- Goldman tinha US$ 153,8 milhões em quatro ETFs de XRP no fim de 2025
- Banco zerou posição no trimestre seguinte e migrou para ações de cripto
- Participações em Circle, Coinbase e Galaxy Digital subiram até 249%
O Goldman Sachs foi apresentado ao mercado como o maior detentor institucional de ETFs de XRP nos Estados Unidos e, quando a notícia ganhou tração, o banco já havia vendido tudo. A revelação saiu de dois formulários 13F consecutivos enviados à SEC, e a sequência expõe um descompasso clássico entre dado regulatório atrasado e narrativa de mercado.
O primeiro 13F, referente a 31 de dezembro de 2025, mostrava posição de US$ 153,8 milhões distribuída entre quatro fundos: cerca de US$ 40 milhões no ETF da Bitwise, US$ 38,5 milhões no Franklin XRP Trust, US$ 38 milhões no produto da Grayscale e US$ 36 milhões no 21Shares. Segundo levantamento do analista da Bloomberg Intelligence James Seyffart, o banco respondia sozinho por 73% de toda a exposição declarada pelos 30 maiores investidores institucionais em ETFs do ativo.
A narrativa que tomou conta do mercado
O timing parecia perfeito. A divulgação coincidiu com medo extremo no mercado, reforçando narrativa de acumulação institucional enquanto o varejo vendia posições. Comentaristas trataram o movimento como a validação institucional que a tese de XRP perseguia desde o desfecho da disputa entre Ripple e SEC.
Havia, porém, um detalhe estrutural ignorado, o 13F é um retrato passado. Quando a posição virou manchete, já tinha dois a três meses. No intervalo, o token despencou mais de 40% em relação à máxima próxima de US$ 2,40 registrada em janeiro de 2026 queda que levou o Standard Chartered a revisar projeções para o ativo no meio do trimestre.
Goldman zera XRP e Solana no 13F de maio
O formulário seguinte, divulgado em maio e referente ao primeiro trimestre de 2026, encerrou a discussão. A gestora vendeu integralmente sua posição de US$ 153,8 milhões em ETFs de XRP. O banco também zerou a exposição em ETFs de Solana e reduziu participações em fundos de Bitcoin e Ethereum.
Em vez de manter exposição direta a tokens, o Goldman migrou para ações de empresas do setor. A gestora ampliou posições em Circle, Galaxy Digital e Coinbase em até 249%. A rotação não foi uma saída do segmento cripto foi uma troca de veículo, do token para o negócio que opera ao redor dele.
Esse movimento ecoa uma crítica recorrente sobre XRP, levantada em episódios como o em que Brad Garlinghouse questionou estruturas alavancadas no setor, instituições compram a infraestrutura, mas hesitam em segurar o ativo nativo. Para a Ripple, é a velha distinção entre adoção corporativa e demanda real pelo token.
Varejo detém 84% dos ETFs de XRP nos EUA
Dados da Ripple mostram que varejo controla 84% dos ETFs de XRP, acima da participação observada nos produtos de Solana. ETFs do ativo superaram US$ 1,5 bilhão em entradas antes de recuarem para cerca de US$ 1 bilhão.
Para o investidor brasileiro, há leitura concreta. O XRP é negociado a US$ 1,04 (R$ 5,38) e acumula liquidações forçadas relevantes caso documentado no reset recente do mercado de derivativos. Com o Banco Central avançando em restrições sobre stablecoins e fundos cripto no país, a janela para exposição via produtos regulados estrangeiros segue dependente de canais como BDRs e plataformas internacionais autorizadas pela CVM.
