- Kospi cai 8% e aciona circuit breaker em meio a correção de chips
- Bitcoin desliza de US$ 64 mil para US$ 59.018 e liquida US$ 700 milhões
- Strive e Strategy aproveitam queda para comprar centenas de BTC
A queda do bitcoin abaixo dos US$ 60 mil nesta semana teve origem fora do universo cripto. A leitura é de Mike McCluskey, cofundador da Tx e ex-executivo da Fidelity, que aponta o tombo de 8% do índice sul-coreano Kospi como o gatilho da liquidação que arrastou o bitcoin de mais de US$ 64 mil para a mínima de US$ 59.018.
Na terça-feira, 23 de junho, o Kospi acionou um circuit breaker de Nível 1 após despencar mais de 8% no intradia. O movimento foi atribuído a uma correção severa nas ações de semicondutores, somada a liquidações pesadas de margem no varejo e saída agressiva de capital estrangeiro. O efeito cascata se espalhou rapidamente pelo Nasdaq e contaminou ativos de risco.
Contágio de Seul derruba Nvidia e bitcoin
Segundo McCluskey, a queda do bitcoin está umbilicalmente ligada à correção das gigantes de chips e inteligência artificial. Nvidia e Micron sofreram recuos expressivos, e o BTC seguiu o mesmo caminho por sua relação de beta elevado com ações de tecnologia.
“O que estamos vendo é um clássico contágio de risco, originado em Seul e migrando diretamente para o Nasdaq. A queda do bitcoin rumo aos US$ 62 mil é primariamente uma função de sua relação com as techs, e não uma narrativa localizada”, afirmou o executivo. No momento desta publicação, o BTC era negociado a US$ 59.233, equivalente a R$ 308.124, com recuo adicional de 0,9% em 24 horas.
As liquidações de posições compradas somaram US$ 700 milhões durante a descida, mas as taxas de financiamento se mantiveram “notavelmente neutras”. Para McCluskey, isso indica que a alavancagem não estava excessivamente esticada antes do movimento. O ex-Fidelity descarta uma falha estrutural do mercado e descreve o cenário como uma “convicção frágil sendo interrogada por um evento de risco exógeno”, sem rompimento dos fundamentos nativos do cripto.
Strive e Strategy compram na baixa
Após tocar a mínima da semana, o bitcoin chegou a recuperar o patamar dos US$ 61.500 e tentou cravar os US$ 62 mil na madrugada de quarta-feira, antes de perder fôlego. Até quinta pela manhã, as liquidações do mercado cripto somavam US$ 1 bilhão, conforme dados de derivativos. A pressão se soma à queda da demanda via ETFs spot listados nos Estados Unidos.
Apesar dos saques persistentes, McCluskey observou que a magnitude dos resgates diminuiu, sinal de que investidores institucionais voltaram a comprar. Empresas como Strive e Strategy aproveitaram a queda para adicionar centenas de BTC às tesourarias, em contramão ao sentimento de medo extremo. O movimento é coerente com o histórico de acúmulo agressivo da Strategy, que detém mais de 4% do supply total do bitcoin.
O executivo lembrou ainda que o preço atual orbita a média móvel de 200 semanas, um nível que historicamente funcionou como piso técnico e psicológico em ciclos anteriores do ativo.
Vencimento de opções coloca US$ 60 mil como linha decisiva
O próximo teste vem com o vencimento mensal de opções na sexta-feira. McCluskey aponta que o nível de US$ 60 mil concentra forte volume de puts e funciona como “a linha definitiva na areia”. Uma defesa bem-sucedida sinalizaria que compradores de fundo seguem no controle. Já o rompimento aceleraria a queda em um ambiente de liquidez fina.
Para o investidor brasileiro, o episódio reforça que o bitcoin segue altamente correlacionado a ações de tecnologia dos Estados Unidos e da Ásia, e que o ciclo atual depende menos de catalisadores cripto-nativos e mais do humor global sobre inteligência artificial. Em reais, cada 1% de variação do BTC representa cerca de R$ 3.080 por unidade no preço local, conforme a declaração original de McCluskey e o câmbio do dia. Confirmações sobre a demanda por infraestrutura de IA são, segundo o ex-Fidelity, o estabilizador mais imediato para o risco que pesa sobre os ativos digitais.
