- BlackRock transferiu 3.580 BTC, cerca de US$ 226,8 milhões, para a Coinbase Prime
- IBIT acumulou US$ 1,34 bilhão em resgates líquidos na semana até 5 de junho
- ETFs de Ethereum da gestora também perderam US$ 121,8 milhões no mesmo período
A BlackRock movimentou 3.580 BTC, equivalentes a cerca de US$ 226,8 milhões, para carteiras da Coinbase Prime. O fluxo foi sinalizado por monitores on-chain e reacendeu o debate sobre o ritmo de resgates no iShares Bitcoin Trust (IBIT), o maior ETF spot de Bitcoin do mundo.
A Coinbase Prime funciona como custodiante e plataforma de execução institucional. Transferências dessa magnitude para o endereço da corretora não significam venda automática, mas costumam preceder operações de liquidação quando o ETF precisa honrar saques de cotistas.
O Bitcoin é negociado a US$ 64.001, ou cerca de R$ 331.967, com alta de 3,2% nas últimas 24 horas. Mesmo com a recuperação no fim de semana, o ativo acumula queda expressiva no mês e segue distante das máximas históricas registradas no ciclo anterior.
IBIT perde US$ 1,34 bilhão em cinco pregões
A movimentação ocorre logo após a pior semana do ano para os produtos cripto da gestora. Dados consolidados até 5 de junho mostram saída líquida combinada de aproximadamente US$ 1,46 bilhão nos ETFs da BlackRock em apenas cinco pregões.
O IBIT respondeu pela maior fatia, cerca de US$ 1,34 bilhão em resgates. O período mais intenso foi entre 1º e 3 de junho, quando mais de US$ 1,17 bilhão deixaram o fundo em três sessões consecutivas. O movimento confirma o padrão observado em resgates anteriores no IBIT, quando o produto liderou as saídas entre todos os ETFs spot americanos.
Os fundos de Ethereum da casa também sofreram. O ETHA, ETF spot de ETH da BlackRock, registrou saídas líquidas de aproximadamente US$ 121,8 milhões na mesma janela. O Ethereum opera a US$ 1.696, depois de testar suportes técnicos importantes nas últimas semanas.
Transferência segue padrão de rebalanceamento de ETF
Quando investidores resgatam cotas de um ETF spot, o gestor precisa entregar Bitcoin (ou seu equivalente em caixa, dependendo da estrutura) ao Authorized Participant. Esse processo costuma exigir o deslocamento de BTC do custodiante frio para a mesa institucional da Coinbase, justamente o caminho observado na transferência deste domingo.
O endereço de destino é o mesmo já mapeado em movimentações recentes da gestora. Em episódio anterior, a BlackRock chegou a mover cerca de 7 mil BTC pela Coinbase em conjunto com transações dos irmãos Winklevoss, alimentando o mesmo tipo de leitura entre traders.
A plataforma de inteligência on-chain Arkham classifica os endereços envolvidos como pertencentes ao ecossistema BlackRock, o que reforça o vínculo direto entre o fluxo e o IBIT.
Bitcoin recupera suportes, mas fluxo institucional segue fraco
O cenário macro ajuda a explicar o ciclo de resgates. Investidores institucionais reduziram exposição a ativos de risco diante da incerteza sobre o ritmo de cortes de juros nos Estados Unidos e da realização de lucros após o forte rali do ano anterior. O fenômeno se soma à pressão vendedora das baleias, que voltaram a depositar volumes elevados na Binance no início de junho.
Para o investidor brasileiro, o efeito é duplo. As corretoras locais espelham a pressão dos ETFs americanos, e a cotação do BTC em reais reflete tanto o movimento global quanto o câmbio. Com o dólar a R$ 5,1759, qualquer aceleração dos resgates no IBIT tende a ampliar a volatilidade nas mesas brasileiras, sobretudo em produtos de renda variável atrelados a Bitcoin negociados na B3.
O contraste com a estratégia da Strategy de Michael Saylor, que mantém compras programadas mesmo em meio à queda, evidencia a divergência entre gestores institucionais clássicos e tesourarias corporativas dedicadas a Bitcoin. Enquanto a BlackRock responde ao fluxo dos cotistas, a Strategy opera com horizonte de acumulação de longo prazo.
