- Irã aceita Bitcoin, yuan e stablecoins para taxas no Estreito de Ormuz.
- Nenhuma transação on-chain com BTC foi registrada até agora.
- USDT domina operações, com US$ 3 bilhões movimentados desde 2022.
O governo iraniano passou a considerar o Bitcoin como método de pagamento para pedágios de navios petroleiros.
No entanto, na prática, o uso segue concentrado em stablecoins atreladas ao dólar, como o USDT.
Bitcoin ganha status estratégico, mas ainda não é usado
O Irã incluiu o Bitcoin entre as opções de pagamento no Estreito de Ormuz, a decisão reflete o valor estratégico do ativo em cenários de sanções.
Segundo Sam Lyman, do Bitcoin Policy Institute, a escolha tem base na resistência à censura.
“Ninguém pode congelar Bitcoin. Ninguém pode desligar a rede”, afirmou.
Além disso, o país também aceita pagamentos em yuan chinês e stablecoins, entretanto, até o momento, não há evidências públicas de uso do BTC nessas transações.
Por isso, o Bitcoin ainda funciona mais como reserva estratégica do que como meio de pagamento efetivo. A lógica é simples: ele protege contra bloqueios, mas enfrenta limitações operacionais no uso cotidiano.
Stablecoins dominam apesar do risco de bloqueio
Apesar do potencial do Bitcoin, o USDT lidera com folga as transações, o motivo é a estabilidade e a liquidez.
Desde 2022, o Irã movimentou cerca de US$ 3 bilhões em criptomoedas, a maior parte desse valor foi em stablecoins.
Entretanto, há um risco claro, emissores como a Tether podem congelar carteiras, ainda assim, o impacto foi limitado até agora.
Dados indicam que cerca de US$ 600 milhões foram bloqueados por autoridades dos EUA. Mesmo assim, aproximadamente US$ 2,4 bilhões continuaram circulando.
“Eles estão assumindo o risco, mas ainda conseguem operar em grande escala.” disse Lyman.
Além disso, quase metade do volume cripto do país envolve a Guarda Revolucionária. Isso mostra o uso institucional dessas ferramentas, especialmente em operações estratégicas.
Impactos e cenário futuro
A estratégia iraniana expõe um dilema global, o Bitcoin garante soberania, mas enfrenta barreiras práticas. Já as stablecoins facilitam operações, porém dependem de emissores centralizados.
Portanto, o cenário aponta para um modelo híbrido. Países sob sanções combinam os dois formatos para equilibrar risco e eficiência.
No futuro, soluções mais descentralizadas podem ampliar o uso real do Bitcoin. Entretanto, enquanto essa evolução não se consolida, as stablecoins seguem dominando.
O Irã já trata o Bitcoin como ativo estratégico. Porém, no uso prático, o dólar digital ainda dita as regras.
