- Bitcoin cai quase 5% e testa US$ 62.490 após dados de emprego nos EUA
- Pedidos de seguro-desemprego recuam a 226 mil e travam aposta em corte de juros
- Rompimento de canal de alta abre caminho para retestar fundo de junho em US$ 59 mil
O bitcoin perdeu fôlego nesta quinta-feira (18) e recuou para a faixa dos US$ 62.490 — equivalente a cerca de R$ 321,6 mil — após dados do mercado de trabalho norte-americano virem mais fortes que o esperado e reforçarem o tom duro do Federal Reserve. A queda no dia chega a 4,95%, segundo cotações em tempo real, e arrasta praticamente todo o complexo cripto.
O gatilho veio do Departamento do Trabalho dos EUA. Os pedidos iniciais de seguro-desemprego caíram para 226 mil na semana encerrada em 13 de junho, ante 230 mil revisados na semana anterior. Em um cenário no qual operadores buscam sinais de desaceleração para justificar cortes de juros, números resilientes funcionam como combustível para o lado vendedor.
Payroll derruba aposta em corte de juros
O dado caiu um dia depois de o FOMC manter os juros entre 3,50% e 3,75%, na quarta pausa consecutiva. O comunicado e as projeções do dot plot deixaram aberta a porta para apertos adicionais em 2026, e a estreia de Kevin Warsh na presidência reforçou esse viés. Quem operava posicionado para um pivô mais brando teve de reduzir risco.
O detalhe que poderia oferecer alívio — o avanço dos pedidos continuados para 1,81 milhão, sinalizando alguma fadiga na recolocação — foi atropelado pela leitura de manchete. Em derivativos, o flush de longos alavancados nas principais corretoras acelerou a queda assim que o BTC perdeu o piso de US$ 64 mil. O movimento conversa com a leitura da Citadel sobre risco de alta de juros, que ganhou tração entre gestores macro nas últimas semanas.
Para o investidor brasileiro, o repasse é direto: a combinação de dólar firme — cotado a R$ 5,15 — com BTC caindo em USD amplifica a volatilidade nos preços em real. Exchanges locais como Mercado Bitcoin, Foxbit e Bitso operam o ativo descolado pela paridade cambial, o que reduz a intensidade da queda em reais, mas não anula o efeito de redução de apetite a risco que costuma respingar em altcoins listadas no Brasil.
BTC rompe canal de alta e mira US$ 59 mil
No gráfico de quatro horas, o bitcoin rompeu a linha inferior do canal ascendente que vinha guiando o preço desde o repique de 5 de junho na região dos US$ 59.175. O furo aconteceu logo abaixo da retração de Fibonacci de 61,8%, perto de US$ 64.950 — área que vinha funcionando como suporte na tentativa de recuperação.
O próximo nível relevante está na retração de 78,6%, em torno de US$ 62.400. Um fechamento diário abaixo dessa faixa expõe a mínima de junho perto de US$ 59.175, justamente o alvo medido pela falha do canal. O RSI de 4h colapsou para 38 e o MACD cruzou para baixo, aprofundando no terreno negativo. No diário, a formação lembra uma bandeira de baixa após o repique travar abaixo da resistência de US$ 67 mil a US$ 68 mil.
O Chaikin Money Flow segue em -0,12, indicando que o capital continua deixando o mercado mesmo com a tentativa de reação da semana passada. Dados de liquidação da CoinGlass mostram um cluster denso de longos alavancados entre US$ 63 mil e US$ 63,5 mil, com liquidez adicional próxima de US$ 61 mil e US$ 62 mil. Com o preço operando dentro dessa concentração, a volatilidade tende a permanecer elevada nas próximas sessões.
Analistas veem piso em US$ 60 mil sob pressão
O analista Michael van de Poppe classificou o nível atual como pivotante: se ceder, leva o BTC a testar as mínimas e arrasta as altcoins junto. Já Altcoin Sherpa avaliou, em publicação no X, que o cenário em baixos tempos gráficos não está bonito e admite mergulho para a região dos US$ 60 mil nos próximos dias.
Do lado comprador, recuperar a faixa de US$ 64.950 a US$ 66.700 seria o primeiro sinal de que vendedores estão perdendo controle. O contexto, porém, joga contra: o relatório de empregos de não-fazenda agrícola da próxima janela e qualquer dado de inflação acima do esperado podem reduzir ainda mais a aposta em afrouxamento — e empurrar o BTC para o teste do piso defendido por acumuladores que absorveram 125 mil BTC antes da reunião do Fed.
