- Jake Claver projeta ETF de XRP da BlackRock em meio à expansão institucional
- Executivo cita iniciativa de liquidação em tempo real entre SWIFT e DTCC em 28 de junho
- BlackRock já negou planos de registrar ETF de XRP em manifestação anterior
A especulação sobre um possível ETF à vista de XRP sob a marca da BlackRock voltou ao centro do debate institucional. O estopim foi a declaração de Jake Claver, presidente do Digital Ascension Group, que afirmou enxergar espaço para a maior gestora de ativos do mundo lançar um produto atrelado ao token da Ripple.
O comentário ocorreu em entrevista ao Deep Dive Podcast, em 15 de junho, conduzida por Rachel Wolfson. Claver também fundou a Digital Wealth Partners, opera a plataforma de SPVs Syndicately e atende famílias de alto patrimônio em alocações cripto.
“Acho que poderemos ver um ETF da BlackRock”, disse.
Tese de Claver vai além do produto listado
O argumento do executivo não se limita à possível chegada de um novo veículo regulado. Ele conecta o cenário do XRP a três eixos, adoção do XRP Ledger, tokenização de ativos reais e infraestrutura institucional de liquidação. Nessa leitura, o token deixa de ser apenas alvo de fluxo especulativo via ETF e passa a competir por espaço dentro do encanamento financeiro global.
A urgência da projeção vem de um movimento operacional. Claver mencionou que a SWIFT, rede de mensageria interbancária, e a DTCC, principal câmara de compensação dos Estados Unidos, preparam iniciativas ligadas a liquidação em tempo real com data marcada para 28 de junho. Caso o XRP entre nessa engrenagem, a base atual de preço seria insuficiente.
“Nas próximas semanas, talvez precisemos ver um preço significativamente mais alto para o XRP antes que ele passe a ser usado nessa função”, afirmou.
O token é negociado em US$ 1,14, equivalente a R$ 5,87, com queda de 3% nas últimas 24 horas.
BlackRock já negou registro do produto
A discussão atual reativa um debate iniciado meses antes. Nate Geraci, presidente da Novadius Wealth Management e cofundador do The ETF Institute, foi quem primeiro defendeu publicamente que a BlackRock acabaria por registrar um ETF à vista de XRP, na esteira do sucesso dos produtos de Bitcoin e Ethereum.
A própria gestora, no entanto, freou o entusiasmo. Em comunicação oficial divulgada na época, a BlackRock declarou que não havia planos de protocolar pedido de ETF de XRP junto à SEC. A casa mantém hoje apenas o iShares Bitcoin Trust (IBIT) e o iShares Ethereum Trust (ETHA) como veículos cripto à vista. Ainda assim, traders seguem monitorando probabilidades de aprovação para concorrentes que já protocolaram seus próprios pedidos.
Para o investidor brasileiro, o ponto sensível é o efeito-arrasto. O lançamento do IBIT, em janeiro de 2024, redesenhou o fluxo institucional para Bitcoin e abriu caminho para BDRs e fundos locais espelharem a tese. Um eventual produto similar atrelado ao XRP teria potencial de replicar o mesmo padrão em corretoras como Mercado Bitcoin, Foxbit e nas próprias plataformas que listam ETFs estrangeiros via B3.
XRP já tem concorrentes na fila da SEC
O cenário regulatório também mudou de tom no último ano. Gestoras como Bitwise, 21Shares, Canary Capital, WisdomTree e Grayscale já protocolaram pedidos de ETFs à vista de XRP, e a SEC vem ampliando a lista de ativos elegíveis dentro de produtos cripto diversificados. Recentemente, o regulador aprovou um ETF cripto com Litecoin entre 15 ativos elegíveis, sinalizando flexibilização gradual frente a tokens fora do par BTC-ETH.
O comportamento do derivativo na Binance reforça leitura de aposta direcional, com saques recordes coincidindo com pico de alavancagem comprada em 2026. No gráfico diário, o ativo testa o suporte próximo a US$ 1,16 com divergência altista no RSI. A combinação de fluxo institucional latente, infraestrutura de liquidação em transição e oferta concentrada em mãos especulativas mantém o token sob vigilância dupla, técnica e fundamentalista.
