- Mercado de derivativos mantém sinal de alerta para o Bitcoin
- Procura por proteção cresce mesmo com recuperação para US$ 70 mil
- Sentimento de risco global limita avanço rumo aos US$ 75 mil
O Bitcoin continua tentando se firmar perto dos US$ 70 mil, mas os sinais enviados pelo mercado de derivativos mostram que a confiança ainda segue frágil. O movimento de recuperação, embora relevante, não dissipou preocupações que ganharam força nas últimas semanas.
Mesmo após voltar rapidamente das mínimas de US$ 62.500, o ativo enfrentou resistência pesada. A entrada contínua de capital nos ETFs ajudou a reduzir a tensão, porém, não mudou a percepção de risco entre os operadores mais experientes.
Derivativos mostram maior busca por proteção
Os ETFs de Bitcoin listados nos Estados Unidos registraram entradas de US$ 764 milhões em apenas dois dias. Esse volume compensou parte das fortes saídas vistas anteriormente e indicou demanda institucional quando o preço caiu abaixo de US$ 65 mil. Apesar disso, o sentimento nos derivativos permaneceu cauteloso.
No mercado de opções, os investidores ampliaram a procura por proteção. As opções de venda foram negociadas com prêmio de 14% sobre as opções de compra. Em condições normais, esse equilíbrio varia pouco e permanece próximo de zero. Portanto, o movimento atual reforça um ambiente de maior incerteza.
Embora a assimetria tenha diminuído em relação ao pico de 28%, registrado durante o momento de maior tensão, o avanço do preço até US$ 70 mil não trouxe sinais claros de alívio. Assim, operadores continuam evitando apostas agressivas de alta.
Fatores externos amplificam o desconforto do mercado
A recente queda acumulada de 32% em sete semanas ainda alimenta discussões. O movimento começou após o crash de outubro de 2025, que eliminou bilhões em posições alavancadas e coincidiu com o anúncio do presidente dos EUA sobre tarifas de 100% para produtos chineses. Esses dois eventos criaram um ambiente mais defensivo.
Além disso, episódios envolvendo a Binance ampliaram dúvidas. A exchange precisou indenizar clientes após falhas internas, o que reacendeu suspeitas sobre problemas de infraestrutura. Mesmo com a negação de Changpeng Zhao, o impacto no mercado foi evidente.
Outros temores surgiram com debates sobre computação quântica. A saída do Bitcoin da carteira “Ganância e Medo”, conduzida por um estrategista da Jefferies, reforçou preocupações sobre falhas de segurança no longo prazo. Como resposta, desenvolvedores avançaram na proposta BIP-360, voltada à criptografia pós-quântica.
A situação ganhou mais camadas quando alegações envolvendo a Jane Street voltaram à tona. Embora o relatório 13-F mostre posições relevantes em ETFs e mineradoras, analistas afirmam que essas operações são típicas de estratégias delta-neutras, o que reduz a probabilidade de impacto direto nos preços.
