- Bitcoin sustenta US$ 77 mil e mira banda superior de Bollinger em US$ 91.150
- XRP recebe US$ 116,74 milhões em ETFs mas segue preso perto de US$ 1
- Hyperliquid salta 46,68% e empurra Dogecoin para a 10ª posição global
O mercado cripto entra na última semana de maio de 2026 com uma fratura clara entre o bitcoin e o restante das principais criptomoedas. Enquanto o BTC defende a faixa dos US$ 77 mil após um repique em V no suporte de US$ 75 mil, altcoins como XRP e Dogecoin acumulam perdas relativas e veem capital migrar para o ativo dominante.
Os dados da semana apontam para um movimento clássico de seleção natural. US$ 1,26 bilhão saíram dos ETFs spot de Bitcoin nos Estados Unidos em seis pregões consecutivos de saques, com vendas pesadas no IBIT da BlackRock. Mesmo assim, o preço resistiu — sinal de que compradores institucionais estão absorvendo a oferta despejada por investidores de varejo.
Bitcoin mira banda superior de Bollinger
No gráfico semanal, o BTC testou com sucesso a banda central de Bollinger em US$ 75.029, segundo leitura do TradingView. O retorno acima dessa média mantém aberto o cenário de squeeze rumo à banda superior, no entorno de US$ 91.150. O movimento representaria um avanço de cerca de 18% frente ao preço atual.
O pano de fundo macro ajuda. Investidores começam a precificar a desescalada no Oriente Médio e aguardam a divulgação do Core PCE de abril em 28 de maio, indicador-chave para o tom do Federal Reserve. Em 25 de maio, o feriado de Memorial Day deve reduzir liquidez, com bolsas e ETFs americanos fechados. Para o investidor brasileiro, vale lembrar que o BTC em reais ronda R$ 410 mil ao câmbio próximo de R$ 5,30, ainda 15% abaixo da máxima histórica local registrada no fim de 2025.
Além disso, a leitura institucional confirma a rotação. O Bank of America elevou sua posição no IBIT para US$ 37 milhões no primeiro trimestre, ao mesmo tempo em que zerou exposição a Ethereum e Solana. Esse padrão de saída de altcoins e reforço em BTC se repete em fundos americanos e ajuda a explicar a divergência atual. O cenário recente do Fed também pressionou a alocação de risco fora do BTC.
XRP preso na zona magnética de US$ 1
Assim, o XRP vive uma das contradições mais visíveis do ciclo. Os ETFs spot do token nos EUA receberam US$ 116,74 milhões em uma única semana, maior captação de 2026 segundo a SoSoValue. Mesmo assim, o preço cedeu 0,16% desde o início de maio.
O gráfico semanal mostra o motivo. Fechamentos abaixo da banda central de Bollinger transformaram a banda inferior em ímã, no nível de US$ 1,0596. Sem um catalisador externo, o cenário-base aponta para esse teste nas próximas semanas. O voto do Senado americano sobre o CLARITY Act, previsto para junho com possível aprovação em julho, é hoje a única âncora capaz de inverter a inércia. Já há análises técnicas mais agressivas que projetam revisita a US$ 0,70 em 2026 caso o suporte de US$ 1 ceda. O comportamento divergente entre ETF e preço também aparece em captações recentes de fundos do token.
Hyperliquid passa Dogecoin no ranking
O HYPE, token nativo da Hyperliquid, rompeu US$ 63 e ultrapassou o Dogecoin no ranking de capitalização da CoinMarketCap. A capitalização chegou a US$ 16,03 bilhões contra US$ 15,95 bilhões da memecoin, com alta de 46,68% em sete dias.
Assim, o motor da disparada é um mecanismo automatizado de recompra. O Assistance Fund da Hyperliquid destina 97% das taxas de negociação para comprar HYPE no mercado aberto, programa que já movimentou US$ 1,16 bilhão. A demanda foi reforçada pelo fundo PURR, que travou cerca de 10% do supply via algoritmos TWAP e dispõe de linha de crédito de US$ 1 bilhão.
ETFs spot lançados pela 21Shares e pela Bitwise captaram US$ 57 milhões em uma semana, cimentando a entrada do produto na carteira de mesas tradicionais. Ainda assim, baleias com 10 a 100 milhões de DOGE acumularam 525 milhões de moedas nos últimos sete dias, formando um colchão de demanda perto de US$ 0,10 que pode segurar a memecoin no curto prazo.
