- ETFs de XRP captaram US$ 5,31 milhões na segunda-feira, 22 de junho
- Bitcoin perdeu US$ 68,18 milhões e Ethereum US$ 66,04 milhões no mesmo dia
- Bitwise XRP responde sozinho pela entrada e soma US$ 481,57 milhões desde lançamento
Os ETFs de XRP foram os únicos fundos cripto à vista listados nos Estados Unidos a abrir a semana com captação líquida positiva. Na segunda-feira, 22 de junho, os produtos receberam US$ 5,31 milhões, equivalentes a 4,68 milhões de tokens, segundo dados compilados pela plataforma Sosovalue. Foi a maior entrada intradiária desde 9 de junho.
O número, ainda que modesto em valor absoluto, ganha peso quando comparado ao desempenho dos pares. ETFs de Bitcoin registraram saques de US$ 68,18 milhões no mesmo dia. Os fundos de Ethereum perderam outros US$ 66,04 milhões. Produtos atrelados a Solana, Dogecoin, Hyperliquid, BNB e Chainlink terminaram a sessão com fluxo zero, sem novos aportes nem resgates.
Sequência de 12 dias sem saques
O movimento estende uma fase de resiliência incomum para os produtos. Após um saque de US$ 5,34 milhões em 3 de junho, os fundos não voltaram a registrar dia negativo. São 12 pregões consecutivos com entradas que variaram entre US$ 1,19 milhão e US$ 7,4 milhões, fluxos modestos, mas ininterruptos.
A constância chama atenção porque ocorre em meio à queda generalizada do mercado. O XRP cotado em US$ 1,10 (R$ 5,69) acumula recuo de 4% nas últimas 24 horas, enquanto Bitcoin opera em US$ 62.579 e Ethereum, próximo a US$ 1.662, com perdas de 3,8% e 5,5% no mesmo período. Em um ambiente em que o capital institucional tipicamente busca proteção em Bitcoin, ver o XRP atraindo fluxo isolado contraria o padrão observado em outras correções deste ciclo.
A diferença ajuda a explicar por que parte da mesa institucional vem tratando o token como reserva tática durante a queda. A leitura do fluxo recente de ETFs mostra que o mercado segue migrando exposição, ainda que em volumes pequenos.
Bitwise concentra 100% da entrada
O detalhe técnico do balanço expõe uma concentração relevante: toda a captação de segunda-feira veio do Bitwise XRP ETF, identificado pelo ticker XRP. O produto soma agora US$ 481,57 milhões em entrada líquida acumulada desde a estreia e administra US$ 305,4 milhões em ativos sob gestão.
Com isso, o Bitwise consolidou a liderança no segmento e ultrapassou o XRPC, da Canary Capital, que dominou os primeiros meses pós-aprovação. O mesmo padrão se repetiu em 18 de junho, quando o ETF da gestora respondeu sozinho pela entrada de US$ 2,55 milhões no segmento. Os concorrentes seguiram com fluxo zero. Em maio, no dia 29, os ETFs de XRP também lideraram captação no mercado cripto enquanto Bitcoin e Ethereum operavam no vermelho.
O acumulado total da categoria desde o lançamento atinge US$ 1,45 bilhão, número ainda distante dos US$ 50 bilhões somados pelos fundos de Bitcoin, mas em ritmo de crescimento que vem surpreendendo participantes do mercado. O fato de a sustentação vir essencialmente de uma única gestora, porém, levanta a questão de quão diversificada é essa demanda institucional.
Investidor brasileiro acessa via BDR e corretoras
Para o investidor brasileiro, o reflexo direto desse fluxo aparece em duas frentes. Primeiro, na cotação do XRP em corretoras locais como Mercado Bitcoin, Foxbit e Binance Brasil, que tendem a acompanhar o desempenho dos ETFs americanos com defasagem de horas. Segundo, na disponibilidade crescente de BDRs e produtos espelho oferecidos por casas como XP e BTG, que estruturam exposição indireta a esses fundos pela B3.
A CVM ainda não autorizou ETF puro de XRP na bolsa brasileira, situação que difere do Bitcoin e do Ethereum, que já contam com produtos listados pela Hashdex e QR Asset. Enquanto isso, o token segue tecnicamente pressionado, análises recentes apontam que o XRP mira US$ 1,40 em eventual recuperação, mas mantém death cross ativo e RSI em zona de exaustão. A defesa do suporte em US$ 1,10 tornou-se referência central para o curto prazo.
