MARA vende US$ 1,5 bilhões em Bitcoin e migra para infraestrutura de IA

  • MARA vendeu 20.880 BTC a US$ 70.137 em média e arrecadou US$ 1,5 bilhão
  • Empresa caiu da 2ª para a 4ª maior detentora pública de Bitcoin do mundo
  • Até 90% da capacidade de mineração pode ser convertida para IA e HPC

A MARA Holdings (NASDAQ: MARA) liquidou 20.880 bitcoins ao longo do primeiro trimestre de 2026, a um preço médio de US$ 70.137 por unidade. A operação rendeu cerca de US$ 1,5 bilhão em caixa e marca a maior virada estratégica já feita por uma mineradora listada nos Estados Unidos.

Do total arrecadado, US$ 1,1 bilhão foi imediatamente direcionado para a recompra de notas conversíveis, em movimento que reduz alavancagem e libera espaço no balanço. Com a venda, a companhia encerrou março com 35.303 BTC em tesouraria, avaliados em aproximadamente US$ 2,4 bilhões, e caiu da segunda para a quarta posição entre as empresas públicas que mais detêm Bitcoin.

Os números do trimestre, porém, vieram negativos. A receita recuou 18% na comparação anual, somando US$ 174,6 milhões. O prejuízo líquido alcançou US$ 1,26 bilhão, puxado pela queda de 22% no preço do BTC entre janeiro e março.

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De mineradora a empresa de infraestrutura digital

No formulário 10-Q entregue ao regulador, a MARA passou a se definir como “uma empresa de infraestrutura digital construída para converter energia em cargas de trabalho computacionais de alto valor”. A mudança de linguagem não é cosmética, coloca inteligência artificial e computação de alto desempenho (HPC) no mesmo patamar da mineração de Bitcoin.

A administração afirmou que até 90% da capacidade não-hospedada pode ser redirecionada para cargas de IA e TI crítica. A empresa também declarou que não pretende, no momento, comprar novos equipamentos ASIC para mineração. É um sinal claro de que o ciclo de capex em hardware de hash terminou pelo menos por ora.

A joint venture com a Starwood Capital, anunciada no quarto trimestre de 2025, entra agora em fase ativa de desenvolvimento. A MARA contribui com terrenos energizados, enquanto a Starwood lidera projeto, captação de inquilinos e construção. O arranjo permite preservar parte da mineração em ativos disponíveis, sem comprometer a expansão de IA.

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Após o fechamento do trimestre, a companhia também acertou a compra da Long Ridge Energy and Power, usina a gás de ciclo combinado de 505 megawatts em Ohio, em transação de US$ 1,5 bilhão. O complexo tem 1.600 acres contíguos e pode comportar mais de um gigawatt de capacidade computacional total.

Contexto do setor e leitura para o mercado brasileiro

O movimento da MARA não acontece no vácuo. A Core Scientific converte seu site em Pecos, Texas, em um campus de IA de 1,5 gigawatt. A IREN fechou contrato de US$ 3,4 bilhões com a Nvidia em maio. Mineradoras públicas já assinaram, no agregado, mais de US$ 70 bilhões em contratos de infraestrutura de IA desde o fim de 2024.

Para o investidor brasileiro, a leitura tem duas camadas. A primeira é técnica, uma mineradora vendeu 20.880 BTC, mas direcionou grande parte do estoque para notas conversíveis próximas. Não foi capitulação foi rebalanceamento de capital. A tese de corrida por energia entre IA e mineração, defendida por Arthur Hayes, ganha um caso prático aqui.

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A segunda camada é estrutural. Mineradoras deixam de ser uma proxy alavancada do Bitcoin e passam a competir com hyperscalers como AWS, Oracle e CoreWeave. Quem comprava MARA no Brasil via BDR ou conta internacional buscando exposição direta ao BTC precisará reavaliar a tese o ativo está virando outra coisa. O fenômeno contrasta com a estratégia oposta da Strategy de Michael Saylor, que segue acumulando BTC mesmo em correção.

O presidente e CEO Fred Thiel tentou enquadrar o pivô como continuidade, não ruptura.

“A mineração de Bitcoin não é um negócio legado do qual estamos nos afastando. É a fundação operacional sobre a qual estamos construindo”, afirmou.

No trimestre, a empresa também comprou participação majoritária na operadora francesa de data centers Exaion, por US$ 174,5 milhões, em movimento que pavimenta a entrada no mercado europeu de HPC. Detalhes adicionais constam no arquivamento 10-Q junto à SEC.

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Entusiasta de criptomoedas e tecnologia. Sempre explorando novas tecnologias inovadoras. Nos momentos livres, gosto de jogar e assistir futebol.
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