- Bitcoin opera perto de US$ 64.101 com volume 21% abaixo da média recente
- CPI de junho sai em 14 de julho e definirá probabilidade de alta de juros
- ETFs à vista captaram US$ 90,4 milhões após dois dias de saques
O bitcoin chega ao fim de semana operando em torno de US$ 64.101 cerca de R$ 328.100 na paridade atual com uma janela apertada até o próximo teste macro. Na segunda-feira, 14 de julho, às 9h30 no horário de Brasília, o Departamento do Trabalho dos EUA divulga o CPI de junho, o dado que deve calibrar as apostas sobre o próximo movimento do Federal Reserve.
Nos últimos sete dias, o ativo acumula alta de aproximadamente 2,6%, segundo dados de mercado do CryptoSlate. O detalhe incômodo está no giro: o volume de 24 horas aparece 21% abaixo da média recente, sinal de que a recuperação tem preço, mas ainda não tem convicção. Compradores voltaram só não em massa.
Três dias até o CPI e o que o mercado precifica
Os contratos futuros de juros negociados na CME, monitorados pela ferramenta FedWatch, mostram 64,6% de chance de o Fed manter a faixa de 3,50%-3,75% na reunião de 29 de julho, contra 35,4% de probabilidade de uma alta de 0,25 ponto. Para setembro, a leitura muda: 50,9% apostam em juros entre 3,75% e 4,00% e 18,8% veem o intervalo subindo para 4,00%-4,25%.
Julho, portanto, parece cedo demais para movimento. O CPI é quem vai dizer se as apostas em corte reaparecem no radar ou se o mercado reforça o temor de aperto adicional. Esse dilema já pesa sobre ativos de risco há semanas, como o mercado precificando alta de juros em setembro após declarações do ex-diretor Kevin Warsh.
ETFs e derivativos dão suporte tímido
A demanda via ETFs à vista ainda é titubeante. Em 10 de julho, os fundos americanos registraram entrada líquida de US$ 90,4 milhões, mas o saldo veio depois de dois pregões seguidos de resgates que somaram US$ 180,2 milhões. O padrão recente foi detalhado na cobertura sobre saques nos ETFs de Bitcoin sequência que continua limitando o alcance da retomada.
Nos derivativos, o open interest em futuros de bitcoin ronda US$ 47,3 bilhões, com funding rates levemente positivas e liquidações concentradas em posições vendidas nas últimas 24 horas. O quadro descreve um mercado ativo, mas sem alavancagem comprada agressiva combinação que reduz o risco de cascata, mas também limita o combustível para uma alta explosiva.
Três cenários do CPI para o BTC
Uma inflação acima do esperado seria o teste mais duro. Os rendimentos dos Treasuries de 2 e 10 anos fecharam em 4,21% e 4,56%, respectivamente, ambos em alta. Número quente elevaria juros e dólar, com DXY perto de 101, aumentando risco de aperto e pressionando comprados.
Um dado alinhado com projeções deixa o repique dependente de fluxo. Com alavancagem contida e apenas uma sessão positiva nos ETFs, sustentar os US$ 64.000 exigiria compra contínua depois da poeira macro assentar. Já uma surpresa baixista devolveria fôlego às expectativas de corte, com queda de yields e dólar mais fraco favorecendo captação em fundos.
Repique ou short squeeze disfarçado
Para o investidor brasileiro, o efeito é duplo. Além da direção do BTC em dólar, o USD/BRL em R$ 5,1040 amplifica qualquer movimento um recuo do dólar via CPI benigno mexeria simultaneamente com preço do ativo e câmbio, pressionando a cotação em reais. O oposto vale para uma leitura hawkish. Vale lembrar que a Standard Chartered mantém alvo de US$ 100 mil para 2026, cenário que depende justamente do afrouxamento monetário nos EUA.
O primeiro sinal durável virá se probabilidades do Fed, yields e dólar andarem juntos após o dado. Segundo, o fluxo dos ETFs pode confirmar a direção ou revelar recuperação alimentada apenas por recompra de vendidos.
