- Hack de US$ 285 milhões abala confiança na Drift
- Transferências suspeitas aumentam temor de venda massiva
- Airdrop IOU gera dúvidas sobre recuperação real
A corretora descentralizada Drift Protocol, construída na rede Solana, entrou em crise após um ataque hacker que drenou cerca de US$ 285 milhões nesta semana.
O incidente rapidamente abalou a confiança dos usuários e expôs fragilidades operacionais, enquanto a equipe tenta conter danos e apresentar soluções emergenciais ao mercado.
Além disso, a situação se agravou com decisões controversas tomadas logo após o ataque, ampliando o clima de desconfiança entre investidores e participantes do ecossistema.
Hack bilionário derruba liquidez e confiança
O ataque ocorreu em 1º de abril, quando hackers ligados à Coreia do Norte invadiram a plataforma e roubaram aproximadamente US$ 280 milhões.
Como resultado, o valor total bloqueado (TVL) despencou de US$ 550 milhões para cerca de US$ 230 milhões, praticamente reduzindo a liquidez pela metade.
Esse episódio já é considerado o maior ataque DeFi de 2026, além de figurar como o segundo maior da história da rede Solana.
O caso perde apenas para o hack da Wormhole, que registrou perdas de US$ 326 milhões em 2022, reforçando a gravidade do ocorrido atual.
Enquanto isso, os impactos continuam se espalhando, com relatos de que ao menos 20 projetos foram afetados indiretamente pelo colapso.
Movimentações suspeitas e airdrop aumentam pressão
Poucos dias após o ataque, dados da plataforma Onchain Lens revelaram uma movimentação que gerou ainda mais preocupação no mercado.
Uma carteira ligada à equipe da Drift transferiu 56,25 milhões de tokens DRIFT, avaliados em cerca de US$ 2,44 milhões, para as exchanges Bybit e Gate.
Esse tipo de operação costuma indicar possível pressão de venda, especialmente em momentos de crise, o que intensificou o pessimismo entre investidores.
O mercado reagiu rapidamente, e o token caiu para uma mínima histórica de US$ 0,03343 nas últimas 24 horas, aprofundando as perdas.
Diante desse cenário, a comunidade passou a questionar a transparência e a governança do protocolo, já fragilizadas após o ataque.
Em meio à turbulência, o cofundador da Solana, Anatoly Yakovenko, sugeriu uma saída baseada em um airdrop de tokens IOU.
A proposta segue o modelo adotado pela Bitfinex após o hack de US$ 72 milhões em 2016, quando a exchange emitiu tokens de dívida.
Na época, a Bitfinex conseguiu recomprar os ativos e ressarcir usuários integralmente, beneficiada por forte receita e mercado favorável.
No entanto, analistas alertam que o contexto atual é muito diferente e muito mais desafiador para a Drift.
Diferentemente de uma corretora centralizada, a Drift opera em um ambiente descentralizado, altamente competitivo e com receitas menos previsíveis.
Além disso, a queda abrupta na liquidez e a perda de confiança dificultam qualquer tentativa de reconstrução sustentável no curto prazo.
Especialistas também criticam o uso do termo “airdrop”, argumentando que ele pode mascarar um instrumento de dívida sem garantias reais.
Sem um protocolo solvente e sem fluxo consistente de receita, esses tokens tendem a ter valor baseado apenas em expectativa de recuperação futura.
Com isso, a crise da Drift expõe não apenas falhas técnicas, mas também desafios estruturais do modelo DeFi em momentos extremos.
Agora, o mercado observa de perto os próximos passos do projeto, enquanto usuários aguardam respostas concretas sobre possíveis reembolsos.
