- Mastercard habilita USDC, PYUSD, USDG, USDP, RLUSD e SoFiUSD para liquidar transações de cartão
- Rede suporta Ethereum, Solana, Polygon, Base, Arbitrum, XRPL, Canton e Tempo
- ARQ, Cross River, Lead Bank, CBW e Nuvei estão entre os primeiros parceiros nas Américas
A Mastercard oficializou uma das maiores aberturas de sua infraestrutura a ativos digitais até hoje. A bandeira anunciou que emissores e adquirentes poderão liquidar parte das transações de cartão usando stablecoins reguladas, incluindo opções intradiárias, em fins de semana e feriados janelas hoje travadas pelo sistema bancário tradicional.
O novo modelo é opcional e roda em paralelo à liquidação em moeda fiduciária. Segundo a empresa, o objetivo é dar aos parceiros mais flexibilidade na gestão de liquidez, reduzindo o tempo entre captura e compensação. A medida vem semanas depois de a Mastercard obter a BitLicense em Nova York, autorização que permite à sua unidade de serviços de transação operar ativos digitais sob o regulador estadual.
Seis stablecoins e oito redes no arranjo
O leque de moedas suportadas é amplo. A bandeira aceitará o USDC, da Circle, o PYUSD, USDG e USDP, emitidos pela Paxos, o RLUSD, da Ripple, e o SoFiUSD, da SoFi. O processamento será feito em oito blockchains, Ethereum, Solana, Polygon, Base, Arbitrum, XRPL, Canton e Tempo.
Entre os primeiros parceiros a oferecer a opção de liquidação em stablecoin nos EUA e na América Latina estão a ARQ antiga DolarApp, focada em dolarização para mexicanos, CBW Bank, Cross River, Lead Bank e a processadora Nuvei. A presença dessas empresas indica foco inicial em corredores latino-americanos onde dólares tokenizados já circulam amplamente.
Visa acelera piloto e pressiona concorrência
O movimento da Mastercard não acontece no vácuo. A Visa divulgou em abril que seu piloto de liquidação em stablecoins atingiu um ritmo anualizado de US$ 7 bilhões, alta de 50% em relação ao trimestre anterior, com nove redes suportadas. Quando as maiores bandeiras globais avançam juntas, emissores menores costumam seguir rapidamente o mesmo caminho tecnológico.
O mercado de stablecoins está avaliado hoje em torno de US$ 320 bilhões. Empresas de remessas seguiram o mesmo caminho recente. A MoneyGram lançou o MGUSD na Stellar para tesouraria, enquanto a Western Union estreou o USDPT na Solana.
Brasil fica fora do primeiro lote
Para o investidor brasileiro, a novidade tem leitura dupla. O Brasil ficou fora da estreia, mas a expansão latino-americana pode abrir espaço para inclusão futura. A janela coincide com o esforço do Banco Central em definir o marco para Provedores de Serviços de Ativos Virtuais, processo que inclui auditoria independente de exchanges e tratamento específico para stablecoins. Liquidações em USDC ou RLUSD dependerão da definição do Banco Central sobre contas tokenizadas em dólar.
Há também o componente competitivo entre redes. A inclusão da XRPL ao lado de Ethereum e Solana dá à Ripple um carimbo institucional adicional para sua nova stablecoin tema recorrente no debate sobre o papel do RLUSD frente ao XRP. Já a entrada da rede Canton, voltada a aplicações financeiras corporativas, sinaliza que o piloto não se limita ao varejo cripto-nativo.
Reação do XRP e pressão regulatória imediata
No mercado spot, o XRP opera a US$ 1,23 (R$ 6,21) nesta terça-feira, em queda de 2,2% em 24 horas, acompanhando a correção mais ampla, o Bitcoin recua para US$ 66.959 (R$ 336,8 mil) e o Ethereum cede 5,2%, a US$ 1.870. A reação modesta do XRP indica que o efeito imediato da inclusão da XRPL no arranjo da Mastercard ainda não foi precificado pelos traders. Em paralelo, o NYDFS e a Autoridade Bancária Europeia firmaram acordo de supervisão conjunta sobre stablecoins, ampliando o escrutínio sobre justamente os emissores que a Mastercard agora integra à sua rede.
