- Índice Coinbase Premium negativo pela primeira vez em 3 semanas
- Perdas realizadas de US$ 829 milhões superam lucros de US$ 566 milhões
- Volume de vendas na Binance atinge US$ 828 milhões em 24 horas
O Bitcoin enfrenta uma reversão significativa na demanda dos Estados Unidos. O índice Coinbase Premium virou negativo em -0,008 após três semanas positivas, movimento que coincide com perdas semanais realizadas de US$ 829 milhões no mercado global.
A métrica, que mede o diferencial de preços entre a Coinbase (principal exchange americana) e outras plataformas globais, manteve leituras negativas por 48 horas consecutivas. Quando o índice fica abaixo de zero, indica que investidores americanos estão vendendo mais do que comprando.
Dados on-chain compilados pelo analista Darkfost revelam um desequilíbrio preocupante. Os US$ 829 milhões em perdas realizadas na média de sete dias superam em quase 50% os lucros de US$ 566 milhões no mesmo período. A última vez que o mercado viu essa dinâmica foi em 9 de abril, seguida por duas semanas de correção.
Suporte técnico rompido
O trader Ardi identificou o rompimento da linha de tendência de alta e do suporte em US$ 77.300. A quebra técnica aconteceu justamente quando o Coinbase Premium apresentou leituras vermelhas consecutivas, algo não visto desde que o Bitcoin negociava perto de US$ 67.000.
A zona entre US$ 74.500 e US$ 75.500 surge como área crítica caso a pressão vendedora continue. Com a reunião do Federal Reserve (FOMC) se aproximando, traders antecipam volatilidade elevada nos próximos dias.
Apenas 64% do supply de Bitcoin está em lucro atualmente. Historicamente, esse nível não tem sustentado movimentos de alta prolongados, sugerindo que o mercado precisa de consolidação antes de tentar novos recordes.
Binance registra vendas massivas
A pressão não se limita ao mercado americano. Na Binance, maior exchange global, o volume líquido de vendas atingiu US$ 828 milhões em 24 horas no dia 27 de abril. Foi a leitura mais negativa desde o final de março.
O analista Amr Taha destacou que a proporção de compra/venda na plataforma caiu para 0,89. Valores abaixo de 1 indicam predominância de ordens de venda sobre compra. A última vez que esse indicador marcou níveis similares foi em 29 de março, quando o Bitcoin testou US$ 66.000.
Após aquela capitulação de março, o ativo se recuperou 15% em 30 dias. Taha interpreta os dados atuais como uma exaustão de curto prazo em vez de reversão de tendência maior.
Impacto no mercado brasileiro
Para investidores brasileiros, a redução na demanda americana tem implicações diretas. Historicamente, movimentos iniciados no mercado dos EUA se propagam globalmente em questão de horas, afetando preços nas exchanges locais.
A correlação entre o Coinbase Premium e o preço do Bitcoin em reais é particularmente forte durante horários de maior liquidez. Com o dólar também volátil devido às expectativas sobre o Fed, traders brasileiros enfrentam dupla pressão: queda do Bitcoin em dólares e possível valorização da moeda americana.
O cenário atual difere substancialmente do otimismo visto em novembro, quando ETFs acumulavam bilhões e o Coinbase Premium mantinha leituras positivas consistentes. A mudança de sentimento sugere cautela para posições alavancadas no curto prazo.
