- BlackRock vendeu US$ 1,01 bilhão em BTC para liquidar resgates do IBIT
- Bloco recorde de US$ 1,29 bilhão em IBIT cruzou dark pool da Nasdaq
- Fundo tokenizado da gestora ultrapassou US$ 2,5 bilhões em ativos
A venda de mais de US$ 1 bilhão em Bitcoin pela BlackRock na semana passada acendeu o alarme entre traders, que passaram a questionar se a maior gestora de ativos do mundo estaria abandonando a tese cripto. Os dados on-chain contam outra história.
De acordo com o rastreador Arkham, cerca de 15.000 BTC saíram dos endereços ligados ao iShares Bitcoin Trust (IBIT) em lotes diários enviados à Coinbase Prime, plataforma usada para liquidação institucional. O valor total chegou a US$ 1,01 bilhão, mas o destino do dinheiro não foi caixa próprio da gestora e sim resgates de investidores do ETF.
O contexto é o de uma semana ruim para o produto. Entre 18 e 22 de maio, os ETFs spot de Bitcoin nos EUA sofreram saída líquida de aproximadamente US$ 1,26 bilhão, o pior intervalo de 2026. Foram oito pregões consecutivos no vermelho, com a terça-feira concentrando US$ 333 milhões em resgates quase US$ 192 milhões apenas no IBIT.
A mecânica por trás da venda
Quando um investidor pede resgate em um ETF spot de Bitcoin, o emissor precisa converter parte da reserva em caixa para devolver o dinheiro. Não é decisão estratégica, é obrigação operacional. A BlackRock, portanto, não “vendeu Bitcoin” no sentido editorial do termo ela executou o fluxo padrão de criação e resgate de cotas.
Esse detalhe importa para o investidor brasileiro que acompanha o fluxo de BTC da BlackRock via Coinbase Prime. Depósitos grandes na exchange tendem a ser lidos como pressão vendedora, e em parte são, mas eles refletem comportamento do investidor final, não da tesouraria da gestora. A leitura correta passa pela combinação entre fluxo on-chain e dados oficiais de criação/resgate do ETF.
O Bitcoin recuou para US$ 73.700 durante a janela mais intensa de vendas e ronda agora US$ 73.581, equivalente a R$ 371.991 na cotação atual. Analistas notaram que a recuperação parcial veio mais de atividade especulativa em futuros do que de demanda spot de longo prazo sinal de que o piso ainda depende de catalisadores externos.
Bloco de US$ 1,29 bilhão em dark pool
O ruído ganhou outra dimensão na terça-feira, 26 de maio, quando uma única ordem em dark pool da Nasdaq movimentou 29,2 milhões de cotas do IBIT a US$ 43,16 cada. Total, US$ 1,29 bilhão em uma operação só.
Os analistas da Bloomberg Eric Balchunas e James Seyffart descreveram o trade como um dos maiores já registrados em ETFs de Bitcoin. Alex Thorn, chefe de pesquisa da Galaxy Digital, classificou em publicação no X como a maior negociação de dark pool em ETF de BTC que ele já havia observado pessoalmente.
Dark pools são pregões privados usados por instituições para mover posições grandes sem mexer no livro público. O preço caiu cerca de 1,5% nos minutos seguintes à execução e seguiu pressionado pelo restante do dia. A leitura no mercado se dividiu entre rebalanceamento técnico e desalavancagem mais estrutural, em linha com cortes recentes feitos por Jane Street (que reduziu cerca de 70% da exposição em ETFs de BTC no primeiro trimestre) e Goldman Sachs.
Tokenização segue em expansão
Enquanto o IBIT sangrava resgates, outra área da BlackRock crescia em silêncio. O negócio de fundos tokenizados da gestora ultrapassou US$ 2,5 bilhões em ativos sob gestão, e um novo produto do tipo foi protocolado na SEC. O CEO Larry Fink tem repetido em cartas e entrevistas que enxerga a tokenização como o próximo estágio dos mercados de capitais.
O dado conversa com o movimento brasileiro. A B3 anunciou planos de tokenizar ações de empresas listadas, na esteira do mesmo racional defendido por Fink, liquidação mais rápida e acesso ampliado. Para investidores, a BlackRock rebalanceia exposição cripto, migrando do hype dos ETFs para infraestrutura on-chain de ativos tradicionais.
Os ETFs spot de Bitcoin nos EUA ainda guardam coletivamente cerca de 1,3 milhão de BTC, perto de 7% do supply circulante. O indicador sugere cautela, sem queda acentuada nas reservas, saídas do IBIT refletem ajuste tático, não abandono institucional.
