Juros vão subir e Bitcoin vai cair, prevê grande banco europeu

  • BofA projeta três altas de 0,25 ponto do Fed em setembro, outubro e dezembro
  • Deutsche Bank e BNP Paribas também migram para postura mais hawkish
  • Bitcoin opera próximo a US$ 64.480 com mercado dividido sobre PCE

O Bank of America elevou a aposta em um Federal Reserve mais duro e jogou nova pressão sobre o Bitcoin. O banco passou a projetar três altas de 0,25 ponto percentual na taxa básica dos Estados Unidos ainda este ano, em movimento que altera o cenário macro para ativos de risco.

De acordo com o relatório do BofA Global Research divulgado pela Reuters, os aumentos viriam nas reuniões de setembro, outubro e dezembro do FOMC. A taxa de juros terminaria 2026 entre 4,25% e 4,50%. É uma virada brusca: até semanas atrás, a casa esperava juros estáveis ao longo do ano.

A mudança ocorre na véspera do relatório de inflação PCE, indicador preferido do Fed, marcado para 24 de junho. Economistas consultados esperam alta de 0,5% no mês em maio, com a taxa anual saltando de 3,8% para 4,1%. O núcleo do PCE deve avançar 0,3% no mês e 3,4% em 12 meses.

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Deutsche e BNP acompanham virada hawkish

Assim, o BofA justificou a mudança citando as projeções econômicas de junho do Fed e falas do presidente Kevin Warsh. Para o banco, o comitê opera com função de reação mais agressiva contra a inflação do que o mercado imaginava.

Outras casas seguiram caminho semelhante. O Deutsche Bank agora projeta duas altas de um quarto de ponto, em setembro e dezembro, e não descarta um aperto em julho. Já o BNP Paribas prevê três altas a partir de dezembro, citando mercado de trabalho resiliente, dados de emprego acima do esperado e pressões inflacionárias ligadas ao conflito entre EUA e Irã. Além disso, o banco francês ainda vê espaço para a taxa de desemprego cair a 4% até o fim do ano.

Assim, o contraste entre essa leitura institucional e o que está embutido em derivativos é o ponto sensível. Dados da Kalshi mostram apenas 22% de probabilidade de alta em julho, com a pausa ainda como cenário-base. Já o CME FedWatch aponta 51,7% de chance de aperto de 0,25 ponto em setembro. Pela curva da LSEG, o mercado precifica 41,2 pontos-base de aperto adicional ao longo de 2026.

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Bitcoin emperrado em US$ 64.480

Assim, o BTC opera nesta tarde a US$ 64.480 (cerca de R$ 332.194), com leve alta de 0,6% em 24 horas. A faixa entre US$ 64 mil e US$ 65 mil tem resistido mesmo com o alívio geopolítico após desdobramentos da crise entre EUA e Irã — sinal de que o vetor macro pesa mais do que a trégua militar no curto prazo.

Juros mais altos drenam liquidez de ativos especulativos e elevam o apelo de Treasuries, que voltam a render acima de 4,5% na ponta longa. Esse é o canal clássico que costuma sufocar o Bitcoin em ciclos de aperto. Além disso, em análise anterior do BofA, o banco já vinha sinalizando essa virada, e agora a Wall Street consolida o coro.

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Enquanto bancos giram para postura defensiva, compradores corporativos seguem absorvendo oferta. A Strategy de Michael Saylor já acumula 846.842 BTC, posição que serve como contraponto estrutural à tese de que juros altos sozinhos derrubam o Bitcoin. A disputa entre fluxo institucional e aperto monetário define o segundo semestre.

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Sou jornalista com mais de 20 anos de trajetória, dedicando a última década exclusivamente ao mercado de criptomoedas e ativos digitais. Minha formação acadêmica inclui o bacharelado em Jornalismo pela FACCAMP e uma pós-graduação em Globalização e Cultura, o que me permite analisar o ecossistema cripto sob uma ótica macroeconômica e social. Ao longo da minha carreira, tive o privilégio de entrevistar figuras centrais da história contemporânea e da tecnologia, como Adam Back, Bill Clinton e Henrique Meirelles. Além da atuação na linha de frente da informação, acompanhei de perto as discussões que moldam o sistema financeiro global em fóruns multilaterais de alto nível, como o G20 e o FMI. Decidi migrar do setor público para o mercado de blockchain por convicção: acredito no potencial técnico e disruptivo dessa tecnologia para redesenhar o futuro da economia digital. Hoje, utilizo minha experiência para traduzir a complexidade deste mercado com rigor jornalístico e visão estratégica.
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