IBIT lidera saída de US$ 300 mi e ETFs de BTC somam 8 dias no vermelho

  • IBIT da BlackRock sozinho perdeu US$ 300,38 milhões em apenas um pregão
  • ETFs de Bitcoin completam oitavo dia consecutivo de saídas líquidas nos EUA
  • XRP capta US$ 15,34 milhões e supera Solana e HYPE entre altcoins

Os ETFs de Bitcoin à vista negociados nos Estados Unidos fecharam a segunda-feira com saída líquida de US$ 231,10 milhões, estendendo para oito pregões consecutivos a sequência negativa. O dado foi puxado quase integralmente por um único fundo: o IBIT, da BlackRock, que sozinho registrou resgates de US$ 300,38 milhões.

Sem o saldo negativo do produto da maior gestora de ativos do mundo, a categoria teria fechado o dia em terreno positivo. O detalhe explica por que o ibit ETF voltou a concentrar atenção dos analistas de fluxo no fim de junho — e por que o restante da indústria vem reagindo de forma desigual à correção do Bitcoin, que recua 2,2% nas últimas 24 horas e opera perto de US$ 58.266.

IBIT domina pressão vendedora no complexo de Bitcoin

Além da BlackRock, dois fundos ficaram no vermelho. O Bitcoin Mini Trust da Grayscale perdeu US$ 22,95 milhões e o FBTC, da Fidelity, registrou saída menor, de US$ 3,94 milhões. Os demais produtos da categoria mostraram demanda relevante na contramão do humor geral.

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O ARKB, da Ark & 21Shares, captou US$ 49,97 milhões. O GBTC da Grayscale recebeu mais US$ 35,10 milhões, enquanto o MSBT do Morgan Stanley somou US$ 7,26 milhões e o HODL da VanEck atraiu US$ 3,83 milhões. O volume total negociado nos ETFs de Bitcoin chegou a US$ 2,13 bilhões e os ativos sob gestão fecharam em US$ 73,19 bilhões, segundo dados da SoSoValue.

A leitura do mercado é direta: o IBIT virou o termômetro de risk-off institucional. Em outras janelas recentes, o fundo da BlackRock já tinha respondido por 73% da saída líquida semanal da categoria, sinal de que grandes alocadores estão usando o produto como instrumento preferencial para reduzir exposição rapidamente.

Ether perde US$ 30 milhões com ETHB no centro

Os ETFs de Ethereum também terminaram o dia em queda, com saída líquida de US$ 30,04 milhões. O maior resgate veio do ETHB, da BlackRock, que perdeu US$ 37,55 milhões. O Ether Mini Trust da Grayscale somou outros US$ 5,72 milhões de saída.

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O lado positivo veio de produtos menores. O ETHA, também da BlackRock, captou US$ 5,87 milhões. O FETH da Fidelity atraiu US$ 5,25 milhões e o ETHE da Grayscale recebeu US$ 2,10 milhões. O volume negociado na categoria foi de US$ 547,38 milhões, com ativos totais em US$ 8,59 bilhões. O ETH é negociado a US$ 1.563, perto da região onde baleias venderam US$ 880 milhões nas últimas semanas.

XRP puxa fluxo altcoin com US$ 15,34 milhões

Enquanto BTC e ETH sangraram, o XRP entregou o melhor desempenho entre os altcoins listados em ETFs nos EUA. Os produtos atrelados ao ativo da Ripple captaram US$ 15,34 milhões, com a Bitwise liderando aportes de US$ 11,49 milhões e o XRPC, da Canary, somando US$ 3,40 milhões. Os ativos sob gestão dessa categoria fecharam em US$ 971,63 milhões.

Os ETFs de Solana também ficaram positivos, com US$ 5,52 milhões em entradas líquidas. O BSOL, da Bitwise, respondeu por US$ 4,63 milhões. O FSOL, da Fidelity, levantou US$ 892 mil. Produtos atrelados ao token HYPE adicionaram US$ 2,23 milhões — todos via BHYP, da Bitwise.

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Fluxo afeta exchanges brasileiras e estratégia de tesouraria

Para o investidor que opera em reais, o movimento tem efeito direto. As saídas concentradas no IBIT pressionam o preço à vista do BTC nas exchanges brasileiras, que precificam o ativo em dólar e replicam a queda quase imediatamente. Empresas locais que mantêm Bitcoin em balanço — modelo cada vez mais comum entre fintechs listadas na B3 — ficam expostas a marcação a mercado negativa, o que tende a refletir no próximo ciclo de divulgação de resultados.

O contraste com o XRP também merece atenção. A entrada de capital em ETFs do ativo da Ripple ocorre num momento em que a Standard Chartered mantém alvo de US$ 28 para o token até 2030, baseando-se em adoção da Ripple para pagamentos transfronteiriços — caso de uso historicamente relevante para corredores que envolvem o Brasil.

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Jornalista, assessor de comunicação e escritor. Escreve também sobre cinema, séries, quadrinhos, já publicou dois livros independentes e tem buscado aprender mais sobre criptomoedas, o suficiente para poder compartilhar o conhecimento.
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