- Saídas do IBIT mostram forte aversão ao risco institucional
- Opções de venda disparam e pressionam ainda mais o mercado
- BlackRock enfrenta recorde negativo em meio à queda do Bitcoin
A maior gestora do mundo enfrenta um momento raro de pressão, e isso ocorre justamente no produto que redefiniu o mercado de criptoativos, o ETF de Bitcoin da BlackRock, o IBIT. Em apenas um dia, o fundo registrou saídas massivas de US$ 1,26 bilhão, um movimento que surpreendeu parte do mercado e reforçou a tensão criada pela queda recente do Bitcoin.
O cenário ficou ainda mais evidente quando o IBIT anotou, em 14 de novembro, uma retirada recorde de US$ 463 milhões em poucas horas. Já na segunda-feira (17), outros US$ 145 milhões deixaram o fundo, segundo dados do TradingView. Esses fluxos aceleraram a pressão sobre um mercado já enfraquecido.
Saídas se espalham entre os ETFs dos EUA
As saídas do IBIT não ocorreram isoladamente. Entre os 11 ETFs de Bitcoin à vista negociados nos Estados Unidos, os investidores retiraram US$ 2,59 bilhões somente neste mês. Esse movimento acompanha a queda do preço do Bitcoin e a mudança no comportamento de investidores institucionais, que agora buscam reduzir exposição e reforçar posições defensivas.
O impacto refletiu rapidamente no preço das ações do próprio IBIT, que caiu 16%, chegando a US$ 52, nível registrado pela última vez em abril. Essa desvalorização ampliou a percepção de fragilidade entre investidores que, até semanas atrás, tratavam o fundo como porto seguro durante momentos de incerteza.
Opções de venda disparam e mostram medo crescente
Enquanto o Bitcoin recuava, o custo de proteção subia. A demanda por opções de venda (puts) aumentou de forma expressiva, e isso ficou claro na assimetria put-call de 250 dias, monitorada pelo MarketChameleon. Esse indicador atingiu 3,1%, o maior nível em sete meses, indicando que as opções de venda ficaram mais caras do que as opções de compra, algo típico em momentos de forte aversão ao risco.
Esse comportamento deixa evidente que investidores estão pagando mais caro para se proteger de quedas adicionais no preço do Bitcoin, reforçando o sentimento de cautela.
Nicolai Sondergaard, analista da Nansen, explicou que a dinâmica é direta. Ele disse ao Decrypt que, com o mercado em queda, “é esperado que os ETFs registrem saídas, já que as pessoas querem retirar seu dinheiro”. A avaliação sintetiza o clima atual: investidores se movem rápido, reduzem risco e deixam claro que preferem aguardar antes de aumentar exposição ao Bitcoin novamente.
No fim, o episódio mostra como um ETF antes visto como símbolo de força agora virou termômetro da incerteza. E, enquanto o Bitcoin não retomar confiança, novos dias turbulentos parecem prováveis para o IBIT da BlackRock.
