Glassnode: Bitcoin segue em zona de risco com pressão vendedora

  • Price Momentum do Bitcoin cai a 10,6 e fica abaixo da banda inferior
  • ETFs à vista nos EUA registram US$ 1,4 bilhão em saques semanais
  • Skew de opções sobe e mostra demanda por proteção contra queda

O Bitcoin recuperou parte das perdas recentes, mas o conjunto de métricas de mercado indica que o ativo continua em zona de risco. A leitura é do relatório semanal da Glassnode, que aponta enfraquecimento simultâneo em mercado à vista, derivativos, opções, ETFs e fluxo on-chain.

A queda recente levou o preço de cerca de US$ 73.000 no início do mês para abaixo de US$ 60.000. Após o repique, o BTC é negociado a US$ 63.665, equivalente a R$ 329.746, com leve alta de 2,6% nas últimas 24 horas. O movimento, porém, ocorre dentro de um cenário em que praticamente todos os indicadores acompanhados pela Glassnode projetam fraqueza estrutural.

Price Momentum cai a 10,6 e indica sobrevenda profunda

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O indicador de Price Momentum do Bitcoin desabou para 10,6, bem abaixo da banda estatística inferior fixada em 31,6. A leitura sugere que a força compradora evaporou e que o curto prazo se aprofundou em território de sobrevenda. Em paralelo, o spot CVD recuou a -US$ 168,8 milhões, próximo do piso histórico de -US$ 200,9 milhões.

O dado revela um padrão claro: traders em corretoras centralizadas continuam zerando posições de forma agressiva. Mesmo assim, o volume à vista subiu para US$ 7,8 bilhões, entre as bandas de US$ 5,3 bi e US$ 10,3 bi. Há atividade, mas ela é dominada pela ponta vendedora — um sintoma já visto em outras correções de meio de ciclo desde 2022.

No mercado futuro, o Open Interest caiu a US$ 32,5 bilhões, ainda dentro da faixa de US$ 30 bi a US$ 38 bi. Já o CVD perpétuo derreteu para -US$ 876,8 milhões, abaixo do limite inferior de -US$ 469,3 milhões. Traders alavancados reduziram exposição, e o apetite especulativo arrefeceu — algo coerente com o cenário descrito em depósitos recordes de baleias na Binance.

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Opções mostram corrida por proteção contra novas quedas

O mercado de opções endureceu o tom. O Open Interest em opções caiu abaixo da banda inferior de US$ 33 bilhões, sinal de que investidores fecharam posições ou realizaram lucro. A volatilidade implícita segue acima da banda superior de 22,15%, e o 25-Delta Skew ultrapassou a banda de 15,68%.

Tradução: os investidores estão pagando prêmio cada vez maior por opções de venda (puts). É o tipo de leitura que costuma anteceder semanas de defesa, não de retomada de tendência. Para o investidor brasileiro acostumado a olhar apenas o gráfico de preço em reais, o sinal nas opções é mais antecipado — e está claramente bearish.

ETFs à vista perdem US$ 1,4 bilhão em uma semana

O capital institucional confirma o quadro. Os ETFs à vista de Bitcoin nos EUA registraram saques líquidos de US$ 1,4 bilhão na semana, abaixo do piso estatístico. O volume negociado nesses produtos, porém, saltou a US$ 18,2 bilhões — sinal de rotação intensa, não de abandono.

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O MVRV dos ETFs caiu a 1,01, beirando o limiar de 1,0. Isso significa que o investidor institucional médio detém BTC praticamente no preço de compra, o que reduz a margem para realização de lucro, mas também eleva o risco de capitulação em uma nova perna de queda. A liderança nos resgates segue com a BlackRock e seu IBIT, conforme dados de fluxo diário.

On-chain aponta rede ativa, mas Realized Cap fica negativo

Nem tudo é sombrio na camada base. O endereços ativos diários subiu a 661.100, dentro da faixa normal. O volume transferido ajustado por entidade chegou a US$ 7,2 bilhões, perto da banda alta. A rede segue viva, mesmo com o preço sob estresse.

O ponto sensível é o Realized Cap Change, que virou negativo em -0,7%. É a primeira leitura abaixo de zero do trimestre e mostra que valor está saindo do sistema. Holders de longo prazo seguem firmes, com a razão STH/LTH em 14,0%, mas o investidor brasileiro deve monitorar de perto o suporte de US$ 60 mil antes de qualquer aposta direcional.

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Sou jornalista com mais de 20 anos de trajetória, dedicando a última década exclusivamente ao mercado de criptomoedas e ativos digitais. Minha formação acadêmica inclui o bacharelado em Jornalismo pela FACCAMP e uma pós-graduação em Globalização e Cultura, o que me permite analisar o ecossistema cripto sob uma ótica macroeconômica e social. Ao longo da minha carreira, tive o privilégio de entrevistar figuras centrais da história contemporânea e da tecnologia, como Adam Back, Bill Clinton e Henrique Meirelles. Além da atuação na linha de frente da informação, acompanhei de perto as discussões que moldam o sistema financeiro global em fóruns multilaterais de alto nível, como o G20 e o FMI. Decidi migrar do setor público para o mercado de blockchain por convicção: acredito no potencial técnico e disruptivo dessa tecnologia para redesenhar o futuro da economia digital. Hoje, utilizo minha experiência para traduzir a complexidade deste mercado com rigor jornalístico e visão estratégica.
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