BlackRock envia mais US$ 425 mi em Bitcoin à Coinbase

  • BlackRock depositou 6.164 BTC na Coinbase em 13 transações nesta terça
  • Operação ocorre após quase um mês sem compras pelo IBIT
  • ETFs de Bitcoin acumulam saídas superiores a US$ 2,4 bilhões em um mês

A BlackRock voltou a alimentar o estoque de venda da Coinbase nesta terça-feira, 2 de junho. A maior gestora de ativos do mundo enviou 6.164 BTC — cerca de US$ 425 milhões à cotação do momento — para a exchange americana, segundo dados da plataforma de monitoramento on-chain Lookonchain. O movimento estende uma das sequências mais longas sem aportes no iShares Bitcoin Trust (IBIT), fundo que se tornou referência do apetite institucional pelo ativo.

O depósito foi fatiado em 13 transações, a maioria delas em lotes de 300 BTC. O padrão é típico de operações preparatórias para liquidação, ainda que a gestora não tenha comentado oficialmente a motivação. A movimentação foi divulgada pela Lookonchain nas primeiras horas da sessão americana.

Quase um mês sem compras pelo IBIT

A última aquisição relevante de Bitcoin pela BlackRock foi registrada no início de maio. Desde então, o IBIT entrou em modo defensivo: parou de absorver oferta nova e passou a operar exclusivamente como vendedor líquido em dias de resgate. É o intervalo mais prolongado sem entradas desde o lançamento do produto, em janeiro de 2024.

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O contexto ajuda a explicar a frieza. O Bitcoin opera em torno de US$ 67.203 (cerca de R$ 337,6 mil), com queda de 5,4% nas últimas 24 horas. Investidores que entraram no topo de abril, quando o ativo flertou com US$ 100 mil, agora carregam prejuízo expressivo. E o efeito cascata vem se materializando nos ETFs spot, que dependem do fluxo de entrada para sustentar a tese de demanda institucional.

ETFs acumulam saídas históricas

O conjunto dos onze ETFs de Bitcoin à vista listados nos Estados Unidos completou três semanas consecutivas de saídas líquidas. No acumulado dos últimos 30 dias, os resgates ultrapassam US$ 2,4 bilhões — a maior sequência negativa desde a aprovação dos produtos. Nenhum dia recente conseguiu reverter o sinal, e os principais emissores, incluindo Fidelity e Ark, também reduziram exposição.

Esse comportamento contrasta com o discurso vendido ao mercado em 2024, quando os ETFs eram apresentados como uma base estável de demanda capaz de amortecer correções. A tese funcionou enquanto o capital institucional fluía em direção única. Agora, com resgates pressionando os gestores a despejar BTC no mercado spot, o produto se transformou em vetor de oferta — exatamente o oposto do papel que prometia cumprir.

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Leitura para o investidor brasileiro

Para quem opera nas exchanges nacionais, o impacto chega por dois canais. O primeiro é o preço de referência: o BTC negociado em reais segue a curva do mercado americano com defasagem mínima, e cada depósito de baleia institucional na Coinbase tende a ampliar a volatilidade nos books locais. O segundo canal é o sentimento. ETFs brasileiros como QBTC11 e HASH11 absorvem o mesmo humor global, e fluxos negativos nos pares americanos tipicamente se traduzem em redução de posição também na B3.

O comportamento da BlackRock se soma a outros sinais de desalavancagem em curso. Na semana passada, a Strategy também movimentou BTC após quatro anos de silêncio do lado vendedor, e endereços antigos voltaram a se ativar. Quando esses atores começam a operar na mesma direção, o suporte técnico tende a ceder rápido — e foi o que se viu na perda do patamar de US$ 73 mil dias atrás.

O que observar nas próximas sessões

Três variáveis devem dominar os próximos pregões. A primeira é o ritmo dos depósitos da BlackRock: caso novas remessas surjam ainda esta semana, o cenário de pressão vendedora se confirma. A segunda é o fluxo dos ETFs divulgado diariamente pela Farside Investors — uma única sessão de entrada líquida bastaria para mudar o tom. A terceira é a reação da faixa de US$ 65 mil, considerada por analistas on-chain como zona crítica de custo médio para boa parte dos holders de curto prazo. Romper esse nível abriria caminho técnico para cenários mais pessimistas projetados para o fim do ano.

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Jornalista, assessor de comunicação e escritor. Escreve também sobre cinema, séries, quadrinhos, já publicou dois livros independentes e tem buscado aprender mais sobre criptomoedas, o suficiente para poder compartilhar o conhecimento.
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