- Empery troca Bitcoin por infraestrutura de IA
- Acordo mira data center de US$ 65 milhões
- Empresa busca nova estratégia após crise com BTC
A Empery Digital decidiu mudar o centro de sua estratégia e entrou de vez na corrida por infraestrutura de inteligência artificial.
A empresa, listada na Nasdaq sob o ticker EMPD, anunciou um investimento de US$ 65 milhões em um data center no Meio-Oeste dos Estados Unidos.
Com isso, a antiga Volcon tenta reduzir a dependência do Bitcoin e buscar novas fontes de receita em um mercado mais ligado à demanda por energia.
A mudança ocorre após meses difíceis para a companhia, que apostou alto em uma tesouraria de Bitcoin e sofreu com a queda do ativo.
A Empery chegou a acumular mais de 4.000 BTC, mas a pressão aumentou quando o preço do Bitcoin recuou com força neste ano.
Além disso, acionistas passaram a questionar a gestão e cobraram medidas para proteger o valor da empresa no mercado.
Empresa aposta em data center de IA após crise com Bitcoin
Pelo acordo, a Empery Digital ficará com 25% de participação em uma nova entidade privada ligada ao projeto.
A entidade comprará uma propriedade industrial no Meio-Oeste e transformará o espaço em um data center voltado para IA.
A operação terá a Hunt Properties como sócia administradora, por meio da subsidiária TexStack Infrastructure, que manterá os 75% restantes.
A propriedade custa cerca de US$ 230 milhões e já conta com aproximadamente 150 megawatts de capacidade de energia.
Segundo a empresa, um estudo de carga indicou a possibilidade de expansão para cerca de 300 megawatts.
Esse ponto pesa muito no negócio, já que data centers de IA exigem grande volume de energia e acesso rápido à infraestrutura elétrica.
A Empery já colocou US$ 2,9 milhões no projeto e pretende pagar mais US$ 62,1 milhões no fechamento.
A conclusão do negócio deve ocorrer no terceiro trimestre de 2026, desde que as condições previstas avancem dentro do prazo.
Enquanto isso, a due diligence do imóvel tem prazo previsto até 29 de julho, segundo os documentos da operação.
Acordo mira aluguel bilionário e marca virada estratégica
A Hunt Properties também assinou uma carta de intenções não vinculante para um contrato de locação triplo líquido.
Esse contrato pode gerar até US$ 1 bilhão em pagamentos ao longo de sua vigência, caso as partes fechem o acordo definitivo.
O possível locatário atende uma companhia descrita como líder global em hardware de computação para IA, mas seu nome não apareceu.
Portanto, o potencial financeiro chama atenção, mas ainda depende da assinatura final do contrato e da execução do projeto.
Ao mesmo tempo, a Empery informou que deixará de publicar seu painel de tesouraria baseado apenas em Bitcoin.
A empresa afirmou que esse indicador já não mostra todo o valor patrimonial líquido, pois agora inclui outros ativos estratégicos.
Na prática, a decisão marca uma ruptura com a imagem de companhia concentrada quase exclusivamente em tesouraria de Bitcoin.
Mesmo assim, a Empery ainda mantém 2.914 BTC em caixa, segundo dados do BitcoinTreasuries.net nesta terça-feira.
Antes da virada para IA, a empresa vendeu centenas de bitcoins para reduzir dívida e financiar recompras de ações.
Em abril, a companhia vendeu 370 BTC a preço médio de US$ 66.632 por unidade para reforçar sua posição financeira.
A operação também liberou cerca de 1.800 BTC que serviam como garantia em um empréstimo com vencimento a prazo.
Agora, a Empery tenta entrar em um movimento que já alcança várias empresas ligadas ao setor de mineração de Bitcoin.
Mineradoras como Core Scientific, TeraWulf, Hut 8, Iren e Cipher Mining passaram a mirar IA para aproveitar energia disponível.
Essa migração ganhou força porque a mineração enfrenta margens menores, enquanto empresas de IA buscam capacidade elétrica em grande escala.
No entanto, o novo caminho também traz riscos. Projetos de data center exigem capital alto, execução rápida e contratos firmes.
A VanEck estima que mineradoras voltadas para IA enfrentam uma lacuna de financiamento de curto prazo próxima de US$ 50 bilhões.
Além disso, a gestora calcula que a necessidade de capital de longo prazo pode chegar a US$ 221 bilhões.
Por isso, o acordo da Empery não representa apenas diversificação. Ele mostra uma tentativa de reposicionar a empresa diante de outro ciclo tecnológico.
Se o projeto avançar, a companhia poderá trocar parte da narrativa de Bitcoin em balanço por uma aposta em energia, IA e data centers.
