- Volume das exchanges despenca e pressiona ações do setor
- Grandes corretoras enfrentam queda histórica após retração do mercado
- Investidores avaliam riscos diante do colapso nas negociações
As corretoras de criptomoedas enfrentam um dos momentos mais difíceis desde 2022, enquanto o mercado observa uma queda intensa nos volumes de negociação. Nos últimos três meses, o setor perdeu força e viu ações despencarem até 60%, em uma movimentação que coloca investidores em alerta e reacende dúvidas sobre o futuro das plataformas centralizadas.
Os números mostram a gravidade. A atividade à vista caiu quase 90% desde outubro, e essa retração impulsiona as perdas nas bolsas de valores. Analistas afirmam que o movimento pode sinalizar tanto um fundo de mercado quanto uma fase ainda mais desafiadora para o setor.
Volumes evaporam enquanto o mercado perde ritmo
Os dados da Newhedge mostram como a desaceleração se intensificou rapidamente. Os volumes atingiram um pico em janeiro de 2025 e voltaram a crescer em outubro, quando o mercado movimentou cerca de US$ 2,3 trilhões. Porém, essa força durou pouco.
A Binance dominou o cenário naquele mês, com quase US$ 1 trilhão negociados e mais de 40% de participação. Mas tudo mudou de forma abrupta. Em novembro, o volume total caiu para US$ 1,7 trilhão, depois para US$ 1,2 trilhão em dezembro e, finalmente, para apenas US$ 120 bilhões a US$ 150 bilhões em janeiro de 2026.
A queda impressiona porque representa quase 90% abaixo de outubro. A Binance continuou liderando, com algo entre US$ 70 bilhões e US$ 80 bilhões, enquanto a maioria das exchanges operou apenas com alguns bilhões. Dados da CoinGecko confirmam o recuo generalizado e mostram que a líder de mercado registrou queda superior a 40% mês a mês.
Plataformas como Bybit e MEXC também viram quedas de dois dígitos, reforçando que o problema não se limitou às maiores operadoras.
Ações desabam e refletem pressão crescente
A desaceleração nos volumes atingiu diretamente o desempenho das empresas listadas. As ações de Coinbase, Gemini e Bullish ficaram muito abaixo do mercado acionário desde outubro, caindo mais do que o próprio Bitcoin, que recuou cerca de 35% no período.
A Coinbase perdeu 40,4% em seis meses. A Robinhood, menos dependente de cripto, caiu apenas 9% e mostrou resiliência acima da média de seus pares.
Especialistas acreditam que esse comportamento segue o padrão de ciclos anteriores. Quando os preços sobem, o volume cresce rapidamente; quando o sentimento vira, a atividade some e as receitas encolhem. O choque atual veio logo após um evento de liquidação recorde, em 10 de outubro, que eliminou US$ 19 bilhões em posições e reduziu o apetite por risco.
Curiosamente, a queda atual não foi motivada por falhas operacionais ou pressões regulatórias, como em 2014, 2018 ou 2022. Em vez disso, o setor enfrenta exaustão após uma forte alta, condições financeiras restritivas e uma aversão ao risco que atinge mercados globais.
O Bitcoin caiu quase 11% em janeiro, e muitos investidores migraram para ativos mais seguros. Historicamente, recuperações após contrações tão profundas levam anos e exigem novos catalisadores estruturais, não simples entusiasmo especulativo.
O setor agora entra em uma fase decisiva. Enquanto alguns analistas falam em oportunidade, outros alertam que o pior pode não ter passado. O mercado segue dividido, mas todos concordam em um ponto, a crise nas exchanges redefine o rumo do setor em 2026.
