Bradesco vai ter custódia de Bitcoin e stablecoins

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  • Bradesco desenvolve custódia para Bitcoin, stablecoins e tokens digitais.
  • Banco já testou stablecoins em operações internacionais híbridas.
  • Instituição reforça compliance e adota ferramentas de rastreabilidade cripto.

O Bradesco prepara sua entrada mais ampla no mercado de ativos digitais e trabalha no desenvolvimento de uma estrutura de custódia para criptomoedas, incluindo Bitcoin, stablecoins e outros ativos tokenizados. A informação foi apresentada nesta quinta-feira (14), durante a abertura do Blockchain.Rio, em São Paulo, por Renata T. Petrovic, head de inovação do banco.

Assim, a iniciativa marca mais um movimento de grandes instituições financeiras tradicionais em direção ao universo dos ativos digitais, em um momento em que bancos, gestoras e empresas de infraestrutura financeira avaliam como integrar produtos ligados a blockchain ao ambiente regulado. Nos últimos anos, o setor passou a observar uma aproximação gradual entre instituições tradicionais e o mercado cripto, inicialmente em áreas como tokenização, infraestrutura de pagamentos e experimentos com blockchain privado.

De acordo com Petrovic, o Bradesco já estruturou uma área específica voltada ao desenvolvimento da frente de digital assets e prepara uma expansão gradual dessa atuação. O projeto de custódia, ainda em desenvolvimento, ocorre em parceria com uma empresa especializada, cujo nome não foi revelado.

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“Hoje, o que estamos fazendo envolve toda a estruturação da frente de digital assets dentro do banco. Já temos essa área organizada e dedicada a liderar essa expansão. Estamos nos preparando para atuar no negócio de custódia de ativos digitais e já contamos com um parceiro estratégico que trabalhará conosco nessa frente”, afirmou.

De acordo com a executiva, a proposta consiste em oferecer uma plataforma ampla de armazenamento e gestão de ativos digitais. O escopo inclui diferentes categorias, como tokens, criptomoedas tradicionais e stablecoins.

Bradesco

Assim, a movimentação ocorre em meio ao aumento do interesse do investidor brasileiro pelo segmento. Dados recentes de mercado apontam que 56% dos brasileiros manifestam interesse em investir em criptoativos, com preferência concentrada principalmente em Bitcoin e Ethereum. Esse avanço da demanda também ampliou a pressão sobre instituições financeiras para avaliar produtos relacionados ao setor.

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A estratégia do banco, segundo Petrovic, seguiu o ritmo das discussões regulatórias e evitou movimentos considerados prematuros. O objetivo, segundo ela, foi acompanhar a evolução das normas e preparar a infraestrutura antes de uma entrada operacional mais ampla.

“Fora todos esses anos de pesquisa para construir uma instituição financeira voltada ao ambiente regulado, seguimos um ritmo alinhado ao próprio avanço da regulação. Não nos antecipamos, mas também não nos atrasamos. Estamos nos preparando há muito tempo para este momento de entrada efetiva no mercado”, disse.

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O Bradesco também já realizou testes práticos envolvendo stablecoins em operações internacionais. A executiva revelou que o banco conduziu, no ano passado, um projeto-piloto voltado a fluxos de comércio exterior, utilizando uma arquitetura híbrida que combinava processos on-chain e off-chain.

A experiência buscou avaliar possíveis ganhos operacionais em pagamentos internacionais, área frequentemente citada por participantes do setor como um dos casos de uso mais promissores para stablecoins. A combinação de liquidação quase instantânea e potencial redução de custos aparece como uma das teses exploradas por instituições financeiras em diferentes países.

KYC

“Também realizamos, no ano passado, nosso primeiro piloto utilizando stablecoins em transações de comércio exterior. Nesse projeto, usamos uma combinação de métodos on-chain e off-chain, em uma estrutura híbrida. O experimento demonstrou, na prática, o potencial de eficiência que conseguimos agregar a fluxos internacionais”, afirmou.

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Além das iniciativas voltadas à infraestrutura financeira, o banco também mantém uma frente dedicada à tokenização de identidade digital. Segundo Petrovic, a equipe trabalha com credenciais dos próprios clientes para simplificar processos de verificação e autenticação em diferentes jornadas.

Assim, a iniciativa pode alcançar aplicações ligadas a procedimentos de identificação, KYC e operações em marketplaces digitais. O tema ganhou espaço nos últimos anos à medida que empresas passaram a testar modelos de identidade descentralizada apoiados em blockchain.

Paralelamente, o Bradesco reforçou a estrutura de monitoramento e conformidade. Além disso, a instituição contratou a Chainalysis para apoiar processos relacionados à rastreabilidade e análise de ativos digitais, área que ganhou importância após a ampliação das exigências regulatórias internacionais.

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Travel Rule

Assim, a Petrovic também citou discussões relacionadas à implementação da Travel Rule, conjunto de normas voltado ao compartilhamento de informações entre participantes do mercado para rastreamento de transações com ativos virtuais.

“E agora, com a implementação da Travel Rule, também estamos estudando soluções capazes de atender às demandas de identificação e rastreamento de transações. Esse é um tema em que todo o mercado ainda está buscando respostas e evoluindo em conjunto.”

Durante a abertura do evento, representantes do ecossistema também destacaram o fortalecimento das discussões regulatórias no país. Rodrigoh Henriques, diretor de inovação e estratégia da Fenasbac, afirmou que a entidade pretende realizar no Brasil encontros envolvendo bancos centrais de países de língua portuguesa e reguladores das Américas.

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Sou jornalista com mais de 20 anos de trajetória, dedicando a última década exclusivamente ao mercado de criptomoedas e ativos digitais. Minha formação acadêmica inclui o bacharelado em Jornalismo pela FACCAMP e uma pós-graduação em Globalização e Cultura, o que me permite analisar o ecossistema cripto sob uma ótica macroeconômica e social. Ao longo da minha carreira, tive o privilégio de entrevistar figuras centrais da história contemporânea e da tecnologia, como Adam Back, Bill Clinton e Henrique Meirelles. Além da atuação na linha de frente da informação, acompanhei de perto as discussões que moldam o sistema financeiro global em fóruns multilaterais de alto nível, como o G20 e o FMI. Decidi migrar do setor público para o mercado de blockchain por convicção: acredito no potencial técnico e disruptivo dessa tecnologia para redesenhar o futuro da economia digital. Hoje, utilizo minha experiência para traduzir a complexidade deste mercado com rigor jornalístico e visão estratégica.
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