- Bitcoin concentra US$ 1,116 bilhão dos US$ 1,4 bilhoes captados
- EUA lideram entradas com US$ 1,5 bi, Suíça registra saída recorde
- Ethereum capta US$ 328 mi enquanto XRP e Solana perdem recursos
O mercado de fundos de criptoativos registrou entrada líquida de US$ 1,4 bilhão na última semana, marcando o terceiro período consecutivo de ganhos. Os dados da Coinshares revelam o maior volume semanal desde janeiro, impulsionado pela melhora do cenário macroeconômico e pelo rompimento técnico do Bitcoin.
A mudança de sentimento reflete alívio nas tensões geopolíticas e dados de inflação mais benignos nos Estados Unidos. Investidores institucionais, que mantinham postura cautelosa desde fevereiro, retornaram com força ao mercado de ativos digitais.
Bitcoin absorve 80% do capital institucional
O Bitcoin dominou os fluxos com US$ 1,116 bilhão em nova captação. O ativo acumula agora US$ 3,1 bilhões no ano, revertendo completamente as saídas do primeiro bimestre. A ruptura dos US$ 76.000 no meio da semana reformulou a estrutura de mercado após semanas de lateralização.
Esse movimento técnico ativou ordens de compra institucionais represadas. Gestores que aguardavam confirmação de tendência entraram em peso. O volume negociado em produtos de Bitcoin dobrou na comparação com a semana anterior, evidenciando o retorno do apetite por risco.
Produtos vendidos em Bitcoin captaram apenas US$ 1,4 milhão. A demanda limitada por hedge indica que investidores apostam majoritariamente na alta. Os dados de inflação nos EUA reforçaram esse movimento do CPI em 3,3% e inflação núcleo em 2,6% foram interpretados como pressões temporárias de oferta, não sistêmicas.
Para investidores brasileiros, o movimento tem duplo impacto. Além da valorização direta do Bitcoin, a entrada massiva de capital institucional tende a reduzir volatilidade e criar suporte técnico mais robusto. Exchanges locais já reportam aumento de 35% no volume de negociação na última semana.
Suíça destoa com maior saída desde novembro
A distribuição geográfica dos fluxos mostrou divergência acentuada. Os Estados Unidos responderam por US$ 1,5 bilhão do total global, confirmando o apetite por risco dos investidores americanos. A Alemanha acompanhou com modestos US$ 28 milhões, mantendo tendência positiva pelo quarto mês consecutivo.
Em contraste, a Suíça registrou saídas de US$ 138 milhões, o maior volume negativo desde novembro. Esse movimento sugere posicionamento seletivo de risco, não otimismo uniforme entre as regiões. Analistas apontam que fundos suíços podem estar realizando lucros após alta de 45% do Bitcoin desde outubro ou realocando para outras classes de ativos.
A divergência regional levanta questões sobre sustentabilidade do rali. Historicamente, movimentos sustentáveis em cripto mostram participação global ampla. A concentração nos EUA pode indicar fase inicial de recuperação ou dependência excessiva do mercado americano.
Ethereum se recupera, mas Solana enfrenta pressão
Ethereum atraiu US$ 328 milhões, sua melhor semana desde janeiro. As entradas acumuladas no ano chegaram a US$ 197 milhões, sinalizando renovada confiança dos investidores no segundo maior criptoativo. O movimento coincide com expectativas de upgrades na rede e crescimento do ecossistema DeFi.
XRP e Solana nadaram contra a corrente com saídas de US$ 56 milhões e US$ 2,3 milhões, respectivamente. No caso do XRP, investidores parecem cautelosos com desenvolvimentos regulatórios pendentes. Para Solana, as saídas refletem realocação após valorização de 180% em 2025.
Apesar da pressão nos fundos, Solana mantém construção técnica positiva. O ativo negocia próximo a US$ 85,85 com volume robusto e ganhos semanais consistentes. A rede processou 4,2 milhões de transações diárias na última semana, superando Ethereum em atividade.
O analista Celal Kucuker projeta potencial de alta para Solana entre US$ 300 e US$ 450 sob condições favoráveis. Tecnicamente, o ativo preserva linha de tendência ascendente de longo prazo, sustentada por mínimas crescentes desde julho de 2025.
O preço recentemente rejeitou a zona de demanda entre US$ 70-90. Rompimento confirmado acima de US$ 160 abriria caminho para US$ 190-220. Falha em manter-se acima de US$ 130, no entanto, comprometeria a estrutura altista.
Os fundos de criptoativos refletem momento de transição no mercado. Enquanto Bitcoin e Ethereum consolidam recuperação com volumes expressivos, altcoins como Solana enfrentam realocação de capital típica de início de ciclo altista.
A divergência regional adiciona complexidade ao cenário. Investidores suíços adotam cautela contrastante ao otimismo americano, sugerindo diferentes percepções de risco entre mercados maduros. Para o mercado brasileiro, a tendência global positiva tende a sustentar interesse local, especialmente com Bitcoin rompendo barreiras técnicas importantes.

