- Coinbase enfrenta prejuízo bilionário, mas mantém posição estratégica global
- Stablecoins sustentam crescimento enquanto negociação perde força
- Custódia de ETFs segue sólida apesar da pressão institucional
O novo relatório trimestral da Coinbase provocou forte reação no mercado e expôs um dilema que agora afeta não apenas acionistas, mas também investidores ligados aos ETFs de Bitcoin.
O documento revela um trimestre complexo, marcado por queda nas receitas de negociação e pressão crescente sobre a estrutura que sustenta grande parte da indústria cripto institucional.
Mesmo com preços em baixa e menor atividade no setor, a Coinbase registrou cerca de US$ 1,78 bilhão em receitas totais. Ainda assim, a empresa fechou o período com prejuízo líquido de US$ 667 milhões, desempenho bem abaixo das expectativas de lucro dos analistas.
Apesar disso, a operação continua gerando caixa. O relatório mostra um EBITDA ajustado de US$ 566 milhões, indicador que reforça a capacidade da empresa de operar em ciclos difíceis.
No entanto, o ponto mais sensível permanece claro, o negócio de negociação desacelerou de forma abrupta, refletindo menor apetite do varejo por mercados menos voláteis.
A mudança de foco e o peso crescente das stablecoins
As receitas de transações caíram para US$ 983 milhões, resultado da perda de entusiasmo dos pequenos investidores, que buscam ciclos mais intensos e ativos com chance de viralizar rapidamente. Para reduzir essa dependência, a Coinbase intensifica sua estratégia de diversificação.
O segmento de Assinaturas e Serviços saltou para US$ 727 milhões, impulsionado principalmente pelas receitas ligadas a stablecoins.
Esse pilar cresce de maneira constante e já se tornou fundamental para manter o caixa da companhia em períodos de baixa no mercado.
No início de 2026, a Coinbase informou ter acumulado US$ 420 milhões em receitas de transações até 10 de fevereiro. A empresa, porém, pediu cautela ao mercado e recomendou que esses números não sejam extrapolados de maneira agressiva.
A sombra dos ETFs e a pressão institucional
Um segundo grupo observa tudo com apreensão, os detentores de ETFs de Bitcoin à vista, como o IBIT da BlackRock. A Coinbase atua como custodiante de aproximadamente 7% de todo o Bitcoin existente, cerca de 1,5 milhão de BTC.
Essa concentração levanta dúvidas sempre que a empresa reporta resultados fracos, mas a custódia permanece isolada do risco operacional.
O setor funciona sob regras rígidas, projetadas exatamente para evitar que dificuldades comerciais impactem os fundos.
Mesmo com o clima negativo, a Coinbase mantém planos ambiciosos. A compra da Deribit, em 2025, reforça a estratégia de liderar o mercado de derivativos e a infraestrutura institucional.
Esse movimento indica que a empresa não pretende recuar, mesmo em períodos de forte volatilidade.
Os fluxos institucionais também aumentam a pressão. Entre novembro e dezembro, os ETFs registraram saídas de US$ 4,57 bilhões, seguidas por novo fluxo negativo no início de 2026.
Quando o capital foge, a percepção pública rapidamente piora, e a Coinbase sente esse impacto de imediato.
Nos bastidores, um debate regulatório avança em Washington. O CEO Brian Armstrong afirmou que as conversas sobre regras de mercado priorizam as recompensas de stablecoins, hoje essenciais para a receita da empresa.
O governo discute medidas que podem limitar esses incentivos em troca de avanços regulatórios para o setor cripto.
A Coinbase já não é uma startup vulnerável. Ela se tornou uma peça central da infraestrutura financeira global, mesmo quando o mercado reage ao humor dos investidores.
Para quem investe em ETFs, os sinais-chave envolvem a concentração de custódia, o rumo das negociações políticas e a expansão para novos mercados, como ações tokenizadas e plataformas de previsão.
