Governo dos EUA transfere Bitcoin do hack da Bitfinex para Coinbase Prime

Governo dos EUA transfere Bitcoin do hack da Bitfinex para Coinbase Prime
  • Governo americano moveu 8,2 BTC para Coinbase Prime
  • Valor transferido soma US$ 628 mil após 2 anos parado
  • Movimento pode indicar venda dos fundos apreendidos

Dados da blockchain revelam que o governo dos Estados Unidos movimentou cerca de 8,2 Bitcoin conectados ao hack da exchange Bitfinex em 2016. Os fundos, avaliados em aproximadamente US$ 628 mil, foram transferidos para a Coinbase Prime na quinta-feira.

A informação vem da Arkham Intelligence, plataforma especializada em análise on-chain que monitora endereços de carteiras cripto. As moedas estavam paradas há dois anos em um endereço rotulado como “fundos apreendidos do hacker da Bitfinex”. Agora, o movimento para uma exchange institucional sugere possível liquidação.

O Departamento de Justiça americano não confirmou oficialmente a transferência nem esclareceu suas intenções. Historicamente, quando autoridades movem criptoativos para exchanges, o mercado interpreta como preparação para venda. Em 2023, movimentos similares precederam leilões de Bitcoin apreendidos em outras operações.

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Pequena fração de um roubo bilionário

Os 8,2 BTC transferidos representam uma parcela mínima dos mais de 94.000 Bitcoin que o governo americano confiscou durante a investigação. O montante total vale hoje mais de US$ 7,2 bilhões, tornando-se uma das maiores apreensões de criptoativos da história.

Ilya Lichtenstein e Heather “Razzlekhan” Morgan foram os responsáveis pelo crime. Lichtenstein explorou uma vulnerabilidade de segurança na Bitfinex em agosto de 2016, conseguindo roubar 119.754 BTC. Na época, o valor era de aproximadamente US$ 72 milhões. Hoje, a mesma quantia equivaleria a US$ 9,18 bilhões.

O casal passou anos tentando lavar os fundos através de técnicas sofisticadas. Usaram mixers de Bitcoin, conversões para outras criptomoedas e até compraram NFTs. Mesmo assim, a natureza transparente da blockchain permitiu que investigadores rastreassem as transações.

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Preso em fevereiro de 2022 sob acusação de conspiração para lavagem de dinheiro, Lichtenstein confessou o crime em 2023. Recebeu sentença de cinco anos de prisão em 2024. Morgan, esposa de Lichtenstein e rapper nas horas vagas, pegou 18 meses de cadeia federal por seu papel na lavagem dos fundos.

Acordo judicial e devolução dos fundos

Em 2023, antes das sentenças, o casal fechou um acordo com promotores federais. Concordaram em devolver todo o produto do roubo de criptomoedas, incluindo os Bitcoins restantes e quaisquer ativos adquiridos com os fundos roubados.

A recuperação de 94.000 BTC pelo governo representa aproximadamente 78% do total roubado originalmente. O restante pode ter sido gasto, perdido ou ainda estar em carteiras não identificadas. Para investidores brasileiros, o caso ilustra os riscos de manter grandes quantias em exchanges, especialmente considerando a evolução das ameaças ao ecossistema cripto.

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Liberação precoce e declarações polêmicas

Ambos os condenados foram soltos recentemente da prisão, antes do prazo previsto. Morgan creditou ao presidente Trump sua saída antecipada, mesmo sem confirmação oficial de qualquer ação presidencial para comutar as sentenças. “Quero agradecer ao Papa Trump por tornar minha sentença de 18 meses mais curta”, declarou Morgan, usando linguagem característica de seu personagem rapper “Razzlekhan”.

A declaração gerou controvérsia nas redes sociais. Não há registros públicos de Trump ter interferido no caso. Especialistas apontam que reduções de pena por bom comportamento são comuns no sistema federal americano.

O caso Bitfinex permanece como marco na história das criptomoedas. Foi o segundo maior hack de exchange até então, superado apenas pelo ataque à Mt. Gox em 2014. A Bitfinex sobreviveu ao golpe, implementou medidas de segurança mais rígidas e hoje opera como uma das maiores exchanges globais.

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Para o mercado brasileiro, a movimentação desses fundos serve como lembrete. Exchanges nacionais seguem padrões de segurança internacionais, mas o risco sempre existe. A tendência de retirada de Bitcoin das exchanges reflete essa preocupação crescente com custódia própria.

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Entusiasta de criptomoedas e tecnologia, comecei minha jornada com consoles no Nintendo 64. Sempre explorando novos gadgets e tecnologias inovadoras. Nos momentos livres, meu maior hobby é jogar futebol.
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