Bitcoin trava em US$ 78 mil com alavancagem em 14,9% e fuga de ETFs

  • Bitcoin opera perto de US$ 78 mil após falhar em romper US$ 82 mil
  • ETFs spot dos EUA registram saída próxima de US$ 1 bilhão em sete dias
  • Estimated Leverage Ratio sobe a 14,9% e expõe longs a liquidações

O bitcoin chega a um ponto de inflexão técnico depois de semanas tentando, sem sucesso, superar a resistência dos US$ 82 mil. O ativo agora oscila ao redor de US$ 78.194, com queda diária de 1,2%, segundo dados citados pelo grupo de pesquisa XWIN Research Japan na plataforma CryptoQuant.

A leitura combina sinais on-chain preocupantes, fuga de capital institucional e um pano de fundo macroeconômico que segue hostil para ativos de risco. A pergunta no mercado é simples: até quando os compradores conseguem segurar a faixa dos US$ 78 mil antes que uma onda de liquidações force o preço para baixo?

Alavancagem em pico aumenta risco de liquidação

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O Estimated Leverage Ratio (ELR), indicador criado pelo analista Axel Adler Jr., subiu para 14,9%. A métrica compara o open interest dos futuros de bitcoin com o saldo de BTC mantido em exchanges. Quanto maior o número, mais traders estão tomando capital emprestado para sustentar posições.

Assim, para a XWIN Research, a leitura é direta: ciclos saudáveis de alta costumam ser puxados por demanda spot, e não por dinheiro alavancado. O cenário atual é o oposto. Open interest e funding rates avançam juntos, sinal de que as posições compradas dominam o mercado de derivativos.

Isso cria uma armadilha conhecida. Quando o preço falha em romper resistência — como aconteceu nos US$ 82 mil — longs alavancados viram alvo fácil para movimentos de venda. O próprio dado de open interest no agregado já reflete um mercado de futuros dividido, com exposição recorde e pouca margem para erro técnico.

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ETFs spot perdem quase US$ 1 bilhão em uma semana

Do lado institucional, o quadro também desanima. Os ETFs spot de bitcoin listados nos EUA registraram saídas líquidas próximas de US$ 1 bilhão nos últimos sete dias, segundo a XWIN Research. O movimento se soma a um Coinbase Premium negativo prolongado — métrica que mede a diferença entre o preço do BTC na Coinbase (proxy do investidor americano) e em exchanges internacionais.

O sinal vem em sequência a sessões turbulentas, como o dia em que os ETFs perderam US$ 630 milhões em pior pregão desde janeiro. Para o investidor brasileiro, a leitura é relevante: enquanto o varejo doméstico tende a seguir o noticiário em tempo real, os grandes alocadores americanos vêm reduzindo exposição — e historicamente são eles que ditam o tom dos ciclos.

Juros altos nos EUA e a pressão macro

Além disso, o contexto macroeconômico amplifica a fragilidade. O yield do Treasury de 10 anos ronda 4,6%, enquanto o de 30 anos cruzou os 5%. A mensagem dos mercados de renda fixa é que o aperto monetário deve seguir por mais tempo — o famoso “higher for longer”.

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Juros longos elevados pressionam ativos de duração, e o Bitcoin, apesar de não ser uma ação de tecnologia, costuma se comportar como um proxy de liquidez global. Quanto maior o custo do dinheiro, menor o apetite por risco. No Brasil, o efeito chega filtrado pelo câmbio: com o dólar firme, o BTC em reais tende a sustentar patamares mais altos mesmo em correções, o que mascara parte da fraqueza para o investidor local.

O piso técnico em US$ 78 mil e o que pode mudar o jogo

Apesar do pessimismo de curto prazo, a XWIN Research não cravou um cenário totalmente baixista. Os holders de longo prazo acumulam mais de 15 milhões de BTC, com 316 mil BTC migrando para essa categoria no último mês. A liquidez também cresce na Binance, com entradas constantes de stablecoins — capital parado pronto para ser deslocado.

Assim, o nível crítico está entre US$ 78 mil e US$ 79 mil, faixa que coincide com o Short-Term Holder Realized Price. Romper esse piso abre espaço para pressão vendedora imediata. Por outro lado, uma retomada dos fluxos nos ETFs e a recuperação do Coinbase Premium podem devolver impulso comprador. Modelos de longo prazo, como a Power Law que projeta fundo em US$ 42.800, mostram que o intervalo de tolerância estrutural ainda é amplo.

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Sou jornalista com mais de 20 anos de trajetória, dedicando a última década exclusivamente ao mercado de criptomoedas e ativos digitais. Minha formação acadêmica inclui o bacharelado em Jornalismo pela FACCAMP e uma pós-graduação em Globalização e Cultura, o que me permite analisar o ecossistema cripto sob uma ótica macroeconômica e social. Ao longo da minha carreira, tive o privilégio de entrevistar figuras centrais da história contemporânea e da tecnologia, como Adam Back, Bill Clinton e Henrique Meirelles. Além da atuação na linha de frente da informação, acompanhei de perto as discussões que moldam o sistema financeiro global em fóruns multilaterais de alto nível, como o G20 e o FMI. Decidi migrar do setor público para o mercado de blockchain por convicção: acredito no potencial técnico e disruptivo dessa tecnologia para redesenhar o futuro da economia digital. Hoje, utilizo minha experiência para traduzir a complexidade deste mercado com rigor jornalístico e visão estratégica.
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