- Indicador composto on-chain coloca Bitcoin abaixo da média histórica de valuation
- CLARITY Act no Senado dos EUA é tratado como catalisador de curto prazo
- Posições alavancadas podem reativar venda forçada e ampliar volatilidade
A queda recente do bitcoin a uma nova mínima de ciclo, abaixo de US$ 60 mil, reabriu o debate sobre valuation entre fundos institucionais. A Grayscale Investments respondeu com um relatório direto, o ativo está barato em relação à média histórica, mas longe dos descontos vistos em fundos anteriores.
O documento, assinado pelo chefe de pesquisa Zach Pandl em 9 de junho, combina três indicadores on-chain para chegar a essa leitura. No momento, o BTC é negociado a US$ 61.5120 (R$ 318.880), com queda de 0,5% em 24 horas, segundo cotação de mercado.
Três indicadores on-chain sustentam a tese
O modelo da Grayscale combina NUPL (Net Unrealized Profit and Loss), que mede se a base de holders está no lucro ou prejuízo, a relação Price/CVDD, que compara o preço atual com a movimentação de moedas mantidas por longos períodos, e Market Cap/Thermo Cap, que confronta o valor de mercado com a receita acumulada dos mineradores.
O resultado consolidado coloca o BTC abaixo da média histórica de valuation. Ainda assim, o desconto atual não chega perto do nível que o mercado observou após o colapso da FTX, em novembro de 2022, quando o ativo caiu abaixo de US$ 16 mil. Para Pandl, isso reforça a hipótese de um bear market mais raso desta vez.
“Acreditamos que este bear market pode ser menos profundo que os anteriores, dado um bull market precedente mais contido, somado a melhorias na estrutura de mercado vindas da disponibilidade de ETPs, plataformas de wealth management e outros tipos de adoção institucional”, escreveu o pesquisador.
CLARITY Act no Senado divide mercado de previsões
O primeiro gatilho citado pela Grayscale é o avanço do CLARITY Act no Senado dos EUA. A legislação cria uma estrutura federal de mercado para ativos digitais, definindo regras de classificação de tokens, custódia, corretagem e divulgação de informações.
A Câmara dos Representantes aprovou o texto em 2025, e o Comitê Bancário do Senado o aprovou em maio, em votação bipartidária. Falta o plenário.
“Seguimos otimistas com o CLARITY, mas os mercados de previsão indicam que está dividido”, ponderou Pandl.
Plataformas como Kalshi têm precificado a aprovação em probabilidades próximas de cara ou coroa.
O efeito de uma aprovação iria além do BTC. A própria Grayscale já mapeou que Ethereum, Solana, BNB Chain e Canton Network estariam entre as redes mais beneficiadas pela clareza regulatória. Plataformas regulamentadas têm acelerado o movimento caso da Kalshi com futuros perpétuos de Solana sob supervisão da CFTC.
Alavancagem segura o próximo movimento
O segundo fator decisivo, segundo a Grayscale, é a resiliência dos detentores alavancados. Se posições fortemente alavancadas precisarem desmontar suas operações, o BTC poderá enfrentar uma nova rodada de pressão vendedora. Essa leitura é consistente com o cenário que a Glassnode descreve sobre a zona de risco e a pressão vendedora nos ETFs spot.
Coinbase e outras corretoras institucionais relataram aumento de acumulação por endereços grandes na faixa atual. Segundo a própria Coinbase, instituições compraram mais BTC perto de US$ 60 mil do que quando o ativo rodava a US$ 125 mil. O comportamento sugere divergência entre fluxo de varejo alavancado e mesas institucionais de longo prazo.
Leitura para investidor que opera em real
No Brasil, a tese da Grayscale chega em um momento delicado. Com dólar a R$ 5,1828, o BTC é negociado em torno de R$ 318 mil, ainda 56% abaixo do topo histórico em reais registrado no fim de 2025. Para alocadores locais, o desconto via câmbio é menos relevante, o real seguiu o movimento global e não amorteceu a queda do ativo.
A próxima janela de catalisador concreto está no calendário legislativo do Senado americano. Enquanto isso, dados de financiamento de derivativos na Binance e fluxos em ETFs spot devem ditar o ritmo de curto prazo do mercado.
