- Ethereum lidera com US$ 162,7 bilhões em stablecoins e 52,4% de share
- Tron aparece em segundo com US$ 89,4 bilhões e 28,8% do mercado
- RLUSD já soma US$ 848 milhões no XRP Ledger e ultrapassa Ethereum
Uma discussão barulhenta viralizou no X depois que um usuário publicou um gráfico afirmando que a Ethereum concentra 87% de todo o supply global de stablecoins. O número serviu de munição para críticos do XRP, que ironizaram a ausência do XRP Ledger no mapa. Só que o dado estava incompleto e o retrato real do mercado é bem diferente.
O gráfico compartilhado, extraído da plataforma Artemis, deixou de fora justamente a Tron, uma das maiores redes de circulação de stablecoins do planeta. Com a rede de Justin Sun no cálculo, a fatia da Ethereum cai para 52,4%, com US$ 162,7 bilhões em stablecoins ativas. A Tron aparece logo atrás, com US$ 89,4 bilhões e 28,8% de participação. Somadas, as duas redes hospedam mais de 81% de todo o supply global, estimado em US$ 312,7 bilhões.
Quem fica com as migalhas do supply
Fora do topo, o mercado se pulveriza rápido. A BNB Chain aparece em terceiro, com US$ 16,6 bilhões (5,4%), seguida por Solana, com US$ 16,2 bilhões (5,2%). Redes emergentes como HyperEVM (1,8%), Base (1,5%) e Arbitrum (1,4%) ainda somam frações modestas do total. A Polygon PoS ficou com 1,3%, e o XRP Ledger fecha a lista relevante com cerca de US$ 1,2 bilhão apenas 0,4% do supply mundial.
Para o investidor brasileiro, o dado é útil por um motivo prático, as principais exchanges locais como Mercado Bitcoin, Foxbit e Bitso liquidam BRL em USDT emitido majoritariamente na Tron a rede é a preferida pelo custo baixo de transferência, apesar do escrutínio recente do Banco Central sobre fluxos em stablecoins e da possível exigência de capital para exchanges a partir de 2027.
Volume ajustado atinge US$ 1,79 trilhão em junho
A briga por participação acontece em um momento de expansão acelerada do uso real. Segundo dados da Visa, apurados pela Allium, o volume ajustado de transações em stablecoins alcançou US$ 1,79 trilhão em junho. É alta de 63% frente a maio e 125% na comparação com o mesmo mês de 2025.
A metodologia da Visa filtra bots, rebalanceamentos de tesouraria e chamadas repetitivas de contratos inteligentes. O objetivo é medir atividade econômica genuína pagamentos, remessas e liquidação em DeFi. Nesse recorte, o USDC da Circle disparou à liderança com US$ 1,21 trilhão movimentados, cerca de 67% do total. O USDT da Tether veio atrás com US$ 576 bilhões (32%), e o PYUSD da PayPal processou outros US$ 2,42 bilhões.
Curiosamente, quando o filtro é por rede, a distribuição inverte. A Base, L2 da Coinbase, liderou junho com US$ 565 bilhões em volume ajustado, seguida de perto pela Ethereum, com US$ 562 bilhões. A Tron ficou em terceiro, com US$ 320 bilhões. Isso mostra que supply parado e volume real são métricas distintas e que a batalha por payments está longe de decidida.
RLUSD da Ripple atinge US$ 1,6 bilhão
Enquanto o XRP Ledger segue como coadjuvante no macro, a stablecoin da Ripple ganhou tração dentro do próprio ecossistema. No fim de junho, o supply da RLUSD emitido diretamente no XRPL superou pela primeira vez o volume emitido na Ethereum. Números atuais do RLUSD Tracker mostram US$ 848 milhões circulando na rede da Ripple contra US$ 727 milhões na Ethereum.
Somando as duas pontas, o supply total da RLUSD se aproxima de US$ 1,6 bilhão patamar que colocou o token entre as stablecoins de crescimento mais rápido dos últimos doze meses, conforme já detalhado na cobertura sobre o salto de 40x da RLUSD no XRP Ledger. Vale lembrar que o token nasceu em dezembro de 2025 e roda com estrutura de reservas auditada vantagem regulatória diante do impasse europeu com o USDT, recentemente removido do Revolut após a Tether recusar a licença MiCA.
O contraste também acende luz amarela sobre a narrativa do XRP como concorrente das big techs de pagamento: no atacado, quem manda são Ethereum e Tron, no varejo institucional emergente, a Base rouba volume, e o XRPL vive de nicho próprio ligado ao selo Ripple. O XRP é negociado nesta segunda a US$ 1,12 (R$ 5,82), em queda de 1,3% nas últimas 24 horas, enquanto o mercado avalia se US$ 1 vira armadilha para vendedores.
