- ETFs de Bitcoin registram US$ 650 milhões em saques, com ARKB e IBIT liderando perdas
- BTC é rejeitado em US$ 81 mil, custo médio dos holders de curto prazo
- Tensão entre EUA e Irã empurra petróleo para US$ 110 e amplia aversão ao risco
O bitcoin entra em uma fase delicada do ciclo. O mercado de criptoativos volta a operar sob pressão dupla fluxo institucional em retirada e ruído macro crescente e a pergunta que ganha tração entre traders é se a correção atual já abriga sinais de capitulação ou se ainda se trata de mera realocação tática.
Os ETFs de Bitcoin à vista abriram a semana com saída líquida de cerca de US$ 650 milhões, estendendo as redenções superiores a US$ 1 bilhão registradas na semana anterior. Ao contrário de janeiro, saques agora se distribuem entre ETFs, com ARKB e IBIT registrando retiradas semelhantes milionárias.
Essa pulverização importa. Quando vários gestores demonstram desconforto simultaneamente, o medo deixa de ser pontual e começa a afetar a tese institucional. Para o investidor brasileiro, o recado é direto, o fluxo que sustentou a tese de adoção corporativa em 2025 entrou em modo defensivo.
Rejeição técnica em US$ 81 mil
No gráfico, o BTC recuou após atingir o custo médio dos holders de curto prazo, hoje próximo de US$ 81 mil. O indicador STH MVRV atingiu o nível 1.0, ponto de equilíbrio dos investidores recentes, antes de iniciar queda.
A leitura é desconfortável. Quando o MVRV de curto prazo recua a partir de 1.0, significa que quem comprou nos últimos meses voltou ao prejuízo e tende a vender qualquer alívio. É exatamente o comportamento que aparece agora, holders recentes liquidando posições com agressividade incomum.
O cenário casa com o quadro descrito em projeções de fundo entre US$ 62 mil e US$ 65 mil que circulam entre analistas técnicos, e converge com a perda de tração já documentada na queda dos aportes do varejo na Binance.
O fator Irã no radar
Por fora do mercado cripto, o ruído cresce. O presidente Donald Trump instruiu o Pentágono a preparar um possível ataque em larga escala contra o Irã, segundo apuração da imprensa internacional baseada em comunicações oficiais da Casa Branca. O petróleo Brent reagiu e caminha para a faixa dos US$ 110 por barril.
Petróleo em alta é gasolina para a narrativa inflacionária o que reduz a probabilidade de cortes de juros nos EUA e drena liquidez de ativos de risco. Para o Brasil, há reflexo direto, dólar mais forte costuma pressionar o preço do BTC em reais, mesmo quando a cotação em dólar fica estável. Reportagem detalhada sobre o impacto do ultimato de Trump no Bitcoin já mapeou esse canal de transmissão.
Sentimento ainda não quebrou
Apesar da combinação ruim, há um dado que sugere cautela com a tese da capitulação. O Fear & Greed Index bateu na zona de medo recentemente e ricocheteou para o território neutro o segundo movimento desse tipo no segundo trimestre. O primeiro ocorreu na virada de abril para maio, quando o BTC opera em torno de US$ 76 mil, e antecedeu a alta que devolveu o preço aos US$ 82 mil.
O medo, em outras palavras, ainda não atingiu o nível “extremo” que historicamente marca fundos relevantes. Sem esse capitulação plena, o que se vê é mais consistente com rotação de posições sentimento confirmado pelo movimento descrito em migração de fluxos para XRP e Solana nas últimas semanas.
A janela até o fim do trimestre vira o teste decisivo. Se os ETFs continuarem sangrando e o STH MVRV afundar abaixo de 0,95, o quadro técnico endurece. Caso o sentimento volte a 50 sem novo evento geopolítico, a tese de correção saudável ganha corpo.
