KULR envia 300 BTC à Coinbase Prime com prejuízo de US$ 17,8 milhões

  • KULR transferiu 300 BTC avaliados em US$ 24,36 milhões à Coinbase Prime
  • Posição total de 1.021 BTC acumula prejuízo não realizado de US$ 17,8 milhões
  • Compras corporativas de Bitcoin fora da Strategy caíram 99% em 2026

A KULR Technology Group (NYSE: KULR), empresa de gestão térmica que adotou Bitcoin como reserva corporativa em dezembro de 2024, depositou 300 BTC na Coinbase Prime nesta quarta-feira (13). O valor transferido equivale a aproximadamente US$ 24,36 milhões a preços atuais e reacendeu o debate sobre o esgotamento da onda de tesourarias corporativas em bitcoin.

A recente venda de BTC da KULR , segundo Arkham.

A movimentação ocorreu cerca de três horas antes de ser flagrada por monitores on-chain no X. O timing somado ao histórico recente da empresa fez o mercado tratar a transferência como possível preparação para liquidação, e não apenas ajuste rotineiro de custódia.

Posição em prejuízo profundo

A última divulgação pública da KULR mostrava 1.021 BTC em caixa, posição construída ao longo de 2025 por um desembolso aproximado de US$ 101 milhões. O preço médio de aquisição ficou em US$ 98.627 por moeda.

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Com o Bitcoin negocia em US$ 79 mil, a tesouraria opera cerca de 18% abaixo do custo médio. Em termos absolutos, o prejuízo não realizado beira US$ 17,8 milhões, pressionando pequenas empresas listadas nas bolsas americanas.

A Coinbase Prime é a custodiante principal da KULR desde o início da estratégia. Em julho de 2025, a companhia também contratou uma linha de crédito de US$ 20 milhões junto à Coinbase Credit, garantida por parte das moedas em carteira. Isso abre duas leituras possíveis para o envio, ajuste de colateral exigido pela queda recente do preço ou preparação para venda. A análise de padrões da Lookonchain inclina-se para a segunda hipótese.

Onda corporativa perde força

O movimento da KULR não acontece no vácuo. Dados da CryptoQuant mostram que a compra corporativa de Bitcoin fora da Strategy desabou 99% em relação ao pico de agosto de 2025. Empresas não-Strategy adquiriram menos de 1.000 BTC nos últimos 30 dias, contra 69.000 BTC no auge do movimento.

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A consequência é uma concentração inédita, a Strategy de Michael Saylor responde por cerca de 76% de todo o Bitcoin detido por tesourarias corporativas listadas em bolsa, com aproximadamente 820 mil BTC. A empresa segue comprando recentemente adicionou mais 535 BTC à carteira enquanto rivais menores recuam ou liquidam posições.

A KULR foi uma das vozes mais ativas dessa onda. Aderiu ao programa “Bitcoin for Corporations” da Strategy, ampliou compras em 2025 e alcançou 1.021 Bitcoins acumulados atualmente.

Efeito contábil e leitura brasileira

No 2º trimestre de 2025, a empresa reportou lucro líquido de US$ 8,14 milhões, puxado quase integralmente por ganhos não realizados em Bitcoin uma vez que a operação principal seguia deficitária. Com o Bitcoin agora abaixo do preço de entrada, esse vento favorável se inverte e tende a contaminar os resultados dos próximos balanços.

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O caso ilustra o risco das chamadas “Bitcoin treasury companies” de segunda linha. Diferentemente da Strategy, que captou bilhões em dívida e instrumentos como o STRC para sustentar compras, empresas como a KULR dependem de fluxo de caixa frágil e linhas de crédito colateralizadas. Quando o preço cai, o colateral encolhe e a pressão para vender aumenta.

Para investidores brasileiros que acompanham o tema via ações listadas nos EUA ou BDRs, o movimento serve de alerta. A Receita Federal trata Bitcoin em tesouraria empresarial como ativo financeiro sujeito a marcação, e a recente queda abaixo de US$ 80 mil já forçou exchanges locais a ajustar limites de margem. A KULR ainda não comentou publicamente a transferência desta quarta.

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Entusiasta de criptomoedas e tecnologia. Sempre explorando novas tecnologias inovadoras. Nos momentos livres, gosto de jogar e assistir futebol.
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