- Binance processa 166 mil saques de ETH em um único dia, maior número em 3 anos
- Riot Platforms transfere 500 BTC à NYDIG e repete padrão pré-venda de 2026
- Netflow positivo de 12.938 ETH mantém risco vendedor no radar de analistas
A Binance registrou mais de 166 mil transações de saque de ether em um único dia, o maior número em pouco mais de três anos. O dado foi divulgado pelo analista Darkfost, da CryptoQuant, e chegou em um momento em que o ethereum luta para consolidar suporte após um segundo trimestre difícil.
A cotação do ETH gira em torno de US$ 1.732 (cerca de R$ 9.003), com alta de 1,9% nas últimas 24 horas. Mesmo com a leve recuperação, o ativo ainda opera bem abaixo dos níveis vistos no início do ano, o que ajuda a explicar a movimentação atípica na maior corretora do mundo.
Saques massivos e leitura dividida entre analistas
Segundo Darkfost, o volume recorde de retiradas pode ter duas interpretações principais. A primeira é acumulação: holders migrando moedas para carteiras de autocustódia, um sinal historicamente lido como bullish para a oferta disponível em exchanges. A segunda hipótese aponta para rotação de capital em direção a protocolos de DeFi, em busca de rendimento em staking líquido ou restaking.
O quadro, porém, não é linear. A colega de análise PelinayPA, também da CryptoQuant, ofereceu leitura mais cautelosa. Apesar do número recorde de transações, o netflow da Binance permaneceu positivo em 12.938 ETH — ou seja, entrou mais ether do que saiu em termos de volume. “Moedas em exchange são mais fáceis de vender”, resumiu a analista, indicando risco vendedor ativo.
A leitura combinada sugere um padrão específico: muitos pequenos holders saindo com quantias modestas, enquanto poucos endereços de grande porte posicionam estoque para venda. É uma dinâmica que já apareceu em sinais técnicos recentes do ativo e ajuda a explicar a dificuldade de romper resistências acima dos US$ 1.800.
ETF de ether volta ao azul e sustenta suporte
Do lado institucional, os ETFs à vista de ether nos Estados Unidos voltaram a captar recursos, com entrada líquida de US$ 29,08 milhões. O ETHA, da BlackRock, respondeu praticamente por todo o volume, com US$ 29,74 milhões — enquanto outros produtos ficaram próximos do zero a zero. O fluxo ajudou o ETH a defender a região dos US$ 1.700.
A movimentação institucional serve de contrapeso, mas não neutraliza a pressão on-chain. Movimentos anteriores mostraram tesourarias corporativas ampliando exposição ao ativo, enquanto endereços ligados a fundos venture, como a a16z, também transitaram grandes quantias fora da Binance nos últimos meses. O ecossistema segue dividido entre venda de curto prazo e acumulação estratégica.
Riot transfere 500 BTC para NYDIG em preço 15 mil abaixo do 1º tri
No lado do Bitcoin, o sinal veio da mineração. A Riot Platforms (Nasdaq: RIOT), segunda maior mineradora listada em bolsa, moveu 500 BTC — equivalentes a cerca de US$ 30,72 milhões — para custódia da NYDIG. O movimento é significativo porque depósitos na NYDIG antecederam vendas onchain da Riot ao longo de todo o ano, inclusive uma transferência idêntica em abril, quando os mesmos 500 BTC valiam US$ 39 milhões.
A companhia vendeu 3.778 BTC no primeiro trimestre, mais que o dobro dos 1.473 BTC minerados no período. O caixa gerado — US$ 289,5 milhões, a um preço médio de US$ 76.626 por moeda — foi direcionado à expansão de data centers para inteligência artificial. As reservas caíram para 15.680 BTC ao fim do 1T, queda de 18% na comparação anual.
Com o BTC atualmente em US$ 61.870, uma eventual venda agora fixaria receita cerca de US$ 15 mil abaixo do preço médio capturado no primeiro trimestre. Para o investidor brasileiro, o padrão importa: mineradoras públicas americanas se tornaram fonte estrutural de oferta em 2026, competindo com o fluxo comprador dos ETFs e limitando o potencial de alta enquanto o hashprice segue comprimido. O comportamento é acompanhado em tempo real por rastreadores como o painel da CryptoQuant.
