- Depósitos em empréstimos cripto recuam 35% após pico histórico
- Morpho, Maker e Jupiter crescem mesmo com retração
- Capital se concentra em protocolos mais sólidos e resilientes
Os depósitos em empréstimos cripto despencaram 35% desde o pico registrado em outubro de 2025, marcando uma virada brusca no mercado de crédito descentralizado. O movimento interrompeu meses de expansão acelerada. Investidores reagiram rapidamente ao novo cenário.
Desde então, o setor entrou em contração consistente e perdeu parte relevante do capital alocado. Muitos participantes reduziram exposição ao risco. A prioridade passou a ser liquidez e preservação de patrimônio.
Dados da Ártemis indicam que o volume total depositado caiu do topo próximo a US$ 25 bilhões para cerca de US$ 20 bilhões. A retração ganhou força após outubro. O mercado adotou postura mais defensiva.
A queda não ocorreu de forma isolada ou pontual, mas sim como parte de um ajuste estrutural mais amplo. A alavancagem perdeu espaço. O apetite por risco diminuiu visivelmente.
Ainda assim, o cenário não é homogêneo nem linear em todos os protocolos analisados. Enquanto o agregado encolhe, alguns projetos caminham na direção oposta. A divergência chama atenção.
Morpho, Maker e Jupiter crescem na contramão
Enquanto o setor perde depósitos, Morpho, Maker e Jupiter Exchange ampliam participação de mercado de forma consistente. Juntos, os três elevaram os depósitos de US$ 18,4 bilhões para US$ 20,9 bilhões. O avanço ocorreu em plena retração.
Esse crescimento representa alta de 13,6% em meio à contração geral do crédito descentralizado. Além disso, o dado revela mudança clara na preferência dos usuários. O capital migrou de forma seletiva.
O Morpho mantém US$ 10,7 bilhões depositados, praticamente estável durante o período de retração. A estabilidade, nesse contexto, já configura desempenho superior. Não perder recursos virou vantagem competitiva.
Em um mercado que perdeu 35% do total depositado, preservar capital significa ampliar participação relativa. Além disso, o protocolo consolidou posição relevante. Usuários mantiveram confiança na eficiência da plataforma.
A Maker avançou de US$ 6,4 bilhões para US$ 8 bilhões no mesmo intervalo analisado. O salto de 25% reforça a confiança estrutural no ecossistema DAI. A base mostrou resiliência.
A infraestrutura da Maker integra diversas camadas do DeFi há anos e sustenta forte fidelização. Usuários não abandonaram o protocolo na turbulência. Pelo contrário, ampliaram posições.
Já a Jupiter Exchange apresentou o crescimento mais expressivo entre os três casos analisados. Os depósitos saltaram de US$ 1,3 bilhão para US$ 2,2 bilhões. A alta alcançou 69%.
O avanço reflete a expansão do ecossistema Solana, onde a plataforma opera de forma predominante. Além disso, a dinâmica local favoreceu o crescimento. O movimento ocorreu mesmo com retração no setor.
Contração do crédito e nova concentração de capital
O gráfico histórico de três anos ajuda a contextualizar o momento atual do mercado. No início de 2023, os depósitos eram praticamente inexistentes. A expansão veio depois.
Durante 2024, o setor cresceu de forma constante e ganhou tração com novos usuários. Em 2025, a aceleração se intensificou até o pico histórico. Outubro marcou o topo.
Após o pico, a contração ganhou velocidade e reduziu o total para perto de US$ 20 bilhões. Ainda assim, o nível permanece elevado. O patamar supera qualquer valor anterior a 2025.
A diferença relevante agora está na composição interna desses US$ 20 bilhões remanescentes. Protocolos resilientes ampliaram fatia. A concentração tornou-se mais visível.
Os projetos que cresceram durante a retração passaram a representar parcela maior do total agregado. Além disso, o capital ficou mais concentrado. A redistribuição foi clara.
A retração de 35% não configura ajuste superficial ou técnico passageiro. Ela representa retirada significativa de capital da infraestrutura DeFi. O impacto é estrutural.
Diversos fatores explicam o movimento observado nos últimos meses. A queda no valor das garantias reduziu margens de segurança. Além disso, investidores diminuíram exposição à alavancagem.
Mesmo assim, os dados mostram que a contração não atinge todos da mesma forma dentro do setor. Plataformas mais sólidas atraem capital seletivo. A força relativa aparece nos números.
Ainda mais, o mercado agora observa se esse crescimento representa migração duradoura de usuários ou apenas busca temporária por rendimento. A resposta ainda não está definida. O próximo semestre será decisivo.
O fato permanece claro, os depósitos em empréstimos cripto caíram 35%, mas o capital não desapareceu completamente. Ele mudou de endereço. E fortaleceu quem já liderava o setor.
