- Compradores retomam força e reacendem projeção de US$ 100 mil
- Risco macro e tecnologia ainda pressionam o Bitcoin
- Oferta limitada favorece recuperação no curto prazo
O mercado de criptomoedas voltou a ganhar força nos últimos dias. Embora o ambiente ainda mostre sinais de cautela, analistas apontam que os compradores retomaram o controle e podem conduzir o Bitcoin para uma nova tentativa de alcançar US$ 100.000.
Segundo Shawn Young, analista-chefe da MEXC Research, esse movimento ganha tração porque, mesmo com volumes menores do que meses atrás, os investidores compram mais Bitcoin do que a quantidade minerada diariamente.
Essa diferença cria um impulso relevante. “Isso cria uma dinâmica de oferta líquida positiva que pode desencadear uma recuperação no curto prazo”, afirmou Young.
O contraste de opiniões no mercado
Apesar desse otimismo, o setor ainda enfrenta um clima pesado desde outubro. Nesse intervalo, as criptomoedas perderam cerca de US$ 2 trilhões, praticamente metade do valor total. O preço do Bitcoin caiu 46% e oscilou perto de US$ 68.000 durante boa parte de fevereiro.
Alguns analistas acreditam que o pior ainda não passou. Mike McGlone, da Bloomberg Intelligence, prevê uma queda extrema de até 85%, levando o Bitcoin ao patamar de US$ 10.000.
Para ele, a alta das ações reduziu a volatilidade, enquanto ouro e prata retomaram espaço como refúgios seguros. Além disso, McGlone vê uma confiança menor no entusiasmo do presidente Donald Trump pelas criptomoedas, o que enfraquece expectativas positivas.
Outros especialistas, porém, argumentam que a trajetória do Bitcoin depende menos das criptomoedas e mais do cenário macroeconômico. Ben Harvey, da Keyrock, destaca que os cortes de juros do Federal Reserve e o apetite institucional por ETFs de Bitcoin devem moldar o próximo movimento do mercado.
O impacto da tecnologia e do medo da IA
A pressão sobre o Bitcoin cresce junto com a forte correção das ações de tecnologia. Desde janeiro, o setor enfrenta quedas intensas, impulsionadas pelo que analistas chamam de “efeito do medo da IA”.
O receio de uma bolha de gastos com inteligência artificial elevou as negociações de credit default swaps (CDS), instrumentos usados para proteção contra calotes corporativos. Segundo dados da Bloomberg, quase US$ 900 milhões da dívida da Alphabet e US$ 700 milhões da Meta já estão vinculados a esses contratos.
Com isso, fundos de hedge aumentam posições defensivas diante do risco de uma queda mais ampla. Caso esse pessimismo se confirme, o Bitcoin pode sofrer novamente, já que ele se comporta como um ativo tecnológico.
As projeções também indicam que grandes empresas de tecnologia tomarão até US$ 400 bilhões em empréstimos neste ano, número muito superior aos US$ 165 bilhões de 2025. O objetivo é financiar centros de dados de IA, projetos caros que ampliam riscos caso as iniciativas não avancem como esperado.
Young resume esse ponto com clareza, o Bitcoin, negociado como uma ação de tecnologia, “absorve o impacto das mudanças de liquidez ou de capital”.
Mesmo assim, o analista mantém sua visão construtiva. Para ele, enquanto a compra superar a emissão diária de novos Bitcoins, o mercado continuará preparado para mirar novamente os US$ 100.000, especialmente em um cenário que favorece as criptomoedas promissoras.
