- Bitcoin perto de US$ 72 mil ameaça ursos
- Liquidações podem atingir US$ 2,5 bilhões rapidamente
- ETFs e cessar-fogo podem impulsionar alta
O Bitcoin volta ao centro das atenções após semanas de pressão e falha em romper novas máximas. Desde 17 de março, quando tentou recuperar os US$ 75.000, o ativo perdeu força e passou a oscilar abaixo desse nível.
No entanto, o cenário pode mudar rapidamente. Analistas apontam que uma retomada da demanda por ETFs de Bitcoin ou um possível cessar-fogo no conflito envolvendo o Irã podem alterar o sentimento do mercado.
O Bitcoin é negociado em US$ 67.080, mas uma alta relativamente curta pode gerar um efeito dominó relevante. Porém, esse movimento preocupa especialmente quem aposta na queda.
Dados da Coinglass mostram que um avanço de apenas 7,5% levaria o preço até US$ 72.000. Nesse nível, cerca de US$ 2,5 bilhões em posições vendidas seriam liquidadas automaticamente.
Pressão macroeconômica alimenta apostas contra o Bitcoin
O aumento das posições vendidas ganhou força a partir de 25 de março, quando o Irã teria se recusado a negociar um cessar-fogo. Esse cenário elevou a incerteza global.
Ao mesmo tempo, o preço do petróleo subiu mais de 70% desde o fim de fevereiro, atingindo os maiores níveis desde junho de 2022. Esse movimento pressiona custos e reduz o consumo.
Além disso, o índice S&P 500 caiu 10%, saindo de quase 7.000 pontos em 28 de janeiro para níveis mais baixos até 30 de março. O mercado já precifica riscos de recessão.
As expectativas de juros também mudaram. Hoje, investidores veem 89% de chance de manutenção das taxas até setembro e apenas 5% de probabilidade de alta para 4%.
No início de março, o cenário era diferente. Havia 79% de chance de cortes de juros, o que favoreceria ativos de risco. Essa mudança fortaleceu a renda fixa.
Esse ambiente incentivou apostas contra o Bitcoin. A taxa de financiamento negativa nos contratos perpétuos mostra que traders estão pagando para manter posições vendidas abertas.
Em condições normais, posições compradas pagam entre 5% e 10% para se manterem. Além disso, o cenário atual indica excesso de confiança dos vendedores.
Possível gatilho pode desencadear liquidações em massa
Apesar do pessimismo recente, dois fatores podem inverter rapidamente a tendência. O primeiro é um eventual cessar-fogo, que reduziria a aversão ao risco global.
O segundo envolve o fluxo institucional. Em março, o Bitcoin subiu de US$ 69.150 para US$ 74.900 em apenas cinco dias, impulsionado por US$ 1,5 bilhão em entradas líquidas em ETFs.
Se esse movimento se repetir, o ativo pode retomar os US$ 72.000 com rapidez. Nesse caso, o mercado enfrentaria uma liquidação massiva de posições vendidas.
Esse efeito, conhecido como short squeeze, tende a acelerar ainda mais a alta, já que posições são encerradas à força.
Enquanto isso, o cenário político segue pressionando os mercados. O presidente dos EUA, Donald Trump, propôs elevar os gastos com defesa para US$ 1,5 trilhão até 2027.
Para compensar, o plano prevê cortes de 10% em outras áreas, o que reforça preocupações fiscais e econômicas. Além disso, em um evento, Trump afirmou, “Estamos em guerras”.
Ainda mais, se a economia desacelerar ou o crédito privado continuar pressionado, investidores podem buscar proteção em ativos alternativos.
Nesse contexto, o Bitcoin ainda negocia cerca de 47% abaixo de sua máxima histórica, o que amplia seu potencial de valorização.
