- Meta testa pagamentos em USDC para criadores nas Filipinas e Colômbia
- Stripe processa transações em Solana e Polygon para carteiras cripto
- Empresa retorna ao mercado cripto após fracasso do projeto Diem em 2022
A Meta iniciou testes de pagamentos em USDC diretamente para carteiras cripto de criadores de conteúdo nas blockchains Solana e Polygon. O programa piloto atende criadores selecionados nas Filipinas e Colômbia, marcando o retorno da gigante de tecnologia ao setor cripto após o fim do projeto Diem há quatro anos.
Os pagamentos processados pela Stripe permitem que criadores recebam suas receitas em carteiras populares como MetaMask, Phantom e Binance. A escolha dos dois países asiático e sul-americano reflete uma estratégia comum entre big techs: testar inovações financeiras em mercados emergentes onde a adoção cripto frequentemente supera a infraestrutura bancária tradicional.
Mercado de stablecoins atrai gigantes da tecnologia
O USDC, segunda maior stablecoin com capitalização superior a US$ 77 bilhões, tornou-se opção preferida de empresas tradicionais que buscam integrar pagamentos cripto. “Não estamos emitindo uma stablecoin própria da Meta”, esclareceu porta-voz da empresa ao ser questionado sobre o projeto. A declaração marca distância clara do ambicioso Libra/Diem que enfrentou resistência regulatória global entre 2019 e 2022.
Volume de negociação de stablecoins pode atingir US$ 1,5 quatrilhão até 2035, segundo projeções da Chainalysis. Esse crescimento exponencial reflete confiança crescente de instituições financeiras tradicionais nos trilhos de pagamento digital lastreados em dólar. A Visa já movimenta bilhões em sua infraestrutura de stablecoins, validando o modelo para corporações globais.
Adoção de USDC pela Meta ocorre em momento favorável no cenário regulatório americano. O GENIUS Act, sancionado no ano passado, estabeleceu framework legal para tokens lastreados em dólar, reduzindo incertezas que afastavam grandes empresas do setor. Ambiente mais claro permite que companhias testem casos de uso sem receio de sanções futuras.
Solana e Polygon disputam mercado de pagamentos
Escolha das blockchains Solana e Polygon não foi aleatória. Ambas oferecem transações rápidas com taxas mínimas requisitos essenciais para pagamentos recorrentes de pequeno valor típicos de monetização de conteúdo. Solana processa até 65 mil transações por segundo com custo médio de US$ 0,0025, enquanto Polygon oferece velocidade similar como camada secundária do Ethereum.
Para criadores em mercados emergentes, diferença é significativa. Taxa bancária internacional de US$ 30 pode representar 10% do salário mínimo nas Filipinas. Pagamentos cripto eliminam intermediários e reduzem custos a centavos, além de processar em minutos transferências que levariam dias no sistema tradicional.
Expansão geográfica do programa dependerá dos resultados iniciais. Brasil, com mais de 30 milhões de usuários cripto segundo dados da Receita Federal, representa mercado natural para próxima fase. Volume de pagamentos corporativos em stablecoins cresce consistentemente no país, preparando terreno para adoção por plataformas de conteúdo.
Meta não divulgou valores mínimos ou máximos para saques em USDC nem percentual de criadores elegíveis. Sistema aparentemente funciona como opção adicional aos métodos tradicionais, permitindo que criadores escolham entre receber em moeda fiduciária ou stablecoin. Flexibilidade é crucial para adoção gradual em mercados com diferentes níveis de familiaridade cripto.
Movimento da Meta pode acelerar adoção mainstream de pagamentos cripto no setor de creator economy, estimado em US$ 250 bilhões globalmente. YouTube, TikTok e outras plataformas observam atentamente os resultados do piloto. Sucesso nas Filipinas e Colômbia pode desencadear onda de integrações similares, transformando stablecoins em padrão para remuneração digital internacional.
