bilhões em BTC, ETH, XRP e SOL

  • BofA detém US$ 7 bi em Tesla e US$ 513 mi em Strategy
  • Posições incluem ETFs spot de Bitcoin, Ethereum, XRP e Solana
  • Filing 13F mostra exposição indireta a mineradoras e Coinbase

O Bank of America (NYSE: BAC) revelou no seu mais recente formulário 13F entregue à SEC uma ampla rede de exposição indireta ao mercado cripto. O banco aparece como detentor de cotas de ETFs spot ligados a Bitcoin, Ethereum, XRP e Solana, além de participações relevantes em empresas listadas que orbitam o setor.

O documento abrange posições em mais de 30 papéis com algum tipo de vínculo com criptoativos. Há ETFs, tesourarias corporativas de BTC, mineradoras, custodiantes, fintechs e até a operadora de mídia de Donald Trump. Juntas, essas posições somam bilhões de dólares.

As maiores posições do banco

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O maior cheque do BofA dentro do recorte cripto está em Tesla (Nasdaq: TSLA), com cerca de US$ 7 bilhões. A montadora de Elon Musk mantém 11.509 BTC em balanço e não vendeu nenhuma unidade no último trimestre, segundo o próprio relatório financeiro da empresa.

Na sequência aparece a Strategy (Nasdaq: MSTR), de Michael Saylor, com US$ 513,8 milhões. A companhia já acumula 843.738 BTC em tesouraria e recebeu recomendação de compra do TD Cowen mesmo durante a recente correção. A Robinhood Markets figura logo atrás, com US$ 472,2 milhões, seguida pela fintech Block, Inc., de Jack Dorsey, com US$ 371 milhões.

A Coinbase (Nasdaq: COIN) representa US$ 261 milhões em posição, enquanto a SoFi Technologies — primeiro banco com licença federal nos EUA a oferecer trading de cripto no varejo — aparece com US$ 172 milhões. A Circle, emissora do USDC, totaliza cerca de US$ 170 milhões, posição que tende a se valorizar conforme avança o debate regulatório sobre stablecoins nos Estados Unidos.

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ETFs spot no radar do BofA

Assim no segmento de ETFs, o BofA distribuiu posições entre os principais emissores. O iShares Bitcoin Trust (IBIT), da BlackRock, maior ETF spot de BTC do mundo com US$ 62 bilhões em ativos, responde por US$ 37,36 milhões. Já o iShares Ethereum Trust (ETHA) soma mais de US$ 1 milhão.

O banco também aparece como cotista do Bitwise Bitcoin ETF (BITB), com US$ 7,98 milhões, e em fundos da Grayscale, VanEck, ARK 21Shares e Fidelity. As exposições mais simbólicas, porém, estão nos ETFs spot recém-lançados: 13 mil cotas do Volatility Shares XRP ETF e 10.296 cotas do equivalente para Solana. São posições pequenas em valor, mas relevantes como sinal de adesão institucional a produtos fora do eixo BTC/ETH.

Mineradoras e leitura para o investidor brasileiro

O recorte de mineração concentra cheques significativos. IREN recebe US$ 73,31 milhões, MARA Holdings tem US$ 57,34 milhões e Hut 8, US$ 37,81 milhões. A Bitdeer, escolhida pelo JPMorgan como preferida no setor, aparece com US$ 27,91 milhões. Bitfarms, CleanSpark, HIVE e Bit Digital completam o grupo.

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Chama atenção a presença de American Bitcoin (ABTC), mineradora fundada pelos filhos de Trump, e da Trump Media and Technology Group (DJT), que tenta montar tesouraria em Cronos. O BofA também figura entre os investidores da Bitmine, presidida por Tom Lee, com US$ 17,86 milhões — posição que dá exposição indireta a mais de 5,27 milhões de ETH.

Para o investidor brasileiro, o filing reforça uma tendência já vista em movimentos como o do Goldman Sachs reorganizando sua carteira cripto: bancos de Wall Street estão usando ETFs e ações listadas como atalho regulatório para se expor a BTC, ETH, XRP e SOL sem custódia direta. A diferença em relação ao Brasil é estrutural — aqui, gestoras locais já podem comprar BTC diretamente via ETFs da B3, enquanto bancos americanos ainda preferem o caminho indireto.

Além disso, o dado também contrasta com o ambiente recente de saques: os ETFs spot de Bitcoin chegaram a perder US$ 649 milhões em um único dia com o IBIT no centro do fluxo negativo. Detalhes do filing original podem ser consultados no portal EDGAR da SEC.

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Sou jornalista com mais de 20 anos de trajetória, dedicando a última década exclusivamente ao mercado de criptomoedas e ativos digitais. Minha formação acadêmica inclui o bacharelado em Jornalismo pela FACCAMP e uma pós-graduação em Globalização e Cultura, o que me permite analisar o ecossistema cripto sob uma ótica macroeconômica e social. Ao longo da minha carreira, tive o privilégio de entrevistar figuras centrais da história contemporânea e da tecnologia, como Adam Back, Bill Clinton e Henrique Meirelles. Além da atuação na linha de frente da informação, acompanhei de perto as discussões que moldam o sistema financeiro global em fóruns multilaterais de alto nível, como o G20 e o FMI. Decidi migrar do setor público para o mercado de blockchain por convicção: acredito no potencial técnico e disruptivo dessa tecnologia para redesenhar o futuro da economia digital. Hoje, utilizo minha experiência para traduzir a complexidade deste mercado com rigor jornalístico e visão estratégica.
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