- Goldman Sachs declara US$ 87,45 milhões em ETFs spot de XRP no 2º tri
- Banco acumulou 83,15 milhões de XRP em três meses via cinco emissores
- ETFs de XRP somam US$ 1,8 bi em entradas líquidas desde o lançamento em 2025
O Goldman Sachs assumiu a liderança entre investidores institucionais expostos aos ETFs à vista de XRP nos Estados Unidos. Os formulários 13F referentes ao segundo trimestre de 2026, entregues à SEC, mostram o banco com US$ 87,45 milhões alocados nesses produtos, o equivalente a mais de 84 milhões de tokens. É a maior posição já reportada por qualquer instituição desde a estreia dos fundos.
A escala do movimento chama atenção. O banco somou 83,15 milhões de XRP em exposição via ETFs apenas entre abril e junho — praticamente reconstruindo do zero uma posição que havia sido zerada no primeiro trimestre. No fim de 2025, o Goldman chegou a manter cerca de US$ 154 milhões nesses fundos antes de sair completamente no começo do ano.
Segundo dados compilados pela Bloomberg Intelligence, a distribuição foi feita entre cinco emissores distintos: Bitwise, Franklin Templeton, Canary Capital, 21Shares e Grayscale. A pulverização entre gestoras sugere estratégia de diversificação dentro do próprio segmento de XRP, e não aposta em um produto específico.
Jane Street e Millennium ficam para trás
A distância para os demais nomes é grande. Somados, os quatro maiores holders seguintes — Jane Street Group, Millennium Management, Intesa Sanpaolo e Marex UK Holdings — declararam US$ 55,4 milhões em ETFs de XRP. Isso significa que o Goldman sozinho supera, com folga, o total combinado dos quatro concorrentes diretos no ranking institucional.
A presença do italiano Intesa Sanpaolo entre os cinco maiores reforça um dado que costuma passar despercebido: a demanda por veículos regulados de XRP não é fenômeno restrito a Wall Street. Bancos europeus, market makers como Jane Street e fundos de arbitragem estatística como Millennium também estão construindo exposição — cada um por razões distintas, que vão de hedge de fluxo a operações direcionais.
ETFs de XRP somam US$ 1,8 bi desde a estreia
Os produtos foram autorizados no fim de 2025 e, desde então, atraíram cerca de US$ 1,8 bilhão em entradas líquidas acumuladas. O patrimônio total sob gestão do segmento oscila entre US$ 1,4 bilhão e US$ 1,5 bilhão, dependendo da cotação do ativo. O produto da Bitwise foi o primeiro a cruzar a marca de US$ 500 milhões em ativos, movimento que o BitNotícias detalhou recentemente.
Apesar dos números, o impacto no preço tem sido tímido. Analistas argumentam que boa parte do efeito da aprovação já havia sido precificado antes do lançamento, e o XRP acabou seguindo o rumo geral do mercado cripto nos últimos meses. No momento da publicação, o token era negociado a US$ 1,37 (cerca de R$ 7,09), com queda de aproximadamente 8,5% na última semana.
Investidor brasileiro ainda depende de BDR e cripto spot
No Brasil, o acesso direto a ETFs de XRP americanos permanece limitado. Corretoras locais que oferecem produtos internacionais e a integração recente da Binance com ETFs e ações dos EUA ampliam o cardápio, mas a maioria dos investidores segue exposta ao XRP via mercado spot em exchanges brasileiras. A CVM ainda não aprovou um ETF de XRP negociado na B3, o que mantém a demanda concentrada em compras diretas do token.
O timing da entrada do Goldman também merece contexto. Em paralelo à corrida por XRP, cresce a pressão competitiva sobre a Ripple. O sistema SWIFT, referência em pagamentos internacionais, avança em iniciativas próprias de tokenização — tema abordado em análise do BitNotícias sobre a ameaça ao modelo da Ripple. Para o banco americano, montar posição concentrada agora sinaliza aposta de que a infraestrutura de pagamentos baseada em XRP manterá relevância mesmo com concorrência crescente do sistema bancário tradicional.

