- Volume de BTC em prejuízo cruza patamar associado a fundos de ciclo anteriores
- Indicador histórico antecedeu reversões em 2018, 2020 e 2022
- Preço do Bitcoin opera em US$ 63.189 com alta de 4% em 24 horas
O bitcoin cruzou um limiar on-chain que, em ciclos anteriores, antecedeu reversões relevantes de preço. O volume de moedas em prejuízo, calculado pela diferença entre o preço de aquisição e a cotação atual, atingiu um nível historicamente compatível com regiões de capitulação. A leitura coincide com a recuperação parcial do ativo, negociado a US$ 63.620,53, equivalente a R$ 328.649,48, após alta de 4% em 24 horas.
A métrica observada por analistas on-chain mede quantas unidades do ativo estão sendo carregadas com prejuízo não realizado. Quando esse contingente ultrapassa determinado patamar, sinaliza que parte significativa do mercado opera abaixo do preço médio de compra. Historicamente, é nesse ponto que o vendedor marginal se esgota e a pressão de venda cede espaço para acumulação.
Limiar on-chain replica padrão de 2018 e 2022
O cruzamento atual ecoa episódios específicos do histórico recente. Em dezembro de 2018, com o BTC abaixo de US$ 3.500, a métrica entrou em zona equivalente semanas antes do fundo definitivo. O mesmo aconteceu em março de 2020, durante o crash da pandemia, e em novembro de 2022, no rastro do colapso da FTX. Em todos os três episódios, o indicador funcionou como gatilho de reversão dentro de 30 a 60 dias.
Não há, porém, garantia de que o padrão se repita. A diferença estrutural deste ciclo é a presença massiva de capital institucional via ETFs à vista, instrumento que não existia em ciclos anteriores. Esse vetor altera a composição da base de detentores e pode estender o tempo de capitulação ou encurtá-lo, dependendo do fluxo dos fundos.
Dados recentes mostram que os ETFs de Bitcoin registraram saídas relevantes, com o IBIT da BlackRock liderando os resgates. Esse comportamento contradiz a tese de fundo iminente, já que reversões duradouras costumam coincidir com retomada de entradas, não com aceleração de saques.
Baleias e Saylor pressionam leitura do fundo
O quadro on-chain convive com sinais conflitantes nas pontas do mercado. Baleias depositaram milhares de BTC em exchanges nas últimas semanas, padrão que costuma preceder distribuição. Ao mesmo tempo, a Strategy, de Michael Saylor, acumula prejuízo não realizado superior a US$ 11 bilhões em sua tesouraria de bitcoin, segundo cálculos baseados em filings públicos da companhia.
Saylor, contudo, sinalizou intenção de continuar comprando. A leitura editorial é direta, se o maior comprador corporativo do ativo opera no vermelho e ainda assim insiste na tese, há um piso psicológico relevante na faixa próxima ao preço médio da Strategy. Esse piso, combinado ao indicador de supply em prejuízo, forma um par de gatilhos que o mercado monitora com atenção.
Recuperação chega a exchanges locais com BTC a R$ 328 mil
No Brasil, a cotação na faixa de R$ 328 mil reposiciona o ativo em zona relevante para investidores que entraram durante o rali de 2024. A queda recente expôs grande parcela do varejo local a prejuízo não realizado, replicando o fenômeno global capturado pela métrica on-chain. Exchanges brasileiras como Mercado Bitcoin e Foxbit registraram aumento de volume nas últimas 48 horas, em linha com a movimentação observada nas plataformas internacionais.
O contexto regulatório local também pesa. A Receita Federal exige declaração mensal de operações acima de R$ 35 mil, e investidores que realizarem prejuízo agora podem compensá-lo em ganhos futuros mecanismo que tende a incentivar movimentação adicional próximo ao fim do ciclo de baixa.
Para acompanhar a métrica em tempo real, plataformas como Glassnode disponibilizam o painel de supply em lucro e prejuízo, com séries históricas desde 2010. O cruzamento de níveis críticos costuma ser confirmado por indicadores complementares, entre eles o MVRV Z-Score e o comportamento de detentores de longo prazo, que reduziram distribuição nas últimas semanas.
