Mesmo com US$ 60 bilhões em ativos digitais, ETFs cripto rendem só 1,75% da receita da BlackRock

Mesmo com US$ 60 bilhões em ativos digitais, ETFs cripto rendem só 1,75% da receita da BlackRock
  • BlackRock gerou US$ 42 mi com ETFs cripto no Q1, apenas 1,75% da receita total
  • Ativos cripto caíram de US$ 78,4 bilhões para US$ 60,6 bi com queda de preços
  • IBIT mantém US$ 61,7 bi sob gestão cobrando taxa de 0,25% ao ano

A BlackRock faturou US$ 42 milhões no primeiro trimestre de 2026 com seus produtos de criptomoedas, número que representa apenas 1,75% da receita total de ETFs da gestora apesar dos fundos controlarem US$ 60,7 bilhões em ativos digitais.

Os dados revelam o desafio de monetização enfrentado pela maior gestora do mundo. Mesmo administrando 1,11% de todos os ativos em ETFs da empresa, os produtos cripto geraram receita proporcionalmente maior devido às taxas mais elevadas – 24,8 pontos-base anualizados contra 17,2 pontos-base do complexo geral de ETFs.

A queda brutal nos preços impactou diretamente os ganhos. Os ativos digitais da BlackRock despencaram de US$ 78,4 bilhões no fim de 2025 para US$ 60,6 bilhões em março, uma perda de mercado de quase US$ 18,7 bilhões. Apenas US$ 935 milhões em novos aportes entraram durante o trimestre, insuficientes para compensar a desvalorização.

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Dependência extrema do preço do Bitcoin

O IBIT, principal ETF de Bitcoin da BlackRock, controla atualmente cerca de US$ 61,7 bilhões em ativos líquidos cobrando taxa anual de 0,25%. Com esse volume, o produto sozinho implicaria receita anualizada de aproximadamente US$ 152,9 milhões mas a volatilidade dos preços torna qualquer projeção incerta.

A matemática é implacável, para os produtos cripto representarem 5% da receita de ETFs da BlackRock (cerca de US$ 120,3 milhões por trimestre), seria necessário alcançar US$ 194 bilhões em ativos médios mantendo o rendimento atual. Se a competição forçar redução de taxas para 20 pontos-base, o montante necessário sobe para US$ 240,6 bilhões.

No cenário otimista, com recuperação de preços e ampliação da adoção por consultores financeiros, os ativos médios poderiam chegar a US$ 140 bilhões gerando receita trimestral de US$ 84 milhões. Ainda assim, representaria apenas 3,5% do faturamento total com ETFs da gestora.

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Guerra de taxas já começou

A competição se intensifica rapidamente. Morgan Stanley lançou em abril o MSBT cobrando apenas 0,14% de taxa – 11 pontos-base abaixo do IBIT. Charles Schwab anunciou que oferecerá negociação direta de Bitcoin e Ethereum para clientes de varejo cobrando 75 pontos-base por operação.

Goldman Sachs protocolou pedido para um ETF de Bitcoin focado em geração de renda através de opções, buscando diferenciação além da exposição simples ao ativo. A estratégia indica o caminho futuro: produtos mais sofisticados justificando taxas maiores.

Para investidores brasileiros, a corrida por menores taxas em ETFs pode significar acesso mais barato à exposição internacional em cripto. Exchanges locais já sentem a pressão competitiva, especialmente com a possível entrada de produtos similares no mercado nacional.

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Produtos diversificados tentam sustentar margens

Além do IBIT, a BlackRock opera o ETHA (Ethereum Trust) com mais de US$ 7 bilhões sob gestão e o recém-lançado ETHB (Staked Ethereum Trust) que já captou US$ 594,5 milhões. O ETHB oferece exposição ao Ethereum mais recompensas de staking, categoria que pode justificar taxas superiores.

Combinados, os três principais produtos cripto da gestora nos EUA controlavam US$ 68,8 bilhões no fim de abril, alta de 13,4% sobre março. O crescimento veio principalmente da recuperação parcial dos preços, não de novos aportes significativos.

A equação para o futuro passa por três variáveis críticas. Primeiro, os preços dos ativos digitais precisam se recuperar – uma queda de US$ 18 bilhões em um trimestre anula qualquer estratégia de crescimento orgânico. Segundo, a adoção institucional deve expandir além dos early adopters atuais. Terceiro, produtos com maior valor agregado como o ETHB precisam ganhar escala.

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No cenário pessimista projetado pela própria análise do mercado, com preços fracos e primeira rodada de cortes de taxas, os ativos médios cairiam para US$ 50 bilhões gerando receita trimestral de apenas US$ 27,5 milhões. Nesse caso, cripto voltaria a representar meros 1,1% do faturamento de ETFs praticamente irrelevante no balanço da gigante.

A realidade atual mostra que mesmo a maior gestora do mundo ainda depende quase inteiramente da volatilidade do Bitcoin para monetizar sua aposta em cripto. Até que o volume de ativos cresça o suficiente para absorver oscilações de preço, cada trimestre será uma incógnita determinada mais pelo humor do mercado do que pela execução estratégica.

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Entusiasta de criptomoedas e tecnologia. Sempre explorando novas tecnologias inovadoras. Nos momentos livres, gosto de jogar e assistir futebol.
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