Bitcoin cai abaixo de US$ 75 mil e liquidações chegam a US$ 917 mi

  • Bitcoin tocou US$ 74.344, menor patamar em mais de um mês
  • Liquidações cripto somaram US$ 917 milhões em 24 horas
  • ETFs à vista dos EUA perderam US$ 1,25 bilhões em seis pregões

O Bitcoin rompeu o suporte de US$ 75 mil neste sábado e cravou a mínima de mais de um mês, em um movimento que combinou saída pesada de ETFs à vista nos Estados Unidos e estouro de posições alavancadas. A queda do bitcoin arrastou Ethereum e Solana e expôs novamente a fragilidade do mercado quando o fluxo institucional vira na direção contrária.

Fonte: coinmarketcap

Na ponta mínima, o BTC chegou a US$ 74.344, antes de devolver parte das perdas e operar perto da casa dos US$ 75.300. Há menos de uma semana, o ativo era negociado acima de US$ 80 mil. A perda do patamar redondo funcionou como gatilho técnico e empurrou o mercado para uma sequência de zeragens forçadas.

Liquidações passam de US$ 900 milhões

Os derivativos absorveram o pior da onda vendedora. Em 24 horas, as liquidações no mercado cripto atingiram US$ 917 milhões, segundo dados consolidados por plataformas de monitoramento. O Bitcoin respondeu por US$ 371 milhões do total, e o Ethereum somou mais US$ 261 milhões.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

O dado mais revelador está na composição. Posições compradas representaram US$ 827 milhões das liquidações, ou seja, mais de 90% dos contratos zerados eram apostas em alta. O número mostra o quanto o mercado estava posicionado para uma retomada antes do rompimento do suporte.

O Ethereum caía mais de 2% em 24 horas e era negociado perto de US$ 2.060. O Solana, com perda diária mais aguda, operava ao redor de US$ 84. O comportamento sincronizado das principais altcoins reforça que o gatilho da queda veio de fora dos protocolos está nos balanços de fundos e na curva de juros americana.

ETFs perdem US$ 1,25 bilhão em seis dias

O pano de fundo é a deterioração da demanda institucional. Os ETFs à vista de Bitcoin nos EUA registraram saídas líquidas por seis pregões consecutivos, totalizando mais de US$ 1,25 bilhão em resgates. O fluxo negativo coincide com a alta dos rendimentos dos Treasuries, que retiram capital de ativos de risco e elevam o custo de oportunidade de manter cripto em carteira.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Diego Martin, CEO da Yellow Capital, resumiu o novo canal de transmissão. Para ele, choques geopolíticos hoje passam primeiro pelos juros dos Treasuries, depois pelo apetite a risco e finalmente pelos fluxos de ETF, antes de chegar ao Bitcoin. A descrição é compatível com o filing público dos ETFs na SEC, que mostra a dependência crescente entre cotação spot e movimentação dos fundos.

Leitura para o investidor brasileiro

Para quem opera no Brasil, a engrenagem ficou mais sensível ao calendário macro americano. A virada do humor coincidiu com declarações recentes de dirigentes do Federal Reserve sinalizando que a porta para nova alta de juros segue aberta, cenário que retira liquidez do sistema e penaliza ativos de duração longa, como o Bitcoin.

O movimento também não ocorre de forma isolada. A semana já havia registrado saques expressivos no IBIT, da BlackRock, e vendas relevantes por parte de tesourarias corporativas. A Trump Media zerou parte da posição em BTC com prejuízo, dando combustível adicional à narrativa de desmonte institucional.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Tecnicamente, a região de US$ 75 mil agora vira a linha de batalha imediata. Acima dela, o mercado retoma a faixa de consolidação das últimas semanas. Abaixo, abre espaço para teste da casa de US$ 72 mil, patamar onde se concentram ordens defensivas de fundos sistemáticos. No mercado doméstico, exchanges brasileiras registraram alta no volume de saques de stablecoins durante a madrugada, sinal de que parte do dinheiro local optou por aguardar à margem.

Compartilhe este artigo
Entusiasta de criptomoedas e tecnologia. Sempre explorando novas tecnologias inovadoras. Nos momentos livres, gosto de jogar e assistir futebol.
Sair da versão mobile