- Bitcoin opera perto de US$ 76.875 com bull flag mirando rompimento de 27%
- Baleias com 100 mil a 1 milhão de BTC cortaram fatia de 3,46% para 3,31% desde fevereiro
- Fechamento abaixo de US$ 75.975 abre caminho para US$ 73.857
O bitcoin negocia em US$ 76.390 com a pressão vendedora arrefecendo e um padrão técnico que aponta para rompimento de até 27%. O problema é que os dois indicadores mais observados por gestores profissionais fluxo de baleias e Smart Money Index andam na direção oposta.
O ativo formou uma figura de bull flag após avançar 27% entre 29 de março e 6 de maio, segundo análise técnica publicada pelo TradingView. O padrão consiste em um canal de baixa curto após movimento forte de alta. Costuma sinalizar continuação, desde que o rompimento venha acompanhado de volume.
Pressão vendedora cede, mas volume preocupa
Desde 15 de maio, o volume de venda esfriou perceptivelmente. A linha inferior da bandeira tem sido testada, mas sem rompimento decisivo. Para os compradores, é leitura positiva: bears perdendo gás.
O suporte estrutural vem do lado on-chain. Dados da Binance Research mostram que cerca de 60% da oferta de bitcoin não se mexe há mais de um ano. Os saldos nas exchanges recuaram para 15%, contra o pico de 17,6% do período da Covid. Menos moedas disponíveis para venda imediata significa menos combustível para quedas profundas.
Outro indicador relevante é o MVRV de holders de curto prazo, que voltou a superar 1,0. Em termos práticos, quem comprou recentemente está, em média, no azul pela primeira vez desde novembro de 2024. É a base de novos entrantes que normalmente sustenta rompimentos.
Baleias distribuem há quase três meses
O contraponto está nas carteiras gigantes. Endereços com saldo entre 100 mil e 1 milhão de BTC reduziram sua participação na oferta de 3,46% em 20 de fevereiro para 3,31% em 18 de maio, conforme leitura da Santiment. A queda foi quase linear, sem reposições significativas.
Mesmo no rali que levou o ativo ao topo do início de maio, esse grupo não voltou a acumular. O recado implícito é que as maiores baleias tratam o ciclo atual como fase de distribuição, não de acumulação. Movimento parecido aparece nos ETFs spot americanos, que registraram saídas de US$ 1,54 bilhão em uma única semana.
O Smart Money Index, indicador que mede a atividade de investidores informados comparando volume nas primeiras e últimas horas do pregão, rompeu sua linha de sinal em 15 de maio. Foi a primeira quebra decisiva desde 26 de março. Desde então, o BTC já cedeu cerca de 5%.
Impacto no investidor brasileiro
Para quem opera na bolsa brasileira de criptoativos, o cenário tem duas camadas de leitura. A segunda é de liquidez doméstica. Dados recentes mostram que o varejo brasileiro recuou nas exchanges locais, com aportes médios na Binance caindo a 314 BTC mensais.
Esse comportamento ecoa o que aparece no Smart Money Index global, investidores de varejo mais cautelosos, enquanto institucionais ditam o ritmo. Em ciclos anteriores, como em 2021, distribuições prolongadas de baleias antecederam quedas mais profundas mas também houve casos em que o varejo absorveu a oferta e levou o preço a novos topos.
