FOMO do varejo pode empurrar Bitcoin para US$ 50 mil, diz Schiff

  • Carteiras entre 100 e 10 mil BTC reduziram posições em 0,37% desde 15 de junho
  • Binance registrou US$ 1,7 bilhão em saídas de stablecoins com BTC testando US$ 60 mil
  • Peter Schiff projeta retorno do Bitcoin à mínima de agosto de 2024, perto de US$ 50 mil

O bitcoin voltou a operar acima de US$ 60.388 (cerca de R$ 313 mil), mas o alívio de curto prazo não elimina o desconforto crescente entre analistas on-chain. Uma divergência clara entre carteiras grandes e pequenas está mudando a leitura técnica do ativo.

Fonte: coinmarketcap

Dados da Santiment mostram que o preço tocou mínima de 21 meses em US$ 58.100 na última semana. A recuperação parcial, porém, veio acompanhada de um comportamento pouco usual, enquanto o varejo intensifica compras, baleias reduzem posição.

Fonte: Saniment

Desde 15 de junho, carteiras que guardam entre 100 e 10 mil BTC distribuíram 0,37% do saldo. No polo oposto, endereços com menos de 0,01 BTC o perfil típico do investidor pessoa física acumularam 0,51% em duas semanas. É a receita clássica de armadilha de alta.

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Varejo compra enquanto baleias vendem

O padrão inverte a lógica que sustentou as principais retomadas do ciclo atual. Em rallies anteriores, o FOMO surgia depois que as carteiras robustas já haviam acumulado no fundo. Agora, o entusiasmo do pequeno investidor aparece isolado sem confirmação de players institucionais.

A leitura ganha peso quando cruzada com o fluxo em corretoras. Segundo a CryptoQuant, a Binance registrou US$ 1,7 bilhão em saídas líquidas de stablecoins justamente quando o BTC reteve a faixa de US$ 60 mil. Traduzindo, capital saindo da mesa em vez de comprar a queda.

Esse comportamento conversa diretamente com o vermelho recente dos fundos listados. Os ETFs de Bitcoin nos EUA fecharam junho com resgates recordes de US$ 4,51 bilhões, o pior mês da história do produto. Sem demanda institucional e com baleias distribuindo, sobra pouca sustentação para preços mais altos.

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Schiff projeta retorno a US$ 50 mil

O crítico contumaz Peter Schiff voltou à carga em publicação no X apontando que o Bitcoin pode retestar a mínima de agosto de 2024, próxima de US$ 50 mil. A projeção, antes tratada como provocação, ganha tração no contexto atual não pela reputação do autor, mas pela combinação de fatores técnicos que a corroboram.

A tese é simples. Sem baleia comprando, cada onda de FOMO no varejo tende a virar liquidez para quem quer sair. Movimentos de alta dessa natureza costumam disparar caça a stops e liquidações de posições alavancadas o oposto do que sustenta uma reversão saudável.

Analistas ouvidos pelo mercado apontam que o teste da região de US$ 60 mil é decisivo. Se grandes detentores voltarem a comprar nesse patamar, um short squeeze ainda é viável. Caso contrário, o cenário de reteste dos US$ 50 mil permanece na mesa.

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Reflexo no mercado brasileiro é imediato

Para o investidor doméstico, a leitura exige atenção redobrada. Com o dólar cotado a R$ 5,2167, um retorno do BTC aos US$ 50 mil jogaria o ativo para perto de R$ 259 mil queda adicional de cerca de 17% em relação ao patamar atual em reais. Isso considerando câmbio estável, cenário improvável em janela de aversão a risco global.

Corretoras nacionais já sentem o efeito. Volumes em pares BRL/BTC nas principais exchanges brasileiras seguiram a média baixa vista nos derivativos globais, refletindo o alerta da Talos sobre liquidez fraca no terceiro trimestre. Menos alavancagem no sistema reduz o risco de cascata, mas também limita gatilhos técnicos de recuperação rápida.

O contexto regulatório local adiciona camada extra. Com o Banco Central discutindo restrições a operações com stablecoins e a proposta de “travar” saídas ainda em debate, parte do capital brasileiro pode antecipar movimentos defensivos reforçando o padrão global de retirada de liquidez das mesas.

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Entusiasta de criptomoedas e tecnologia. Sempre explorando novas tecnologias inovadoras. Nos momentos livres, gosto de jogar e assistir futebol.
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