- ETFs registram primeira saída em 9 dias totalizando US$ 263 milhões
- Fidelity lidera resgates com US$ 150 milhões seguida por Grayscale
- Demanda institucional ainda supera mineração em 7,6 vezes no mês
Os fundos negociados em bolsa (ETFs) de Bitcoin nos Estados Unidos interromperam uma sequência histórica de nove pregões consecutivos de entradas. Na segunda-feira, investidores sacaram US$ 263 milhões, movimento que coincidiu com a queda do Bitcoin abaixo dos US$ 77 mil.
O recuo marca a primeira saída líquida desde meados de abril. Dados da plataforma SoSoValue mostram que os ETFs haviam acumulado impressionantes US$ 2,1 bilhões em aportes desde 13 de abril, período no qual o Bitcoin valorizou cerca de 10%.
Fidelity puxa movimento de saída
O Fidelity Wise Origin Bitcoin Fund (FBTC) concentrou a maior parte dos resgates. Sozinho, o fundo registrou saídas de US$ 150 milhões, representando 57% do total. Na sequência vieram o Grayscale Bitcoin Trust ETF (GBTC) com US$ 47 milhões e o ARK 21Shares Bitcoin ETF (ARKB) com US$ 43 milhões.
BlackRock e Morgan Stanley mantiveram fluxo neutro. O iShares Bitcoin Trust ETF (IBIT) da BlackRock, maior ETF de Bitcoin do mundo, encerrou o dia sem movimentações após múltiplos dias de entradas. Mesmo padrão foi observado no Morgan Stanley Bitcoin Trust ETF (MSBT).
O sentimento negativo contaminou outros segmentos. ETFs de Ether registraram saídas de US$ 50,5 milhões, enquanto produtos de XRP e Solana não tiveram qualquer entrada no dia. O índice de Medo e Ganância, que mede o sentimento do mercado cripto, migrou para território “Neutro” pela primeira vez em três meses, marcando 47 pontos.
Demanda institucional permanece forte
Apesar da saída pontual, o apetite institucional por Bitcoin segue robusto em abril. A Strategy de Michael Saylor adquiriu 56.235 BTC apenas neste mês. ETFs globais adicionaram outros 34.552 BTC nas carteiras de clientes no mesmo período.
Juntas, essas compras totalizam 90.787 BTC em demanda institucional. O número supera em 7,6 vezes a produção estimada de mineração para abril, calculada em 11.829 BTC pela HODL15Capital. Essa disparidade entre oferta e demanda tem sido um dos principais vetores de sustentação do preço.
Para analistas da CryptoQuant, a queda abrupta dos últimos dias não reflete desequilíbrio entre oferta e demanda spot. “Foi um evento clássico de liquidez”, afirma o analista XWIN Japan. Liquidações forçadas de posições alavancadas compradas teriam amplificado o movimento de correção.
Resistência em US$ 80 mil define próximo movimento
A rejeição na marca dos US$ 80 mil acende alerta entre investidores institucionais. Segundo análise anterior da CryptoQuant, esse nível representa oferta significativa que, se não for rompida, pode estender o período de correção tanto para investidores de ETF quanto para as chamadas “baleias de curto prazo”.
No Brasil, o movimento dos ETFs americanos tem impacto direto. Grandes exchanges locais reportam correlação acima de 85% entre fluxos de ETFs nos EUA e volume negociado em reais. A crescente participação dos ETFs, que já controlam 7% de todo Bitcoin em circulação, transformou esses fundos em termômetro essencial para traders brasileiros.
O episódio de segunda-feira também ressalta a maturidade do mercado. Mesmo com saídas expressivas, o Bitcoin manteve-se acima dos US$ 76 mil, demonstrando resiliência estrutural. Para contexto, correções similares em 2023 resultavam em quedas de 5% a 8% no mesmo dia.
Investidores agora monitoram se o movimento representa realização de lucros pontual ou início de tendência mais ampla. Com o Fed mantendo juros em 3,75% e tensões geopolíticas no Oriente Médio, o cenário macro adiciona camadas de complexidade à análise de curto prazo do Bitcoin.
