- Carteiras com mais de 100 mil ETH detêm 17,41 milhões da oferta circulante
- Open Interest em derivativos cai 3,92% e marca US$ 15,42 bilhões
- Funding Rate sobe 27% e mantém viés comprador apesar da consolidação
As maiores carteiras de Ethereum elevaram a acumulação ao maior patamar em dez semanas, segundo dados da Santiment. Endereços que detêm pelo menos 100 mil ETH passaram a controlar 17,41 milhões de tokens, o equivalente a 22,03% da oferta circulante da rede. O movimento contrasta com a fraqueza do preço, que opera lateralizado há semanas.
No momento, o ETH é negociado a US$ 2.016,75 (cerca de R$ 10.185), com leve queda de 0,3% nas últimas 24 horas. A segunda maior criptomoeda do mercado segue presa entre o suporte de US$ 1.847 e a resistência de US$ 2.419, sem indicação clara de rompimento para nenhum dos lados.
Baleias compram, mercado hesita
A divergência entre o comportamento das baleias e a ação de preço chama atenção. Em vez de reduzirem exposição diante da incerteza, os grandes detentores seguiram absorvendo oferta circulante. O padrão sugere convicção entre investidores de longo prazo, mesmo sem qualquer confirmação de tendência altista no gráfico diário.
O cenário lembra episódios anteriores no mercado de Bitcoin, em que carteiras grandes anteciparam reversões. Vale registrar, porém, que acumulação de baleias no BTC também perdeu força recentemente, o que indica que o sinal isolado não basta. Para o investidor brasileiro, é o tipo de movimento que merece atenção, mas precisa ser combinado com gatilhos de preço antes de virar tese.
Outro ponto relevante: a tesouraria corporativa em ETH vem ganhando tração. Empresas listadas como a Bit Digital seguiram ampliando posições em Ethereum, somando-se às baleias on-chain na pressão compradora. Esse fluxo institucional ainda é pequeno frente ao observado em Bitcoin, mas começa a aparecer como variável estrutural para o ativo.
Derivativos mostram cautela, mas funding segue positivo
No mercado de derivativos, o quadro é mais cauteloso. O Open Interest caiu 3,92% e fechou em US$ 15,42 bilhões, sinal de que traders alavancados reduziram exposição durante a consolidação. A queda indica falta de convicção sobre o próximo movimento direcional relevante.
Apesar disso, os Funding Rates avançaram 27,04% e marcaram 0,008793 — território firmemente positivo. Funding positivo significa que comprados estão pagando vendidos para manter posição, o que revela preferência persistente pelo lado altista. Há uma divisão clara: menos gente operando, mas quem ficou continua apostando em alta.
Esse tipo de configuração costuma elevar o risco de squeeze em qualquer direção. Se compradores falharem em recuperar a resistência superior, o posicionamento concentrado em long pode acelerar liquidações na ponta vendedora. Na projeção de longo prazo do Standard Chartered, no entanto, o cenário permanece construtivo, com alvo de US$ 40 mil para o ETH ao longo do ciclo atual.
Estrutura técnica ainda favorece vendedores
O quadro técnico reforça a cautela. O ADX subiu para 33,89, mostrando que a força da tendência permanece elevada — e não a favor dos compradores. O -DI marca 31,41, contra apenas 8,88 do +DI. A diferença de mais de 22 pontos entre os indicadores escancara o domínio vendedor, mesmo com o suporte de US$ 1.847 sendo defendido.
Assim, para destravar uma alta sustentada rumo aos US$ 2.419, o Ethereum precisaria de participação compradora maior e, idealmente, de um catalisador externo. Aprovação de etapas regulatórias nos EUA, fluxo positivo em ETFs spot ou alívio nas taxas globais costumam funcionar como gatilho — e nenhum desses fatores está no radar imediato.
Para o investidor local, o cálculo é prático. O ETH em reais opera próximo de R$ 10.185, com o dólar a R$ 5,0505. A combinação de baleias acumulando, funding positivo e estrutura técnica vendedora cria uma janela de observação: rompimento confirmado dos US$ 2.100 reabriria o caminho até a resistência principal; perda dos US$ 1.847 anularia rapidamente a tese de acumulação como sinal antecipado.
