Hyperliquid vai chegar a US$ 80?

  • HYPE renova máxima histórica acima de US$ 64 com alta de 70% no mês
  • ETFs spot de Hyperliquid absorveram 1,04% do supply em 10 pregões
  • Protocolo direciona 99% das taxas para recompra automática do token

O token HYPE, da exchange descentralizada Hyperliquid, atingiu nova máxima histórica acima de US$ 64 nesta semana. O ativo acumula valorização superior a 70% no mês e mais de 25% nos últimos sete dias, segundo dados de mercado.

O movimento contrasta com o cenário das maiores criptos. Bitcoin é negociado a US$ 74.943 e Ethereum a US$ 2.058, ambos pressionados por saques bilionários em ETFs spot. Enquanto isso, o HYPE capturou o fluxo institucional que migrou para alternativas de alta beta.

O salto recente coincide com a ativação do upgrade HIP-4, que liberou mercados de previsão liquidados por validadores na rede. O sistema permite que os próprios operadores da blockchain publiquem e liquidem contratos atrelados a eventos do mundo real, sem depender de oráculos externos. Os contratos são totalmente colateralizados, têm faixa fixa de liquidação e não usam alavancagem nem mecanismos de perpétuos.

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ETFs spot puxam demanda institucional

Assim, os ETFs spot de Hyperliquid absorveram 1,04% da capitalização do token nos primeiros dez pregões. O ritmo supera, em termos proporcionais ao market cap, o lançamento dos ETFs de Bitcoin, Ethereum e Solana nos Estados Unidos.

Dados da SoSoValue mostram entrada líquida de US$ 68,02 milhões nos fundos vinculados ao HYPE na semana encerrada em 22 de maio. No mesmo intervalo de duas semanas, os ETFs spot de Bitcoin perderam US$ 2,26 bilhões e os de Ether sangraram mais de US$ 470 milhões. Assim, o analista da Bloomberg Eric Balchunas destacou em publicação no X que o ETF THYP, da 21Shares, subiu 50% em duas semanas após o lançamento.

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Além disso, a rotação chama atenção do mercado brasileiro porque o HYPE ainda não tem produto local listado na B3, ao contrário de Bitcoin, Ethereum e Solana, que já contam com ETFs negociados em reais. Investidores brasileiros com exposição a HYPE dependem, hoje, de exchanges internacionais ou cripto-ETFs estrangeiros, o que limita o alcance da nova demanda. Vale comparar com o cenário descrito na cobertura sobre fluxos de ETFs, que vem mostrando capital saindo das majors e migrando para alternativas.

Recompra automática cria piso de demanda

Assim, por baixo do rali, opera uma engrenagem incomum. O protocolo direciona cerca de 99% das taxas de negociação para o Assistance Fund, que recompra HYPE continuamente no mercado aberto. Dados da DefiLlama indicam receita acumulada superior a US$ 1,16 bilhão desde o lançamento, com quase toda essa quantia revertida em compras do token.

Só no terceiro trimestre de 2025, a recompra somou aproximadamente US$ 316,76 milhões. Diferentemente de programas de buyback de companhias listadas, que dependem de aprovação periódica, o mecanismo do Hyperliquid roda de forma automática em qualquer condição de mercado — uma espécie de bid perpétuo abaixo do token.

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Outra fonte de acumulação vem da Hyperliquid Strategies, treasury company listada na Nasdaq sob o ticker PURR. A empresa detém cerca de 17,6 milhões de tokens HYPE e reportou lucro líquido trimestral de US$ 152,5 milhões, quase todo ligado à valorização não realizada das reservas. Some-se a isso o rendimento das reservas de USDC parqueadas na exchange: até 90% desse yield retorna em buybacks e incentivos ao ecossistema, como aponta a tese da plataforma sobre uso de USDC como ativo base.

Resistência em US$ 65 e risco de correção

Assim, tecnicamente, o HYPE rompeu o topo de um canal ascendente de vários meses. O preço retomou as médias de 50 e 200 dias antes da arrancada vertical. A próxima resistência relevante está em torno de US$ 64,9, e um rompimento confirmado abre caminho para a região psicológica de US$ 80.

Mapas de liquidação da CoinGlass mostram aglomerado denso de shorts entre US$ 65 e US$ 67. Caso o preço alcance essa faixa, liquidações forçadas podem amplificar o movimento via short squeeze. No lado oposto, a primeira zona de invalidação está entre US$ 55 e US$ 57; perdê-la exporia o retracement de Fibonacci em torno de US$ 47,9 e a média de 50 dias próxima de US$ 44,9.

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Além disso, o Open interest nos perpétuos da própria Hyperliquid subiu em linha com o preço, sinalizando posicionamento novo em vez de exaustão. Funding rates seguem positivas, mas ainda longe dos níveis extremos típicos de topos de blow-off.

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Sou jornalista com mais de 20 anos de trajetória, dedicando a última década exclusivamente ao mercado de criptomoedas e ativos digitais. Minha formação acadêmica inclui o bacharelado em Jornalismo pela FACCAMP e uma pós-graduação em Globalização e Cultura, o que me permite analisar o ecossistema cripto sob uma ótica macroeconômica e social. Ao longo da minha carreira, tive o privilégio de entrevistar figuras centrais da história contemporânea e da tecnologia, como Adam Back, Bill Clinton e Henrique Meirelles. Além da atuação na linha de frente da informação, acompanhei de perto as discussões que moldam o sistema financeiro global em fóruns multilaterais de alto nível, como o G20 e o FMI. Decidi migrar do setor público para o mercado de blockchain por convicção: acredito no potencial técnico e disruptivo dessa tecnologia para redesenhar o futuro da economia digital. Hoje, utilizo minha experiência para traduzir a complexidade deste mercado com rigor jornalístico e visão estratégica.
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