- Bitcoin volta aos US$ 62 mil após tocar mínima anual de US$ 57.735
- Liquidações em derivativos caem para US$ 31 milhões em 24 horas
- Analista projeta US$ 2 bilhões liquidados se BTC recuar a US$ 58 mil
O bitcoin devolveu parte da pressão vendedora dos últimos dias e voltou a operar acima dos US$ 62 mil, após tocar a mínima do ano em US$ 57.735 na quarta-feira. O movimento foi acompanhado por uma queda expressiva das liquidações no mercado de derivativos, sinal de que a volatilidade extrema começa a arrefecer.
Dados de mercado mostram que a criptomoeda oscilou entre US$ 61 mil e US$ 62 mil ao longo da madrugada, com um breve recuo até US$ 61.300 antes de disparar após a virada do dia. O pico intradiário chegou a US$ 62.338, com pequena realização em seguida. No horário desta publicação, o BTC está negociado a US$ 62.080, equivalente a cerca de R$ 322.933, com ganho de 0,9% em 24 horas.
Liquidações caem 83% em um dia
A alta modesta manteve a capitalização de mercado do bitcoin em torno de US$ 1,24 trilhão e o mercado cripto agregado próximo a US$ 2,2 trilhões. O ponto mais notável, porém, veio dos derivativos, apenas US$ 31 milhões em posições alavancadas foram liquidadas nas últimas 24 horas, contra US$ 180 milhões registrados no dia anterior uma retração de 83%.
A queda no volume de liquidações costuma indicar que traders reduziram alavancagem após o susto da mínima anual. Nas últimas semanas, o mercado já vinha absorvendo choques relevantes, com saída recorde de US$ 4,5 bilhões dos ETFs em junho e revisão de projeções por bancos como o Citi, que cortou o preço-alvo do BTC para US$ 82 mil no ano.
A conta Kabukistory, em publicação na rede X, observou que a recuperação demonstra resiliência, mas indicadores macroeconômicos apontam para liquidez apertada. Segundo o comentarista, isso deixa o bitcoin exposto a mudanças bruscas de humor até que uma tendência definitiva se estabeleça.
Philarekt mira US$ 58 mil e US$ 2 bilhões em vendas forçadas
Nem todos os analistas veem o pior como superado. O trader Philarekt destacou, em publicação no X, o acúmulo inédito de liquidez de posições compradas empilhada nas proximidades de US$ 58 mil. Uma perna descendente até esse patamar, segundo ele, poderia acionar uma cascata de liquidações estimada em US$ 2 bilhões.
“Fundos macro nunca parecem fundos. Eles vêm depois do evento de liquidação mais agressivo do ciclo”, escreveu o analista.
Philarekt considera viáveis quedas até US$ 42 mil e vê exaustão da liquidez como melhor oportunidade de compra.
A tese ganha eco em métricas on-chain recentes. Um fluxo de 49 mil BTC para exchanges foi identificado pela CryptoQuant como potencial gatilho de volatilidade nas próximas semanas, reforçando a leitura de que o mercado ainda pode enfrentar um episódio de capitulação antes de virar.
Pressão cambial eleva custo do BTC em reais
Para o investidor brasileiro, o quadro tem uma camada adicional. Com o dólar cotado a R$ 5,1685, o preço do bitcoin em reais permanece acima de R$ 320 mil mesmo com a queda em dólar. Dólar forte sustenta paridade local, reduzindo historicamente o incentivo para vendas defensivas entre detentores brasileiros de Bitcoin.
O momento também coincide com movimentação regulatória interna. O Banco Central prepara para 2027 novas regras de capital para exchanges de cripto, exigindo alocações patrimoniais mais rígidas para plataformas que operam com o ativo. A combinação entre volatilidade internacional e aperto regulatório local tende a redesenhar o perfil de liquidez do mercado brasileiro nos próximos trimestres.
Payroll fraco pode mudar jogo do Fed
O pano de fundo macro pesa. O payroll dos EUA de junho veio abaixo do esperado, com apenas 57 mil vagas criadas, e derrubou as apostas em nova alta de juros pelo Federal Reserve. Um afrouxamento monetário reabriria fluxo para ativos de risco e poderia sustentar a recuperação do bitcoin acima do patamar de US$ 62 mil.
