Mineradora de Bitcoin despenca 13% com perdas de US$ 88,7 milhões

  • Canaan reporta prejuízo de US$ 88,7 milhões e ação cai 13% na abertura
  • Receita encolhe 68% no trimestre para US$ 62,7 milhões
  • CEO cita tensão EUA-Irã e preços de energia como pressões adicionais

As ações da Canaan, fabricante de máquinas para mineração de Bitcoin sediada em Cingapura, recuaram mais de 13% na terça-feira após a companhia divulgar o segundo prejuízo trimestral consecutivo. Os papéis chegaram a US$ 0,418 logo após a abertura, voltando a se aproximar da mínima histórica de US$ 0,38 registrada no mês passado.

O resultado financeiro acendeu o alerta entre investidores expostos ao setor de mineração. A empresa fechou o primeiro trimestre com perda líquida de US$ 88,7 milhões, ampliando o rombo de US$ 85 milhões reportado nos três meses anteriores. No acumulado, são quase US$ 174 milhões em prejuízo somados nos dois últimos balanços.

Receita em queda livre

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Além disso, a receita trimestral somou US$ 62,7 milhões, queda de 68% frente aos US$ 196,3 milhões do trimestre anterior. A maior parte das vendas, US$ 42,9 milhões, veio do braço de hardware, depois que a Canaan concluiu as últimas entregas de um grande pedido feito nos Estados Unidos.

No campo operacional, a companhia minerou 257 BTC entre janeiro e março. O número ficou abaixo do potencial por causa de cortes de energia em fazendas norte-americanas, prejudicadas por eventos climáticos. Apesar do trimestre fraco, o tesouro corporativo cresceu: a Canaan agora detém 1.807 BTC e 3.951 ETH, somando cerca de US$ 146 milhões em ativos digitais.

Para conter o sangramento, a diretoria reduziu despesas operacionais de US$ 38,2 milhões para US$ 31,4 milhões, com corte de US$ 2,1 milhões só na folha de pagamento. O CEO Nangeng Zhang descreveu o movimento como esforço para reforçar a “sobrevivência” do negócio em meio à transição estratégica.

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Oriente Médio pesa no cenário

Assim, Zhang foi direto ao listar os fatores que enevoam o horizonte do setor. Segundo o executivo, “incertezas ligadas à situação no Oriente Médio, preços de energia, liquidez global e políticas mantêm a indústria em ambiente cauteloso”. A escalada entre Estados Unidos e Irã virou variável macro que mineradores não conseguem mais ignorar.

O efeito do conflito já apareceu no preço do próprio Bitcoin, que recuou abaixo de US$ 77 mil após o ultimato de Donald Trump a Teerã. Para mineradores, a equação fica dupla: caem as receitas em BTC e sobe a conta de energia, justamente os dois lados que definem margem operacional. O contexto é agravado pelo salto na dificuldade da rede, que derrubou o hashprice global em 9,44% no período recente.

Aposta em infraestrutura de IA

Assim, a reação estratégica da Canaan segue cartilha de pares como IREN, Hive Digital e Keel Infrastructure: migrar parte da capacidade para hospedagem de computação de alto desempenho. O alvo são contratos com empresas de inteligência artificial, que demandam acesso garantido a energia e instalações já desenhadas para alto consumo elétrico.

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No trimestre, a empresa adquiriu 49% dos chamados ABC Projects da Cipher Mining, no oeste do Texas. A operação amplia o acesso da Canaan a infraestrutura energética americana e abre porta para contratos de IA e HPC. Zhang chamou o movimento de “flexibilidade estratégica”, sinalizando que a empresa não pretende depender apenas do ciclo de halving para gerar caixa.

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Sou jornalista com mais de 20 anos de trajetória, dedicando a última década exclusivamente ao mercado de criptomoedas e ativos digitais. Minha formação acadêmica inclui o bacharelado em Jornalismo pela FACCAMP e uma pós-graduação em Globalização e Cultura, o que me permite analisar o ecossistema cripto sob uma ótica macroeconômica e social. Ao longo da minha carreira, tive o privilégio de entrevistar figuras centrais da história contemporânea e da tecnologia, como Adam Back, Bill Clinton e Henrique Meirelles. Além da atuação na linha de frente da informação, acompanhei de perto as discussões que moldam o sistema financeiro global em fóruns multilaterais de alto nível, como o G20 e o FMI. Decidi migrar do setor público para o mercado de blockchain por convicção: acredito no potencial técnico e disruptivo dessa tecnologia para redesenhar o futuro da economia digital. Hoje, utilizo minha experiência para traduzir a complexidade deste mercado com rigor jornalístico e visão estratégica.
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